9° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B


Leituras:
     Dt 5,12-15
     Salmo 80(81)   
     2 Cor 4,6-11
     Mc 2,23 – 3,6

Eis que somos impelidos neste 9° domingo do tempo comum a refletir acerca da Lei do Sábado. O livro do deuteronômio nos traz a narrativa em que Deus por meio de Moisés pede ao povo que recorde do dia do Sábado para santificá-lo. Ora, numa leitura superficial do texto podemos deixar passar despercebido algo muito significante: a Lei não é dada ao acaso, ela tem uma finalidade, e o primeiro intento do descanso sabático é a dignificação do homem. Certamente o sétimo dia, com caráter religioso, permitiu ao povo, mesmo oprimido no Egito, o digno descanso semanal. Esse elemento deve ser recordado por Israel depois da libertação. Deste modo, a mesma dignidade da qual o israelita dispõe, todos os que estão à sua volta devem também desfrutar (filhos, escravos, estrangeiros, etc.).

Sem dúvida, em nossos tempos também não pode ser diferente, em qualquer tempo e cultura a dignidade humana deve ser defendida a fim de que, todos gozem das condições basilares de sobrevivência. Infelizmente, o cenário que muitas vezes nos deparamos revela o contrário, vemos homens e mulheres gritando ‘viva!’ aos reis, ao passo que enchem de ultrajes os mendigos. Situações como essa nos levam a refletir: acaso não estamos diante do mesmo ser humano? No entanto, vemos o contrário também acontecer, pessoas que se dedicam a promover e defender os direitos humanos. Tal luta evidencia a esperança da qual não podemos nos distanciar, este deve ser o combustível que move nossos corações para vislumbrar um horizonte menos desigual e mais fraterno.

Nesse sentido, o evangelista Marcos mostra como Jesus propunha a plenitude da Lei, ou seja, os preceitos estão à disposição do sujeito para sempre mais dignificá-lo. Uma legislação só é realmente eficaz quando encontra morada no coração humano, do contrário torna-se, apenas, um amontoado de normas que não faz sentido algum para quem a aplica, bem como àqueles que se submetem a ela. A proposta evangélica, portanto, é de sermos autônomos a tal ponto que as escrituras penetrem o mais íntimo de nós e, a partir daí, promovermos e defendermos a vida em todas as suas instâncias.

“Levanta-te e vem aqui para o meio!” as palavras de Jesus ao homem de mão atrofiada representa a Lei que reestabelece a dignidade perdida, aquela pessoa com mobilidade reduzida, não diferente de muitos hoje, estava à margem, o Senhor, no entanto, o traz para o meio, como que dizendo: “tu és especial e mereces está onde eu estou”. Oxalá acontecesse, hoje, o mesmo na sociedade! Precisamos, como cristãos, nos atermos às atitudes do Cristo, imitando-o nos gestos mais simples de acolhida do outro. Só assim conseguiremos impetrar em nossos corações a Lei maior do Mestre, a saber, o amor.   

Este dom de Deus, acolhido em nosso ser, é a perfeita representação do tesouro que trazemos em vasos de barro, da qual fala São Paulo à comunidade de Corinto. Dois materiais distintos, no entanto significativos, primeiramente a preciosidade do presente que Deus nos dá, essa joia preciosa a qual chamamos Espírito Santo, faz-nos capazes de realizar proezas, e a maior delas é amar, no entanto, a limitação humana representada pelo “vaso de barro”, permite que, reconhecendo nossas limitações, não nos arroguemos superiores a ninguém.

Ora, o tesouro valoriza seu recipiente, da mesma forma, o Espírito que em nós habita faz com que sejamos impelidos a nos valorizar e valorizar àqueles que conosco se encontram. Deste modo, somente desfrutando deste divino presente podemos ser promotores da justiça e da paz. Que a Mãe do Livramento, que trouxe em si o Tesouro eterno, nos ajude a, como ela, “exultarmos no Senhor, nossa força!”

Pablo Barbosa do Prado
2° ano de Teologia