39. VESTES LITÚRGICAS


A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) 335 escreve: “Na Igreja, que é o Corpo de Cristo, nem todos os membros desempenham a mesma função. Esta diversidade de funções na celebração da Eucaristia, manifesta-se exteriormente pela diversidade das vestes sagradas”; orienta que as mesmas “contribuam para a beleza da ação sagrada”. O documento Sacrosanctum Concilium 124 recomendava: “Nas diferentes expressões artísticas”, se procure “mais a beleza nobre do que a mera suntuosidade”. Na liturgia, tudo e sempre deve acontecer e colaborar segundo os critérios de uma ‘nobre simplicidade’ e de uma ‘beleza essencial’.
O conhecido liturgista Aimé Martimort escreve: “A veste litúrgica, enquanto realça o exercício dos diferentes ministérios, serve para esconder nos ministros a sua individualidade para ressaltar a função exercida a serviço da comunidade e sua dignidade”. Não deve chamar a atenção sobre as coisas ou as pessoas, mas abrir os horizontes para a beleza eterna. No Apocalipse (7,9), se lê: Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar ... vestiam túnicas brancas e traziam palmas na mão.
Na Tradição da igreja, uso e sentido das vestes entraram, aos poucos, a partir das vestes usadas na antiguidade romana. Seria complexo acompanhar a origem de cada uma e seu sentido próprio. Hoje em dia, na liturgia da igreja, usa-se a alva, veste sagrada comum a todos os ministros ordenados e instituídos de qualquer grau. O sacerdote, para a celebração da S. Missa, usa a casula ou a planeta sobre a alva e a estola. O diácono, sobre alva e estola, usa a dalmática (que pode ser dispensada, em celebrações menos solenes). "Os acólitos, os leitores e os outros ministros leigos podem trajar alva ou outra veste legitimamente aprovada pela Conferencia dos Bispos de cada região (IGMR 339).
A IGMR 340 explica a respeito do uso da estola por parte do sacerdote (‘em torno do pescoço’) e do diácono (‘a tiracolo). Ao n. 341 orienta a respeito do uso do pluvial pelo sacerdote “nas procissões e outras ações sagradas, conforme as rubricas de cada rito”. Uma significativa observação é dada pela IGMR 345: “As diferentes cores das vestes sagradas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados, e também a consciência da uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico”. Observa-se que “em dias solenes podem ser usadas vestes sagradas festivas ou mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia” (IGMR, 346 g).
Considerando que a CNBB, até ao momento, não definiu a forma alternativa da veste litúrgica para os ministros leigos, estes deveriam limitar-se a usar a alva ou túnica branca. Quanto às cores das vestes litúrgicas, isto se aplica somente à dalmática e à casula com as respectivas estolas. Deveriam ser evitados adereços não previstos e que destoam da ‘nobre simplicidade’ da liturgia romana. Assim, ministrantes com escapulários que parecem pequenas planetas romanas, ou outras formas de ‘poncho’ usadas pelos leitores, que mais parecem casulas, deveriam ser evitadas pois ‘poluem’ o ambiente celebrativo com excesso de cores. Do mesmo modo, as toalhas de altar deveriam ser sempre brancas. O altar e o ambão devem ser ornados com moderação (cfr. IGMR 305).
 O chamado Cerimoniário clérigo (diácono ou sacerdote), levando em conta as normas vigentes, pode usar a sobrepeliz sobre a veste talar para se distinguir pela função. Os demais ministrantes ou servidores do altar deveriam abster-se de vestes diferentes das túnicas, que são as únicas previstas para o exercício dessas funções. O já estendido uso da veste talar com sobrepeliz por quem não é clérigo deve ser considerado ilegítimo e abusivo.
Dom Armando