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- Novo Bispo!
O Papa Francisco, acolheu nesta quarta-feira, 01 de fevereiro de 2023, o pedido de renúncia apresentado por nosso bispo Dom Armando Bucciol e nomeou como terceiro bispo da nossa diocese Dom Vicente de Paula Ferreira, que, até então exercia seu ministério episcopal como auxiliar na arquidiocese de Belo Horizonte. Nossa Diocese se alegra com a nomeação do novo pastor que caminhará junto ao nosso povo na construção de uma “Igreja missionária a serviço do Evangelho”. Biografia de dom Vicente de Paula Ferreira Dom Vicente de Paula Ferreira nasceu em Alegre (ES), no dia 27 de outubro de 1970. É graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Tem doutorado em Ciência da Religião pela UFJF, com estágio pós-doutoral em Teologia, na FAJE. Autor de várias obras, integrante da Sociedade de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora, foi formador de estudantes Redentoristas de Teologia em Belo Horizonte. Tornou-se religioso da Congregação Redentorista, na Província do Rio de Janeiro, em 1992. Ordenou-se sacerdote em 1996. Na Congregação Redentorista, dedicou-se à Província do Rio, Minas e Espírito Santo. Foi promotor vocacional, formador, vigário paroquial, participou de importantes trabalhos missionários e, por quase uma década, exerceu o ministério de Provincial da Congregação. O Papa Francisco o nomeou bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte no dia 8 de março de 2017. A ordenação episcopal foi celebrada no dia 27 de maio do mesmo ano, na Igreja São José, Centro de Belo Horizonte. Foi eleito presidente da Comissão para a Ação Missionária do regional Leste II da CNBB no dia 5 de junho de 2019, para o quadriênio de 2019 a 2023. Atualmente, também é membro da Comissão Especial sobre a Mineração e Ecologia Integral da CNBB. Seu lema episcopal é: “A caridade jamais se acabará”. Fonte: www.cnbb.org.br
- Paróquia de Rio do Pires celebra padroeiro
No dia 29/01 a Paróquia do Senhor do Bonfim de Rio do Pires, celebrou com grande alegria a festa do seu padroeiro. Como de costume, a missa foi em frente à Igreja Matriz, para poder comportar o grandioso número de fiéis. Os festejos começaram com uma procissão saindo da Praça Jairo Carneiro, sendo recebida com o belíssimo Hino do Senhor do Bonfim, entoado pelo Coral Miralva Glória de Oliveira e acompanhado por todos os fiéis presentes. A Celebração Eucarística, foi Presidida por nosso Bispo Diocesano, Dom Armando Bucciol e concelebrada pelos padres Weverson (Pároco), Pe. Samuel (Paramirim) e Pe. José Aparecido (Érico Cardoso). Dom Armando refletiu sobre este título de Jesus, indagando sobre como ter um “Bom FIM”. Morrer na cruz, segundo o Livro de Deuteronômio, era ser amaldiçoado por Deus, a pior das penas reservadas aos escravos. Ressaltou que é importante compreender que este Jesus que adoramos como Senhor, fez escolhas de vida que o levaram a cultura, a política e a religiosidade da época a entrar em choque com todos os poderes que dominavam o império Romano e a religião hebraica como eram interpretados pelos mestres da época, e que a vida de Jesus não acaba no calvário. Ele é o vencedor da morte. E por isso o invocamos como o Senhor da Boa Morte. Ou seja, o Senhor do Bonfim. Dom Armando completa que, Jesus viveu bem sua vida, e que nós viveremos uma vida bem bonita ao seguimento de Jesus, se o compreendermos e procurarmos com a força do Divino Espirito, trilhar o seu caminho. Recordou, ainda, o pastoreio de padre Jacques, e sua missão de união da igreja, e pediu aos fiéis que, sob os cuidados do Padre Weverson, se unam para renovar a fé e o compromisso da igreja.
- Dom Armando publica sua XVI Carta Pastoral
No dia 31 de janeiro, Dom Armando publica sua XVI Carta Pastoral, que tem como tema: “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: Viver da liturgia que celebramos”. O bispo apresenta sua nova carta com as seguintes palavras: “Ao longo do meu pastoreio, o assunto liturgia retornou tantas vezes e com diferentes expressões. Agora pretendo propor algumas reflexões de caráter espiritual e pastoral, com o desejo de favorecer sua compreensão e as exigências na vida cristã. A liturgia de nossa Igreja tem um potencial extraordinário para alimentar a fé, renovar interiormente o relacionamento com o Senhor, favorecer a conversão ao Deus verdadeiro. Nestes anos de serviço pastoral na Diocese, constato que muitos passos foram dados para tornar as celebrações litúrgicas mais belas – da beleza de Cristo. Agradeço, por isso, antes de tudo aos padres, meus primeiros colaboradores; mas também às tantas leigas e aos leigos que atuaram e atuam na formação das comunidades, à escola de Jesus e fiéis aos ensinamentos de nossa amada Igreja. Desejo que todos se empenhem a dar mais um passo, nessa obra de Deus – como a chamava São Bento! Desse modo, melhorará a missão EVANGELIZADORA, primeira finalidade da Igreja. Conhecer, amar e seguir o Senhor que, por amor, doou a vida e, ao se despedir, enviou o divino Espírito para permanecer conosco e em nós. A Liturgia, com palavras, ritos e símbolos, atualiza o que Jesus fez e nos mandou fazer em sua memória. Assim, Ele não fica qual personagem do passado, mas continua presente em sua Igreja: Ele está no meio de nós . Iluminar mentes e dilatar corações para viver a experiência da vida divina. Retomando palavras antigas, a essa experiência chamamos de mistagogia , isto é, iniciação ao mistério . Em outras palavras, por meio da Liturgia nós podemos fazer experiência, desde já, do amor infinito de Deus, amor que nos envolverá na eternidade. Com esse intuito, apresento momentos celebrativos, procurando uni-los à vida, e ver como a Liturgia nos ensina e ajuda a viver o Evangelho, como discípulos/as de Jesus.” Em breve estará disponível nas paróquias.
- Encontro Diocesano da PASCOM
Aconteceu no ultimo dia 21 e 22 de janeiro, o Encontro Diocesano da Pastoral da Comunicação, momento que marca a caminhada diocesana deste grupo e que contou com a participação de representantes das paróquias de nossa Igreja Particular.O tema escolhido para a reflexão e aprofundamento foi “Comunicar para comunhão, participação, missão” inspirado pela caminhada eclesial que vive as oportunas reflexões do sínodo dos bispos.O encontro contou com o auxílio do Pe. Jandir Silva, coordenador diocesano da Pastoral da Comunicação, de nosso bispo diocesano, Dom Armando Bucciol e de Gabriela Costa, jornalista, secretária da PASCOM Regional NE3, da Arquidiocese de Vitória da Conquista.Das oportunas reflexões feitas pelos membros da PASCOM foi a transversalidade. A comunicação deve estar arraigada na Comunidade Paroquial a ponto de percorrer e perpassar por todos os movimentos, pastorais e grupos. Depois a importância de uma caminhada unida, onde os grupos paroquiais colaborem com a construção de uma Pastoral da Comunicação que revele o rosto da Igreja diocesana.
- Paróquia de Ibipitanga realiza Workshop de Liturgia
Com o objetivo de preparar melhor os cristãos católicos para as celebrações litúrgicas e estruturar a Pastoral Litúrgica, a Paróquia de Santa Luzia de Ibipitanga promoveu um Workshop de Liturgia na última terça-feira (24/01), na Igreja Matriz. Com a participação de cerca de 150 pessoas, principalmente dos colaboradores mais envolvidos na Celebração Eucarística (leitores, Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, coroinhas e cantores), entre exposições teóricas e oficinas práticas, o encontro serviu para despertar maior atenção à Liturgia da Palavra e à Liturgia Eucarística, a fim de que a participação dos fiéis nas celebrações seja de maneira plena, ativa e consciente, expressando maior interesse, reverência e amor à celebração do Memorial do Mistério Pascal de Cristo. Assim, esperamos que na comunhão eclesial, na vida em comunidade, a profundidade do Mistério alcance o seu ápice e aprendamos a conservar na vida o que celebramos na fé, na esperança de que nossas celebrações deixem marcas e sinais positivos na vida pessoal, familiar e eclesial, contribuindo em todos o processo de conversão, amadurecimento e testemunho da fé cristã.
- Semana Litúrgica Regional Nordeste 3
Entre os dias de 16 e 20/01, aconteceu em Feira de Santana a Semana Litúrgica 2023 do Regional Nordeste 3, que compreende as dioceses de Sergipe e Bahia, e teve como tema: Missal Romano Instrumento de Espiritualidade, Teologia, Oração e Pastoral . Nosso bispo diocesano Dom Armando Bucciol, possibilitou melhor compreensão acerca das mudanças que foram necessárias para a atualização do Missal Romano. O encontro ainda contou com a presença dos professores Pe. Washington Paranhos e Pe. Francisco Taborda.
- Vocação e Missão – Seminaristas de nossa diocese realizam Pastoral de Férias
Os seminaristas de nossa diocese com ânimo e espirito missionário visitaram nesta semana as paróquias de Abaira, Boninal, Piatã, Rio de Contas, Catedral, Paramirim, Érico Cardoso, Tanhaçu e Ibicoara para a Pastoral Missionária de Férias. Encerrada nesta segunda-feira com uma manhã de formação e partilha com o bispo diocesano Dom Armando Bucciol. Neste período os nossos candidatos ao presbiterado são convidados a uma experiência de maior contato com as nossas realidades paroquiais/comunitárias realizando visitas, encontros e orações em nossas igrejas. Este ano de modo especial, os seminaristas ajudaram pastoralmente na criação, dinamização e animação da OVM (Obra das Vocações e Ministérios), grupo que reza, incentiva e colabora no processo de discernimento e amadurecimento formativo. A OVM presente em nossa Diocese de Livramento desde 2004, muito tem contribuído na formação e evangelização da nossa diocese e enriquece nossa caminhada diocesana com a ORAÇÃO em favor dos que dizem sim ao chamado divino; com o INCENTIVO as vocações; e com a AJUDA MATERIAL para manutenção dos Seminários. A missão deste grupo é promover nas comunidades eclesiais uma vida de oração em prol das vocações, desenvolver nas comunidades a consciência de ser uma Igreja ministerial, e conscientizar as comunidades de sua responsabilidade pela manutenção da formação presbiteral, pela colaboração mensal para este fim. Importante salientar que os novos padres da diocese são frutos deste precioso trabalho realizado por muitas paróquias de nossa Igreja particular.
- Catequistas de toda a diocese se reúnem para oração, formação e partilha
Nos dias 21 e 22 foi realizado o encontro diocesano de catequistas. Mais de 90 de 19 das 21 paróquias de nossa diocese estiveram presentes. No sábado pela manhã, o Pe. Adriano apresentou o livro “escola catequética paroquial” que será o material adotado por toda a diocese para a formação de catequistas nas paróquias. Em seguida retomou algumas indicações da Carta pastoral de Dom Armando ‘Banhados em Cristo’ de 2010, a primeira da série do projeto da série de cartas para o projeto diocesano de Iniciação à vida Cristã; à tarde os catequistas partilharam a caminhada por vicariato e Dom Armando ajudou na reflexão sobre catequese e liturgia. À noite, a catequista e psicopedagoga Rozeangela Barbosa, de Ibicoara, ajudou a apontar caminhos para uma ‘catequese inclusiva’, sobretudo aos portadores de necessidades especiais. Por fim, no domingo, a psicóloga e catequista Araceli, de Érico Cardoso, fez indicações para a catequese conforme as idades. Agradecemos aos padres e catequistas pelo empenho na participação das paróquias!
- Papa Francisco divulga a mensagem para o 57º Dia Mundial das Comunicações Sociais.
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O 57º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS Falar com o coração. “Testemunhando a verdade no amor” (Ef 4, 15) Estimados irmãos e irmãs! Depois de ter refletido, nos anos anteriores, sobre os verbos “ir e ver” e “escutar” como condição necessária para uma boa comunicação, com esta Mensagem para o LVII Dia Mundial das Comunicações Sociais gostaria de me deter sobre o “falar com o coração”. Foi o coração que nos moveu para ir, ver e escutar, e é o coração que nos move para uma comunicação aberta e acolhedora. Após o nosso treino na escuta, que requer saber esperar e paciência, e o treino na renúncia a impor em detrimento dos outros o nosso ponto de vista, podemos entrar na dinâmica do diálogo e da partilha que é, em concreto, comunicar cordialmente . E, se escutarmos o outro com coração puro, conseguiremos também falar testemunhando a verdade no amor (cf. Ef 4, 15). Não devemos ter medo de proclamar a verdade, por vezes incômoda, mas de o fazer sem amor, sem coração. Com efeito “o programa do cristão – como escreveu Bento XVI – é ‘um coração que vê’”.[1] Trata-se de um coração que revela, com o seu palpitar, o nosso verdadeiro ser e, por essa razão, deve ser ouvido. Isto leva o ouvinte a sintonizar-se no mesmo comprimento de onda, chegando ao ponto de sentir no próprio coração também o pulsar do outro. Então pode ter lugar o milagre do encontro, que nos faz olhar uns para os outros com compaixão, acolhendo as fragilidades recíprocas com respeito, em vez de julgar a partir dos boatos semeando discórdia e divisões. Jesus chama-nos a atenção de que cada árvore se conhece pelo seu fruto (cf. Lc 6, 44). De igual modo “o homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o que é bom; e o mau, do mau tesouro, tira o que é mau; pois a boca fala da abundância do coração” (6, 45). Por conseguinte, para se poder comunicar testemunhando a verdade no amor , é preciso purificar o próprio coração. Só ouvindo e falando com o coração puro é que podemos ver para além das aparências, superando o rumor confuso que, mesmo no campo da informação, não nos ajuda a fazer o discernimento na complexidade do mundo em que vivemos. O apelo para se falar com o coração interpela radicalmente este nosso tempo, tão propenso à indiferença e à indignação, baseada por vezes até na desinformação que falsifica e instrumentaliza a verdade. Comunicar cordialmente Comunicar cordialmente quer dizer que a pessoa que nos lê ou escuta é levada a deduzir a nossa participação nas alegrias e receios, nas esperanças e sofrimentos das mulheres e homens do nosso tempo. Quem assim fala, ama o outro, pois preocupa-se com ele e salvaguarda a sua liberdade, sem a violar. Podemos ver este estilo no misterioso Viandante que dialoga com os discípulos a caminho de Emaús depois da tragédia que se consumou no Gólgota. A eles, Jesus ressuscitado fala com o coração, acompanhando com respeito o caminho da sua amargura, propondo-Se e não Se impondo, abrindo-lhes amorosamente a mente à compreensão do sentido mais profundo do sucedido. De facto, eles podem exclamar com alegria que o coração lhes ardia no peito enquanto Ele conversava pelo caminho e lhes explicava as Escrituras (cf. Lc 24, 32). Num período da história marcado por polarizações e oposições – de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial está imune – o empenho em prol duma comunicação “de coração e braços abertos” não diz respeito exclusivamente aos agentes da informação, mas é responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a dizê-la, fazendo-o com amor. De modo particular nós, cristãos, somos exortados a guardar continuamente a língua do mal (cf. Sl 34, 14), pois com ela – como ensina a Escritura – podemos bendizer o Senhor e amaldiçoar os homens feitos à semelhança de Deus (cf. Tg 3, 9). Da nossa boca, não deveriam sair palavras más, “mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam” ( Ef 4, 29). Por vezes, o falar amável abre uma brecha até nos corações mais endurecidos. Encontramos vestígios disto na própria literatura; penso naquela página memorável do cap. XXI do livro Promessi Sposi , onde Luzia fala com o coração ao Inominável até que este, desarmado e atormentado por uma benéfica crise interior, cede à força gentil do amor. Experimentamo-lo na convivência social, onde a gentileza não é questão apenas de «etiqueta», mas um verdadeiro antídoto contra a crueldade, que pode, infelizmente, envenenar os corações e intoxicar as relações. Precisamos daquele falar amável no âmbito dos mass media , para que a comunicação não fomente uma aversão que exaspere, gere ódio e conduza ao confronto, mas ajude as pessoas a refletir calmamente, a decifrar com espírito crítico e sempre respeitoso a realidade onde vivem. A comunicação de coração a coração: “Basta amar bem para dizer bem” Um dos exemplos mais luminosos e, ainda hoje, fascinantes deste “falar com o coração” temo-lo em São Francisco de Sales, Doutor da Igreja, a quem dediquei recentemente a Carta Apostólica Totum amoris est , nos 400 anos da sua morte. A par deste aniversário importante e relacionado com a mesma circunstância, apraz-me recordar outro que se celebra neste ano de 2023: o centenário da sua proclamação como padroeiro dos jornalistas católicos, feita por Pio XI com a Encíclica Rerum omnium perturbationem . Mente brilhante, escritor fecundo, teólogo de grande profundidade, Francisco de Sales foi bispo de Genebra no início do século XVII, em anos difíceis marcados por animadas disputas com os calvinistas. A sua mansidão, humanidade e predisposição a dialogar pacientemente com todos, e de modo especial com quem se lhe opunha, fizeram dele uma extraordinária testemunha do amor misericordioso de Deus. Dele se pode dizer que as suas “palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis” ( Sir 6, 5). Aliás uma das suas afirmações mais célebres – “o coração fala ao coração” – inspirou gerações de fiéis, entre os quais se conta São John Henry Newman que a escolheu para seu lema: Cor ad cor loquitur . “Basta amar bem para dizer bem”: constituía uma das suas convicções. Isto prova como, para ele, a comunicação nunca deveria reduzir-se a um artifício, a uma estratégia de marketing – diríamos nós hoje –, mas era o reflexo do íntimo, a superfície visível dum núcleo de amor invisível aos olhos. Para São Francisco de Sales, precisamente “no coração e através do coração é que se realiza aquele sutil e intenso processo unitário em virtude do qual o homem reconhece a Deus”.[2] “Amando bem”, São Francisco conseguiu comunicar com o surdo-mudo Martinho tornando-se seu amigo, e daí ser recordado também como protetor das pessoas com deficiências comunicativas. É a partir deste “critério do amor” que o santo bispo de Genebra nos recorda, através dos seus escritos e do próprio testemunho de vida, que “somos aquilo que comunicamos”: uma lição contracorrente hoje, num tempo em que, como experimentamos particularmente nas redes sociais, a comunicação é muitas vezes instrumentalizada para que o mundo nos veja, não por aquilo que somos, mas como desejaríamos ser. São Francisco de Sales difundiu em grande número cópias dos seus escritos na comunidade de Genebra. Esta intuição “jornalística” valeu-lhe uma fama que superou rapidamente o perímetro da sua diocese e perdura ainda nos nossos dias. Como observou São Paulo VI, os seus escritos suscitam “uma leitura sumamente agradável, instrutiva e estimulante”.[3] Pensando no atual panorama da comunicação, não são estas precisamente as caraterísticas de que se deveriam revestir um artigo, uma reportagem, um serviço radiotelevisivo ou uma mensagem nas redes sociais? Possam os agentes da comunicação sentir-se inspirados por este Santo da ternura, procurando e narrando a verdade com coragem e liberdade, mas rejeitando a tentação de usar expressões sensacionalistas e agressivas. Falar com o coração no processo sinodal Como já tive oportunidade de salientar, “também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros”.[4] Duma escuta sem preconceitos, atenta e disponível, nasce um falar segundo o estilo de Deus, que se sustenta de proximidade, compaixão e ternura. Na Igreja, temos urgente necessidade duma comunicação que inflame os corações, seja bálsamo nas feridas e ilumine o caminho dos irmãos e irmãs. Sonho uma comunicação eclesial que saiba deixar-se guiar pelo Espírito Santo, gentil e ao mesmo tempo profética, capaz de encontrar novas formas e modalidades para o anúncio maravilhoso que é chamada a proclamar no terceiro milênio. Uma comunicação que coloque no centro a relação com Deus e com o próximo, especialmente o mais necessitado, e esteja mais preocupada em acender o fogo da fé do que em preservar as cinzas duma identidade autorreferencial. Uma comunicação, cujas bases sejam a humildade no escutar e o desassombro no falar e que nunca separe a verdade do amor. Desarmar os ânimos promovendo uma linguagem de paz “A língua branda pode até quebrar ossos”: lê-se no livro dos Provérbios (25, 15). Hoje é tão necessário falar com o coração para promover uma cultura de paz, onde há guerra; para abrir sendas que permitam o diálogo e a reconciliação, onde campeiam o ódio e a inimizade. No dramático contexto de conflito global que estamos a viver, urge assegurar uma comunicação não hostil. É necessário vencer “o hábito de denegrir rapidamente o adversário, aplicando-lhe atributos humilhantes, em vez de se enfrentarem num diálogo aberto e respeitoso”.[5] Precisamos de comunicadores prontos a dialogar, ocupados na promoção dum desarmamento integral e empenhados em desmantelar a psicose bélica que se aninha nos nossos corações, como exortava profeticamente São João XXIII na Encíclica Pacem in terris : “a verdadeira paz entre os povos não se baseia em tal equilíbrio [de armamentos], mas sim e exclusivamente na confiança mútua” (n.º 113). Uma confiança que precisa de comunicadores não postos à defesa, mas ousados e criativos, prontos a arriscar na procura dum terreno comum onde encontrar-se. Também agora, como há 60 anos, a humanidade vive uma hora escura temendo uma escalada bélica, que deve ser travada o mais depressa possível, inclusivamente em termos de comunicação. Fica-se apavorado ao ouvir com quanta facilidade se pronunciam palavras que invocam a destruição de povos e territórios; palavras que, infelizmente, se convertem muitas vezes em ações bélicas de celerada violência. Por isso mesmo há que rejeitar toda a retórica belicista, assim como toda a forma de propaganda que manipula a verdade, deturpando-a com finalidades ideológicas. Em vez disso seja promovida, a todos os níveis, uma comunicação que ajude a criar as condições para se resolverem as controvérsias entre os povos. Como cristãos, sabemos que é precisamente na conversão do coração que se decide o destino da paz, pois o vírus da guerra provém do íntimo do coração humano.[6] Do coração brotam as palavras certas para dissipar as sombras dum mundo fechado e dividido e construir uma civilização melhor do que aquela que recebemos. É um esforço que é exigido a todos e cada um de nós, mas faz apelo de modo particular ao sentido de responsabilidade dos agentes da comunicação a fim de realizarem a própria profissão como uma missão. Que o Senhor Jesus, Palavra pura que brota do coração do Pai, nos ajude a tornar a nossa comunicação livre, limpa e cordial. Que o Senhor Jesus, Palavra que Se fez carne, nos ajude a colocar-nos à escuta do palpitar dos corações, para nos reconhecermos como irmãos e irmãs e desativarmos a hostilidade que divide. Que o Senhor Jesus, Palavra de verdade e caridade, nos ajude a dizer a verdade no amor, para nos sentirmos guardiões uns dos outros. Roma – São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2023. FRANCISCO _______________________ [1] Carta enc. Deus caritas est (25/XII/2005), 31. [2] Carta ap. Totum amoris est (28/XII/2022). [3] Epístola apostólica Sabaudiae gemma , no IV centenário do nascimento de São Francisco de Sales, Doutor da Igreja (29/I/1967). [4] Mensagem para o LVI Dia Mundial das Comunicações Sociais (24/I/2022). [5] Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (03/X/2020), 201. [6] Cf. Francisco, Mensagem para o LVI Dia Mundial da Paz a 1 de janeiro de 2023 (08/XII/2022), 4.





