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- CANTO E MÚSICA NA LITURGIA – IV
Em minhas últimas conversas, estou tratando do tema Canto e música na liturgia . Os que participam da S. Missa e dos demais momentos de oração da Igreja, bem conhecem como é importante o canto e a música nas celebrações. Infelizmente, tantas vezes, essa dimensão da celebração, é deixada ao gosto, à fantasia ou à ‘ignorância’ litúrgica dos que assumem esse serviço eclesial, para o qual é preciso conhecer o sentido litúrgico de cada tempo e momento e as orientações de nossa Igreja. Continuando nossa reflexão, vamos compreender, um pouco mais, o sentido do canto nos vários momentos de uma celebração. Canto de entrada (cf. IGMR 47s). “A função ministerial do canto é de abertura e tem como finalidade principal construir e congregar a assembleia”. Este canto deve estar integrado ao momento ritual (dos ritos iniciais), em consonância com o tempo do Ano litúrgico, com o tipo de celebração, com as características da assembleia. Sua finalidade é a de reunir os irmãos e as irmãs no mesmo sentir e prepará-los para escutarem a Palavra e participarem da mesa eucarística. A letra deve ser um convite à celebração. A música deve ter um ritmo alegre. Uso do corpo : procissão com ritmo de dança (CNBB, doc. 43, n. 241). Uso dos símbolos : incenso, missal, vela, cruz, Evangeliário etc. Ato penitencial. É um canto de cunho introspectivo. Não deve ter um tom de piedade e nem deve ser cantado arrastado, mas expressar confiança no perdão de Deus. É uma aclamação e invocação da misericórdia do Senhor. É uma aclamação suplicante a Cristo Senhor e não uma forma de invocação trinitária (como foi equivocamente interpretado) e deve ser executado por toda a assembleia. A letra deve conter o pedido de perdão, não precisa ser a fórmula tradicional. Já a música deve ter uma melodia mais lenta. Não precisa usar todos os instrumentos, porém deve respeitar o jeito local. Uso dos símbolos e do corpo : inclinar-se, ajoelhar-se, erguer as mãos em súplica, bater a mão no peito, fechar os olhos, usar incenso, sinal de purificação, lavar as mãos etc. (cf. CNBB 43, n.252; IGMR 52). Glória. Na IGMR (n. 53) lemos que o Glória é “um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro”. O Glória é um hino doxológico (de louvor / glorificação) que canta a glória do Pai que nos mandou o Cordeiro , o Filho, e Ele se mantém no centro do louvor, da aclamação e da súplica. O Glória termina com o final majestoso, incluindo o Espírito Santo, mas esta inclusão não constitui, em primeira instância, um louvor explícito à terceira pessoa da SS. Trindade. O Espírito Santo aparece relacionado com o Filho, pois é n’Ele que se concentram os louvores e as súplicas. Em outras palavras, o Cristo se mantém no centro de todo o hino . Então, podemos dizer: o Glória é muito mais do que simples aclamações ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. É um louvor, é uma aclamação, uma súplica. Historicamente, era entoado durante o ofício da manhã; no séc. IV, era entoado somente pelo bispo na liturgia do Natal; no final do séc. XI, começou ser usado em todas as festas e domingos, exceto na Quaresma. Possivelmente, seja sempre cantado para expressar alegria. Não é um canto exclusivo de um grupinho, mas é de toda a Assembleia . Pode ser cantado agitando os braços ou algum objeto nas mãos, sempre em tom festivo. Dom Armando
- “Festa do Divino” em Rio de Contas.
Realizou-se no último domingo 05, na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Rio de Contas, a Solenidade de Pentecostes. A tradicional “Festa do Divino” em Rio de Contas, como é popularmente conhecida, remonta aos tempos do Brasil Império, trazendo como alegoria a figura do Imperador, costume que se deve a uma promessa feita há mais de três séculos por uma rainha portuguesa. Nos três dias antecedentes ao domingo, houve tríduo, abordando reflexões acerca dos sete dons do Espírito Santo. A missa solene aconteceu às 10 horas, presidida pelo Padre Rinaldo Pereira, após o cortejo com a bandeira e demais símbolos, trazidos por uma família da comunidade, acompanhada pela filarmônica Lira dos Artistas. Marca da devoção ao Espírito Santo, a “festa do Divino” integra o calendário de eventos mais significativos da secular cidade.
- Mês de Maio na Paróquia Nossa Senhora da Saúde de Jussiape
A Paróquia Nossa Senhora da Saúde de Jussiape, celebrou o mês Mariano com júbilo, fé e esperança. Na igreja matriz os fiéis rezaram o trezenário em louvor e honra a Nossa Senhora de Fátima, foi refletido o tema: “Avancem para águas mais profundas” da Carta Pastoral do nosso Bispo Dom Armando Bucciol. No dia (13), o Pe. Élcio celebrou a Festa de Nossa Senhora de Fátima na matriz em Jussiape, seguida com a Consagração a Nossa Senhora e procissão por algumas ruas da Cidade. As Pastorais e os Movimentos Marianos continuaram com a reza do terço nas casas com as famílias durante o mês. Com a Missa da Visitação de Nossa Senhora, encerrou-se o mês Mariano com a coroação de Nossa Senhora, com o tema da Campanha da Fraternidade 2022: “Fraternidade e Educação; Fala com sabedoria, ensina com amor”. Onde professores e alunos juntos coroaram Nossa Senhora como Rainha do céu e da terra. Na Comunidade Santo Antônio de Caraguatai, após a Santa Missa aconteceu a Coroação de Nossa Senhora e procissão pela Comunidade local. Na Comunidade Sagrado Coração de Jesus no Pov. Cruz, os sábados do mês foi dedicado em devoção a Nossa Senhora, com a reza do terço na Igreja, encerrando no dia (29), Ascensão do Senhor, com a Celebração da Palavra, seguido de um emocionante show católico de louvor com cantor Luciélio Teles, com a participação em massa das famílias da Comunidade.
- CANTO E MÚSICA NA LITURGIA – III
Continuando o assunto: “ Canto e música na Liturgia ”, quero oferecer alguns critérios na escolha dos cantos para as diversas celebrações . Observemos, antes de tudo, que na Liturgia temos dois tipos de cantos: – Cantos que acompanham a ação: entrada, aclamação ao Evangelho, apresentação das oferendas, o Cordeiro de Deus e a procissão da Comunhão; – Cantos que já são ação: o Ato penitencial, o Glória, o Salmo responsorial, o Amém no final da Oração eucarística (doxologia), e o pós-Comunhão. Não qualquer canto é adapto para as celebrações . Existem cantos litúrgicos para missas, outros, para sacramentos, e cantos – mensagens para outras ocasiões, ex. encontros de oração, procissões, pios exercícios etc. Os cantos são litúrgicos se eles expressam os mistérios de Cristo ou se ajudam a viver o Mistério pascal de Cristo. Os símbolos e ritos na Liturgia devem constituir comunhão com o mistério ou serem vivências do mistério celebrado. Devemos cantar a Liturgia e não simplesmente cantar na Liturgia . Na missa, toda a assembleia é chamada a cantar os textos ‘litúrgicos’ e não outros que nada têm a ver com a celebração do Mistério Pascal de Cristo pela Igreja. Retomemos mais um pensamento de SC (n. 112): “O canto sagrado, unido às palavras, constitui uma parte necessária ou integral da Liturgia solene”, e o documento conciliar acrescenta dois princípios : a) “A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver unida à ação litúrgica”. A música sacra não é, pois, um estilo “por si mesmo”; não será mais sacra por se assemelhar a este ou àquele estilo, por mais sublime que esse seja; a santidade é dada por seu serviço e sua integração à ação santa, e, em consequência, b) “a Igreja aprova e admite no culto divino todas as formas de arte autêntica que estejam ornadas das devidas qualidades”. Pouco mais adiante (SC 116), especifica: “Contanto que correspondam ao espírito da ação litúrgica, de acordo com o art. 30; isto é, contanto que promovam a participação ativa“. Então, como escolher os cantos nas celebrações? Celebrações do Ano Litúrgico que comemoram um determinado Mistério de Cristo : devem-se distinguir por três elementos : a letra, a melodia e o Mistério celebrado. Ex.: os cantos de Advento não têm as mesmas ‘cores’ dos de Quaresma ou do Tempo pascal! A Páscoa semanal (aos domingos) e as Festas dos santos , que prolongam o mesmo Mistério de Cristo: aos domingos, o canto deve expressar a Páscoa de Jesus Cristo e dos cristãos, em Cristo. O que ilustra o caráter pascal de cada domingo é a Liturgia da Palavra, principalmente o Evangelho. Nas festas dos Santos , a Igreja celebra o Mistério pascal prolongado no tempo da Igreja. O canto deve expressar a vida deles ligada à vida de Cristo. Celebrações de diversas circunstâncias , como celebrações de sacramentos, comemorações de datas importantes e vivências de acontecimentos que marcam a vida de uma comunidade: os cantos serão ligados ao ‘sinal da fé’ celebrado, à luz do Senhor ressuscitado. Dom Armando
- Festa de Santa Maria do Ouro em Ibiajara
Como tradicionalmente se faz a cada ano, no mês mariano de maio, a comunidade de Ibiajara, na Paróquia do Senhor do Bonfim de Rio do Pires, celebrou com festa a sua padroeira, Santa Maria do Ouro. É sempre momento intenso de oração, evangelização e participação. Após dois anos atípicos, marcados pela pandemia, com necessária redução de celebrações e da participação presencial, os fiéis de Ibiajara e de diversas outras comunidades da Paróquia, do Vicariato Nossa Senhora do Carmo, da Diocese, bem como romeiros de outras localidades da Bahia , visitantes e filhos da terra que moram em outras cidades e estados, compareceram com fervor à novena e, sobretudo aos momentos conclusivos da festa: cortejo de entrada, na véspera, Missa Solene e Procissão, finalizada com Bênção do Santíssimo Sacramento. Preparada com esmero pelo CPC e pela Comissão de Festa de 2020, a Festa refletiu sobre o tema da Carta Pastoral de Dom Armando “Avancem para águas mais profundas”, honrando a Mãe de Cristo e da Igreja, para que ela nos inspire e acompanhe sempre no seguimento e fidelidade ao Senhor Jesus. Pe. Weverson Almeida Santos, Pároco e Conselho Pastoral Comunitário da Comunidade.
- Levantada do Mastro anuncia os festejos de São João Batista em Mucugê.
Fé, tradição, cultura e religiosidade uniram turistas e os fiéis paroquianos da Paróquia de São João Batista de Mucugê, cidade de muitos encantos, situada na Chapada Diamantina, para mais uma realização da festa de Levantamento do Mastro de São João Batista. Uma tradição que vem sendo realizada há anos e que mesmo na pandemia os fiéis não deixaram de erguer o mastro. A tradição, que se repete há mais de 175 anos, este ano ganhou um novo brilho. Seguindo costumes antigos, o mastro de 10 metros de altura é envolto por palhas verdes de coqueiros e é enfeitado pelos os homens e algumas mulheres com flores. O mastro sai da igreja do Rosário rumo a praça da matriz de Santa Isabel, sendo acompanhado pela a Filarmônica 23 de Dezembro e todo o povo de Deus. Ao chegar defronte a matriz o mastro é colocado sobre dois suporte enquanto o povo entra para a matriz para participar da Santa Missa presidida pelo o Pároco Pe. Renato Aguiar. Ao término da celebração o padre abençoa o mastro e logo após, os homens com força, devoção, fé e coragem levanta o mastro enquanto se ouve o hino de São João Batista executado pela filarmônica. Também neste momento ouve-se o repicar dos sinos e acendimento da fogueira que muito nos recorda a noite das vésperas da Natividade de São João Batista. Criou-se também um costume de servir aos fiéis, turistas e quem mais estiver presente, caldos e chocolate quente ou outras iguarias doados por alguns paroquianos. A levantada do mastro aconteceu neste domingo, dia 29 de maio, já anunciando os festejos juninos que se aproximam e de modo muito especial a festa do padroeiro titular. Para o povo de Mucugê este é um momento muito marcante e que devolve aos corações as alegrias e esperanças de bem celebrar, festejar o seu santo padroeiro. É emocionante ouvir numa só voz o povo cantar: “ Louvor e glória, honra e vitória, a São João, o santo precursor. Viva São João! Nosso padroeiro, suba aos céus nosso hino de louvor! ”
- Dom Armando envia mensagem depois da visita ao Papa Francisco
Dom Armando Bucciol se encontrou na manhã de hoje (27/05) com o Sumo Pontífice Papa Francisco na visita “Ad Limina”. Acompanhe a mensagem enviada pelo nosso bispo aos diocesanos: Nesta semana, com os bispos e arcebispos das 26 dioceses de Bahia e Sergipe, realizamos a Visita “ad limina (Apistolorum)”, isto é, “a Visita aos pés dos Apóstolos”. Encontramos com os membros que dirigem os Dicasterios da igreja católica, isto é, todos os “assessores do Papa”, conversando dos diferentes, numerosos e desafiadores problemas das nossas Igrejas. Foram encontros muito valiosos, serenos, fraternos. Rezamos juntos nas quatros grandes Basílicas (São Pedro, São João em Latrão, Santa Maria Major e São Paulo fora dos muros) e terminamos hoje, 27 de maio, com um belo encontro com o Papa Francisco: duas horas de intensa e fraterna partilha. Agradeço a todos que nos acompanharam com suas orações e, junto com o Santo Padre e demais irmãos bispos, mando minha benção. O Senhor ilumine e proteja a todos. Dom Armando, bispo diocesano.
- CANTO E MÚSICA NA LITURGIA – II
Prezados leitores e leitoras do ‘nosso’ site, estamos refletindo sobre o assunto: “Música e canto na liturgia”. Já falei sobre o valor que a Igreja deu à música em suas celebrações ao longo de sua história. A Igreja se inseriu na tradição da Comunidade hebraica, sobretudo da Sinagoga . Nela, os Salmos são o exemplo mais significativo de oração em canto. No templo, o serviço do canto era assegurado por muitos cantos, divididos em 24 classes (grupos, scholae ), com todo tipo de instrumento (cf. Sl 150). Com esse espírito, Paulo recomenda aos Efésios: Cantem salmos, hinos e cânticos espirituais (cf. Ef 5,19). No Novo Testamento, encontramos vários fragmentos de hinos que a comunidade cantava em suas reuniões: ex. Jo 1,1-18; Fl 2,6-11, Ef 5; 1Tm 2; 1 Tm 3,16; Ap 4,8; 5,12; 14,2-3. Desde a antiguidade, numerosos documentos falam do valor que música e canto tinham nas assembleias. Assim sempre foi ao longo da história, como reconhece o documento conciliar SC 112: “A tradição musical da Igreja forma um patrimônio de inestimável valor”. Escreve frei Alberto Beckäuser, grande liturgista: “O canto é um elemento de suma importância para a celebração litúrgica frutuosa. Ele faz a assembleia participar ativamente da Liturgia, faz a assembleia verdadeiramente sujeito da celebração. O canto dá o colorido típico de cada tempo litúrgico e de cada festa. O ser humano usa a música e o canto para expressar sua religiosidade, isto é, sua relação com Deus, tanto individual como comunitariamente”. O Magistério e o Concílio , também nesse assunto, oferecem numerosas orientações , fruto da experiência secular e dos critérios teológicos que orientam e sustentam a nossa Liturgia. Por isso, é importante compreender, antes de tudo, o sentido da música na liturgia e o porquê dessas orientações. Na Liturgia cristã, o que mais conta são as pessoas que, como batizadas, exercem seu sacerdócio batismal com todas as suas potencialidades expressivas: gestos, canto, leitura, arte (cf. SC 114). Portanto, canto e música são gestos vivos de pessoas vivas, que constituem a celebração, a partir de uma situação humana concreta. Canto e música, antes de tudo, querem expressar a oferta viva de si mesmos dos que participam das celebrações. Não cantamos só pelo gosto de cantar, é algo mais! O critério que o Concílio fixa para admitir músicas na Liturgia é “que estejam dotadas das devidas qualidades” (ib.). No que se refere à escolha dos cantos , SC 121 afirma: “(Querem) oferecer à comunidade dos fiéis a participação que lhe é própria”; por isso, se recomenda aos compositores de “compor melodias que apresentem as características da verdadeira música sacra e que favoreçam a participação ativa de toda a comunidade dos fiéis”. Enfim, outro importante critério: “ Os textos destinados aos cantos sacros sejam conformes à doutrina católica, e sejam tirados principalmente da Sagrada Escritura e das fontes litúrgicas” (ib.). Importante observação : na celebração litúrgica cristã, canto e música não têm autonomia no contexto da ritualidade litúrgica: são parte e modo expressivo do rito (cf. IGMR nn. 39-41). Dom Armando
- 56º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Logomarca criada por Ruan Carlos (Ibipitanga) venceu concurso nacional realizado pela Pascom Brasil. Neste próximo domingo (29), a Igreja celebra o Dia Mundial das Comunicações Sociais, momento caro para os comunicadores católicos que propagam a Boa Nova do Evangelho nas diversas maneiras em que os novos tempos possibilitam. Neste ano, a Diocese de Livramento, com honra participa de maneira ainda mais especial, já que, a Identidade Visual desta ocasião é criada por um membro da Pastoral da Comunicação da nossa Igreja Local. Ruan Carlos Pereira da Paróquia Santa Luzia de Ibipitanga venceu o concurso nacional realizado pela Pascom Brasil no inicio deste ano. A arte criada pelo jovem evidencia o tema “Escutar com ouvido do coração” , parte da Mensagem proposta e dedicada pelo Papa Francisco para a celebração deste dia. MENSAGEM DO PAPA: No ano passado, refletimos sobre a necessidade de «ir e ver» para descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas. Continuando nesta linha, quero agora fixar a atenção noutro verbo, «escutar», que é decisivo na gramática da comunicação e condição para um autêntico diálogo. Com efeito, estamos a perder a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil. Ao mesmo tempo, a escuta está a experimentar um novo e importante desenvolvimento em campo comunicativo e informativo, através das várias ofertas de e , confirmando que a escuta continua essencial para a comunicação humana. A um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: «O desejo ilimitado de ser ouvidos». Apesar de frequentemente oculto, é um desejo que interpela toda a pessoa chamada a ser educadora, formadora, ou que desempenhe de algum modo o papel de comunicador: os pais e os professores, os pastores e os agentes pastorais, os operadores da informação e quantos prestam um serviço social ou político. A partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma perceção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O « – escuta, Israel» ( 6, 4) – as palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» ( 10, 17). De facto, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano. A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para o escutar. O homem, ao contrário, tende a fugir da relação, a virar as costas e «fechar os ouvidos» para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (cf. 7, 57). Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor. Por isso Jesus convida os seus discípulos a verificar a qualidade da sua escuta. «Vede, pois, ouvis» ( 8, 18): faz-lhes esta exortação depois de ter contado a parábola do semeador, sugerindo assim que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração «bom e virtuoso» e A guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. 8, 15). Só prestando atenção a ouvimos, ouvimos e ao ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a «capacidade do coração que torna possível a proximidade» (Francisco, Exort. ap. , 171). Ouvidos, temo-los todos; mas muitas vezes mesmo quem possui um ouvido perfeito, não consegue escutar o outro. Pois existe uma surdez interior, pior do que a física. De facto, a escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. O rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse «um coração que escuta» ( 3, 9). E Santo Agostinho convidava a escutar com o coração ( ), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas espiritualmente nos corações: «Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração» [1] . E São Francisco de Assis exortava os seus irmãos a «inclinar o ouvido do coração» [2] . Por isso, a primeira escuta a reaver quando se procura uma comunicação verdadeira é a escuta de si mesmo, das próprias exigências mais autênticas, inscritas no íntimo de cada pessoa. E não se pode recomeçar senão escutando aquilo que nos torna únicos na criação: o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. Não fomos feitos para viver como átomos, mas juntos. Há um uso do ouvido que não é verdadeira escuta, mas o contrário: o espionar. De facto, uma tentação sempre presente, mas que neste tempo da parece mais assanhada, é a de procurar saber e espiar, instrumentalizando os outros para os nossos interesses. Ao contrário, aquilo que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro abeirando-nos dele com abertura leal, confiante e honesta. Esta falta de escuta, que tantas vezes experimentamos na vida quotidiana, é real também, infelizmente, na vida pública, onde com frequência, em vez de escutar, «se fala pelos cotovelos». Isto é sintoma de que se procura mais o consenso do que a verdade e o bem; presta-se mais atenção à do que à escuta. Ao invés, a boa comunicação não procura prender a atenção do público com a piada foleira visando ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura fazer compreender a complexidade da realidade. É triste quando surgem, mesmo na Igreja, partidos ideológicos, desaparecendo a escuta para dar lugar a estéreis contraposições. Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera que o outro acabe de falar para impor o nosso ponto de vista. Nestas situações, como observa o filósofo Abraham Kaplan [3] , o diálogo não passa de , ou seja um monólogo a duas vozes. Ao contrário, na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se ambos «em saída», tendendo um para o outro. Portanto, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar. Para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado prolongadamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais. Com efeito, só se sairmos do monólogo é que se pode chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira locanda» – como ensinam os especialistas do oficio – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes. Entretanto para quê enfrentar este esforço da escuta? Um grande diplomata da Santa Sé, o cardeal Agostinho Casaroli, falava de «martírio da paciência», necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de se obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Mas, mesmo em situações menos difíceis, a escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de se deixar surpreender pela verdade – mesmo que fosse apenas um fragmento de verdade – na pessoa que estamos a escutar. Só o espanto permite o conhecimento. Penso na curiosidade infinita da criança que olha para o mundo em redor com os olhos arregalados. Escutar com este estado de espírito – o espanto da criança na consciência dum adulto – é sempre um enriquecimento, pois haverá sempre qualquer coisa, por mínima que seja, que poderei aprender do outro e fazer frutificar na minha vida. A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à «informação oficial», causou também uma espécie de «info-demia» dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas. A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país. Mas então teremos diante dos olhos, não números nem invasores perigosos, mas rostos e histórias de pessoas concretas, olhares, expetativas, sofrimentos de homens e mulheres para ouvir. Também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar. «Devemos escutar através do ouvido de Deus, se queremos poder falar através da sua Palavra» [4] . Assim nos lembra o teólogo protestante Dietrich Bonhöffer que o primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus [5] . Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar» (1, 19). Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade. Recentemente deu-se início a um processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes. Cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfónica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe. Francisco Fonte: Vatican.va
- Formação para Ministros da Palavra na Paróquia de Dom Basílio
Aconteceu no dia 15 de maio (domingo), na Igreja Matriz de São João Batista de Dom Basílio, o segundo encontro de formação para ministros da Palavra, promovido pela Paróquia. Reunidos em assembleia, leigos e leigas, oriundos de diversas comunidades, participaram com afinco do encontro, iniciado com a Santa Missa do V Domingo da Páscoa e seguido sob direção do padre Júlio César. Na manhã do dia 16 (segunda-feira), aconteceu no mesmo local, a formação para aqueles que, por alguma razão, não participaram no dia anterior.
- Paróquia do Senhor do Bonfim de Rio do Pires reúne CPP
Neste último Domingo (22/05), o padre Weverson Almeida, se reuniu com o Conselho Pastoral Paroquial (CPP) para tratar de assuntos pertinentes ao caminhar da igreja local. Momento de escuta, comunhão e participação.







