SÁBADO DA VÍGILIA PASCAL


LEITURAS:
Gn 1,1-2,2
Sl 103
Gn 22,1-18
Sl 15
Ex 14,15 - 15,1
Ex 15
Is 54,5-14
Sl 29
Is 55,1-11
Is 12
Br 3,9-15.32-4,4
Sl 18
Ez 36,16-17a.18-28
Sl 41
Rm 6,3-11
Sl 117 
Mt 28,1-10
         A Igreja, rica em sua tradição, dispõe da vigília pascal para honrar o Senhor,de tal modo que os inúmeros louvores e ação de graças possam preencher ainda mais os corações dos que celebram com a certeza da ressureição e do infinito amor de Deus por eles. Os fiéis trazendo na mão – segundo a exortação do Evangelho de Lucas (12,35ss) – a vela acesa, assemelham-se aos que esperam o retorno do Senhor, para, quando ele chegar, encontrá-los ainda vigilantes e os faça sentar-se à sua mesa. Por isso no fim da proclamação da páscoa se canta: O círio que acendeu as nossas velas, possa esta noite toda fulgurar;Misture sua luz à das estrelas,Cintile quando o dia despontar.Que ele possa agradar-vos como o Filho,Que triunfou da morte e vence o mal:Deus, que a todos acende no seu brilhoE um dia voltará, sol triunfal.
         Após as leituras do Antigo Testamento, que narram o desígnio divino da Salvação (recordam-se vários eventos salvadores do Antigo Testamento relacionados com Adão e com Moisés, enquanto figuras de Cristo, que viria para salvar-nos), a comunidade reunida irrompe cantando,com a luz da igreja e das velas, o hino do glória. E reza a Igreja na oração que se segue, pedindo a Deus que se digne iluminar “esta noite santa com a glória da ressurreição do Senhor”, despertando na Santa Igreja “o espírito filial, para que, inteiramente renovados, O sirvamos de todo o coração”. É uma alusão ao nosso batismo, pedindo para que, como filhos, possamos, no serviço a Deus, manter acesa a chama da fé que a ressureição de Cristo em nós acendeu.
         A leitura do Novo Testamento, retirada da carta de São Paulo aos Romanos recorda a importância do nosso relacionamento com Jesus Cristo em sua Morte e Ressurreição. Isto porque não faz sentido ser batizado e não se entender como parte do Corpo de Cristo.
Portanto a Morte e Ressurreição não se referem somente a Jesus, mas também a nós.Mas como entender isto, se continuamos vivos e ainda não ressuscitados? Para Paulo nossa incorporação a Cristo procede do nosso Batismo. Pois,se o Batismo nos livra dos pecados e das penas merecidas por eles, diante de Deus estamos purificados e santificados como Jesus Cristo.
         Esta nova condição naturalmente se expressa num modo novo de viver. Isto significa uma vida longe dos pecados, vícios e idolatrias do paganismo. Significa viver uma vida segundo o Espírito Santo, em estado de Graça, na intimidade com Deus. Por isso, renovados em Cristo, não podemos mais dormir pelo sopor dos vícios e dos pecados, mas continuar lutando para que a luz que levamos hoje em nossas mãos seja, verdadeiramente, símbolo da luz que levamos nos nossos corações, Cristo. O belíssimo canto do “exsultet” que escutamos nesta noite canta a vitória de Cristo e a nossa vitória nele.
         Nesta situação vemos que pecar depois do Batismo jamais devia acontecer. Porém como acontece, temos a reconciliação com Deus no sacramento da penitência. Nosso Batismo permanece sempre válido mesmo que nossos pecados sejam graves. Deus jamais nos repele, mesmo tendo pecado, porque para Ele somos seus filhos para sempre, adotados desde o batismo. Por isso, do mesmo modo que Jesus Cristo não morre mais e vive sempre ressuscitado, nós vivemos sempre como filhos de Deus.
E, como Jesus que é o Filho de Deus, nosso destino é estar onde Ele está agora, isto é, à direita de Deus Pai. É isto que a Liturgia da Palavra nos quer inculcar nesta Vigília Pascal.
         No Evangelho, as mulheres se encontram com a novidade de Deus: Jesus ressuscitou, é o Vivente! Confusas até então, quando ouvem o anúncio da Ressurreição, acolhem-no com fé. Deste anúncio, brota o convite a fazer memória do encontro com Jesus, das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida; e é precisamente este recordar amorosamente a experiência com o Mestre que faz as mulheres superarem todo o medo e levarem o anúncio da Ressurreição aos Apóstolos e a todos os restantes.
         Depois de tantas noites… de farras, de bebedeiras, de sair com os amigos, de curtir a vida (como se diz), de agitar, de inquietar-se, de trabalhos e de lágrimas. Depois de tantas noites, Deus nos pede esta noite para que estejamos com ele.Fazer memória daquilo que Deus fez e continua a fazer por mim, por nós, fazer memória do caminho percorrido; e isto abre de par em par o coração à esperança para o futuro. Aprendamos a fazer memória daquilo que Deus fez na nossa vida e manter em nós acesa a luz que o ressuscitado acendeu.
Adriano Bonfim Pereira
Em estágio pastoral