10º Domingo do Tempo Comum - Ano B

A salvação está em fazer a vontade de Deus
 
Leituras:
    Gênesis 3,9-15;
    Salmo 130 (129);
    2Coríntios 4,3-18-5,1;
    Marcos 3,20-35
   
A liturgia deste Décimo Domingo do Tempo Comum nos traz a temática da queda do ser humano que afasta-se de Deus, e fala também da proposta que Jesus apresenta como aquele que deve voltar-se para Deus.

A primeira leitura nos relata, no livro do Gênesis, como se deu a queda do Homem. Deus no seu propósito cria o Homem para o paraíso, para a felicidade, para a harmonia do mesmo com o Criador e toda a Criação.  Infelizmente, por causa da liberdade concedida, o homem, fazendo mau uso da mesma, desenvolve no seu interior uma estúpida inveja que o impele a querer ser como Deus. Iludido pelos desejos sem limites e não sabendo administrá-los, deixa-se enganar. O pecado gera no homem a sensação de nudez e de vergonha de si mesmo. Sente-se perdido e procura esconder-se de Deus: o Bem, o Bom, o Belo, o Amor, a Verdade. A desarmonia gerada provoca intriga, desconfiança, desunião e acusação mútua no ser criado. Eis porque se faz necessária a intervenção de Deus para salvar o que ele criou. Deus, misericordiosamente, busca o homem caído para Si.
   
Na segunda leitura, respondendo a essa condição, São Paulo aos Coríntios fala da necessidade da fé e da proclamação da fé em vista da salvação. Incentiva em não desanimar diante da vida na comunidade de fé. Ressalta a importância da busca do crescimento interior, ainda que externamente vamos nos arruinando e enfraquecendo. Diante das tribulações da vida é preciso se fortalecer por dentro através de uma espiritualidade que venha a nos tornar firmes e robustos para não desfalecermos. O convite do apóstolo é que nos voltemos para as coisas invisíveis que são duradouras e eternas. O visível, de fato, é passageiro.
   
O Evangelho nos apresenta Jesus diante de três grupos: os seus discípulos, os mestres da lei e a sua família sanguínea. Neste episódio Jesus está extremamente empenhado na sua missão juntamente com seus discípulos que não tinha tempo nem para poder alimentar-se. O Reino é exigente, urgente e imperioso. Lembremos de São Paulo que em algum momento exclama: “ai de mim se eu não pregar o Evangelho (1Cor 9,16)”. Os discípulos transformam-se na família de Jesus. A sua vida de anunciador do Reino se dá na companhia dessa nova família que ele cria. A família de sangue dele por um momento não o compreendeu. 

Os seus parentes se incomodam com isto, com seu empenho e exaustiva dedicação, e tentam impedi-lo de realizar a sua missão, achando que ele estivesse fora de si, louco. Essa incompreensão sempre aconteceu e acontecerá também com muitos de nós, seguidores de Jesus e servos do Reino, porque muitos alimentam outra lógica a respeito do seguimento a Jesus.
   
O grupo dos mestres da lei, numa tentativa de desmerecer e desautorizar Jesus na realização da propagação do Reino de Deus o acusam de possessão demoníaca. Jesus é enfático diante desse maldoso comentário. E, com inteligência, mostra a falta de lógica nessa acusação: não pode o demônio querer destruir a si mesmo. Jesus reage a essa maldosa postura dos mestres da lei que se fecham à mensagem salvífica que ele propõe. Ao falar disso Jesus lembra que isto é um pecado contra o Espírito Santo. É o pecado do fechamento, do isolamento, da soberba e orgulho em não abrir-se à ação de Deus, que é capaz de atrair o homem pecador de volta à sua comunhão.
   
À guisa de conclusão, retomemos à família sanguínea de Jesus que tentam barrá-lo no seu trabalho evangelizador. Diante da resistência dos seus parentes Jesus lança um questionamento perguntando quem é sua família!! Obviamente o seu questionamento era de caráter pedagógico levando os seus seguidores e também a sua família a refletirem sobre a verdadeira família de Deus, que ele tem consciência de pertencer como Filho. Ser da família de Jesus é e será todo aquele que fizer a vontade de Deus e não a sua. O pecado do homem é querer obedecer somente aos seus desejos e ditames egoístas. A salvação do homem é, na humildade, realizar a vontade de Deus para que Ele seja tudo em todos.

Pe. Nicivaldo