A Diocese de Livramento de Nossa Senhora

Inícios da Diocese


Criada pela Bula Qui divina Liberalitate do Papa Paulo VI, em 27 de fevereiro de 1967, e instalada oficialmente no dia 23 de julho do mesmo ano, a Diocese de Livramento de Nossa Senhora foi toda ela desmembrada da Diocese de Caetité. Habitada por um povo que tem tradição de fé herdada da primeira evangelização, parte na Chapada Diamantina e parte no Sertão.

Ela está situada na região sudoeste da Bahia, confinando-se geograficamente com as Dioceses de Caetité, 2. Sua população é de, aproximadamente, 320.000 habitantes, distribuídos pelos seguintes municípios: Abaíra, Barra da Estiva, Boninal, Contendas do Sincorá, Dom Basílio, Érico Cardoso, Ibicoara, Ibipitanga, Ibitiara, Iramaia, Ituaçu, Jussiape, Livramento de Nossa Senhora, Mucugê, Novo Horizonte, Paramirim, Piatã, Rio de Contas, Rio do Pires e Tanhaçu.
Jequié, Rui Barbosa, Irecê, Barra e com a Arquidiocese de Vitória da Conquista. Abrange um total de 23.836 Km


O pastoreio de D. Hélio


Desde sua instalação canônica até 21 de janeiro de 2004, a Diocese teve à sua frente o seu primeiro bispo, Dom Hélio Paschoal, religioso estigmatino falecido a 22 de novembro de 2005. De 21 de janeiro de 2004 até 18 de abril do mesmo ano, Dom Hélio governou a diocese de Livramento na qualidade de Administrador Apostólico, conforme orienta o Direito Canônico em tais casos.

Criada a Diocese, faltava-lhe quase tudo. Todavia, era preciso caminhar, e não faltou quem avançasse, a passos largos, movidos pela boa vontade: Encabeçados por Dom Hélio, os padres Rodolfo, Aldo, Pedro Olímpio, Benvindo e Frei Pedro desdobraram-se em muitos. A eles, juntaram-se os Estigmatinos, Joseleitos de Cristo e, mais tarde, também, os Cooperadores Paroquiais de Cristo Rei. Aos poucos, a tímida realidade diocesana começou a tomar corpo, esculpido com a decisiva ajuda das irmãs Religiosas de Nossa Senhora das Dores, Congregação do Divino Mestre, Filhas de São Camilo, Pequenas Filhas da Divina Providência, Irmãs Campostrini e as Beneditinas Missionárias da Divina Providência.

O atendimento às Paróquias foi melhorando, projetos sociais foram implantados, leigos e leigas foram ocupando seu espaço, e a evangelização ganhou força. Vocações sacerdotais e religiosas começaram a surgir, via-se crescer o clero diocesano, e, do que se tinham notícias de outras dioceses, esta, de Livramento de Nossa Senhora, começou a possuir. Fomos alcançados pelo projeto das Dioceses irmãs, de êxito questionável, mas uma presença que merece ser lembrada.

Com agigantado passo na infraestrutura, foi construído, na então periferia da cidade, o majestoso Centro Diocesano, à época, aos olhos de muitos, visto como desperdício de dinheiro em meio ao mato. Hospitais e colégios foram construídos e postos em funcionamento, novas igrejas foram erguidas, à medida que surgiam novas comunidades eclesiais.

Assim, caminhamos por quase trinta e oito anos. Em 18 de abril de 2004, quando Dom Hélio entregou o governo da Diocese ao seu sucessor, Dom Armando Bucciol, a situação administrativa e pastoral da Circunscrição Eclesiástica era a seguinte: os municípios, com exceção de Novo Horizonte, tinham sede de Paróquia. Em 13 delas havia sacerdote residente. As paróquias de Jussiape e Rio de Contas estavam aos cuidados dos Padres Joseleitos de Cristo; Contendas do Sincorá, Ituaçu e Tanhaçu estavam entregues aos estigmatinos; e Rio do Pires, à Congregação dos Cooperadores Paroquiais de Cristo Rei. As demais estavam servidas pelo clero diocesano.

A presença das religiosas diminuiu nos últimos anos de governo de Dom Hélio, contando, na época da mudança de bispo, com apenas duas comunidades: uma em Rio de Contas, formada pelas Irmãs do Divino Mestre e outra em Barra da Estiva, formada pelas camilianas, estas, num total de cinco, a serviço do hospital local e aquelas, num total de duas, inseridas no trabalho paroquial. Os seminaristas maiores da Diocese, num total de oito, estavam assim distribuídos: dois cursando propedêutico, um filosofia e cinco no curso de teologia.


A chegada de D. Armando


Já nos primeiros noventa dias de governo, Dom Armando, detentor de um verdadeiro carisma missionário, visitou todas as paróquias da diocese, inclusive várias comunidades rurais das mesmas. Exerce o seu pastoreio sobre o tripé EVANGELIZAÇÃO, FORMAÇÃO E ORGANIZAÇÃO, estimulando, com insistência, aos padres a que façam o mesmo.

A presença das religiosas foi ampliada, juntando-se a nós as Irmãzinhas de  Foucauld, a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição e as Missionárias do Santíssimo Sacramento e Maria Imaculada; as vocações sacerdotais aumentaram, como muitos leigos e leigas se tornaram evangelizadores.

Há vários desafios ainda enfrentados, tais como: pobreza, falta de políticas públicas por parte do governo, certa compreensão errônea da fé, chegada de outras religiões e seitas, deturpação dos valores morais, relativização da fé, sendo tudo isto desfavorecido pela muita distância existente entre as comunidades e paróquias. Mas, hoje, não obstante os acertos e desacertos, podemos contemplar passos muito significativos em nossa caminhada, dados nos últimos treze anos.

Destacamos: subsídios para as diversas pastorais, iniciativa e produção pessoal de dom Armando, realidade em pouquíssimas dioceses brasileiras; a Escola de Teologia para leigos (ETeL), alcançando em ano de 2016 mais de 300 concluintes, provenientes de todas as Paróquias; criação da Obra das Vocações e Ministérios (OVM); fortalecimento da Pastoral Vocacional; criação da Pastoral da Pessoa Idosa e reerguimento da Pastoral da Criança; reestruturação da Pastoral Familiar; incentivo e apoio aos movimentos eclesiais existentes na Diocese; criação das Paróquias do Senhor Bom Jesus do Taquari e de São Paulo Apóstolo de Novo Horizonte; completa reforma do Centro Diocesano de Treinamento Pastoral e construção do auditório a ele anexo; novas instalações da Cúria Diocesana; construção de 5.850 cisternas, até meados de 2016, em parceria com os governos estadual e federal, viabilizando o melhor convívio com o semiárido. O clero diocesano, formado por três padres, em julho de 1967, hoje, conta com 15 membros, além de 02 padres em regime missionário. Os religiosos partilham da nossa caminhada, sendo eles 05 estigmatinos e 02 da Sociedade Joseleitos de Cristo. Por fim, 14 jovens seminaristas estão em processo de formação, acompanhamento e discernimento vocacional. 

No ano de 2017, a Diocese completou 50 anos de criação e instalação canônica. Tal fato foi celebrado com júbilo por milhares de fiéis na Praça D. Hélio Paschoal, em Livramento, no dia 23 de julho, ao cair da tarde.  Esse foi um momento marcante para toda Igreja Diocesana, que ganha novo vigor na caminhada pastoral. Estamos certos de que nossa caminhada conta com o livramento da nossa Padroeira, protetora do seu Menino Deus e guardiã dos seus diocesanos pelos séculos afora. A Maria, Mãe do Livramento, confiamos a nossa história.