FÓRUM DAS PASTORAIS SOCIAISREGIONAL NORDESTE 3 ALAGOINHAS – BA
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O II Fórum das Pastorais Sociais do Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe), realizado entre os dias 20 e 22 de março de 2026, em Alagoinhas (BA), constituiu-se como um espaço de profunda reflexão, espiritualidade e articulação pastoral, reunindo agentes comprometidos com a dimensão sociotransformadora da Igreja.
O encontro teve início na tarde do dia 20, com a oração da Via-Sacra pelas ruas de Alagoinhas, sinalizando, já na abertura, a mística do seguimento de Jesus Cristo encarnado no sofrimento do povo. Esse momento trouxe à tona a dimensão pública da fé e o compromisso cristão com as dores concretas da realidade.
No dia 21, após a oração da manhã, o Pe. Edinho apresentou uma consistente análise de conjuntura socioambiental, política e eclesial. Sua reflexão retomou o Concílio Vaticano II como marco fundamental para compreender a identidade e a missão das Pastorais Sociais, destacando-as como expressão da Igreja em saída, comprometida com os pobres e com a transformação da sociedade. Ao evocar a memória do Papa Francisco, ressaltou sua centralidade na promoção de uma Igreja misericordiosa, sinodal e comprometida com as causas sociais.
Em sua fala, enfatizou a sinodalidade como caminho de comunhão, participação e corresponsabilidade, alertando, contudo, para um cenário em que “se fala e se discute muito, mas as profecias estão morrendo”. Criticou o fenômeno de eventos religiosos superlotados enquanto as pastorais enfrentam esvaziamento, indicando a urgência de investir na catequese como processo formativo de discípulos missionários. Destacou ainda que a profecia cristã não pode ser violenta, pois já se insere em um contexto de violências estruturais, sendo chamada a ser sinal de esperança e transformação ética. A Igreja, segundo ele, precisa reafirmar-se como autoridade ética, promovendo inclusão, valorizando as culturas sem descaracterizá-las e garantindo que ninguém fique de fora.
Na sequência, o Sr. Humberto, ex-presidente da Cáritas Nacional, abordou o tema do “paradoxo do infinito no finito”, refletindo sobre os limites do modelo civilizatório atual. Denunciou um cenário de crise global marcado por desigualdades profundas, concentração de riquezas, fome, guerras e violações de direitos humanos. Apontou também o contexto político nacional, destacando a fragilidade ética do Congresso Nacional e o ambiente de corrupção que influencia negativamente o processo eleitoral, especialmente diante das eleições de 2026, fortemente impactadas pelos interesses da grande mídia.
Apesar desse quadro desafiador, evidenciou sinais de esperança e resistência, presentes nas comunidades tradicionais, nas pastorais sociais, nas juventudes negras e nos povos indígenas, que continuam protagonizando lutas em defesa da vida e da dignidade.
Dando continuidade à análise, a professora Zezé aprofundou a dimensão socioambiental, destacando os riscos enfrentados pelos povos e comunidades tradicionais diante de um modelo de desenvolvimento predatório. Denunciou a degradação ambiental, a violação de direitos e a insegurança gerada por políticas que priorizam o lucro em detrimento da vida. Ressaltou a urgência do profetismo da Igreja na conscientização do povo, incentivando a resistência e a defesa dos territórios e dos modos de vida, garantindo assim um futuro digno para as próximas gerações.
No período da tarde, o Pe. Edinho apresentou a reflexão sobre a “Dilexit Te” (Eu te amei), articulando-a com a missão das Pastorais Sociais. Propôs uma provocação central: assumir ou negar o espírito do Vaticano II. A partir disso, destacou a necessidade de uma Igreja que seja sinal de esperança, mas que também enfrente o “evangelho do medo”, que silencia diante das injustiças. Defendeu o surgimento de uma “nova primavera das Pastorais Sociais”, baseada na coragem profética, no compromisso político e na ética cristã.
Em síntese, a reflexão da Dilexit Te apontou para o amor como fundamento da ação pastoral, um amor que se traduz em compromisso concreto com os pobres, na defesa da vida e na construção de uma sociedade justa. Esse amor exige uma Igreja encarnada, sinodal e transformadora.
Na sequência, os participantes se reuniram em grupos para refletir sobre questões fundamentais para a ação pastoral: as provocações da Doutrina Social da Igreja, o papel das Pastorais Sociais na realidade atual, a necessidade de despertar novas vocações e a atualização da opção preferencial pelos pobres. As respostas partilhadas em plenário revelaram o desejo de fortalecer a atuação pastoral, ampliar a formação política e espiritual e revitalizar a presença das pastorais nas comunidades.
O dia foi concluído com momentos de convivência e espiritualidade: um lanche fraterno, seguido de uma profunda experiência orante inspirada na comunidade de Taizé, além de uma noite cultural que celebrou a diversidade, a alegria e a comunhão entre os participantes.
O II Fórum reafirmou que, diante de tantos desafios, a missão das Pastorais Sociais permanece urgente e necessária. Mais do que nunca, a Igreja é chamada a ser presença profética, comprometida com a justiça, a paz e o cuidado com a Casa Comum, mantendo viva a esperança e fortalecendo a resistência dos povos.
A nossa Diocese de Livramento de Nossa Senhora, foi representada por mim, Pe. Ademário Ledo, pela Ir. Helena e pela ambientalista, professora e pesquisadora Maria Pereira.
Pe. Ademário da Silva Ledo Filho.


















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