38. SACRAMENTAIS


A presença e a ação de Jesus Cristo e de seu mistério pascal de morte e ressurreição alcança e abraça a vida toda, de pessoas e coisas. A ação de Cristo, na e por meio da Igreja, continua de forma própria e segura por meio dos grandes Sete Sinais a quem chamamos de Sacramentos. Neles e por meio deles, os que têm fé em Jesus, sabem que acontece um encontro mediante alguns sinais visíveis fecundados pela força do Espírito e vividos na fé: água, pão, vinho, óleo etc., mais as palavras da fé, tornam esses elementos sinais e meios de encontro com o Senhor ressuscitado.
A Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 59) afirma: “Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e, enfim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé”.
A ação de Cristo, porém, não se esgota nesses sinais. O documento conciliar, logo em seguida, escreve:
“A santa mãe Igreja instituiu também os sacramentais. Estes são, à imitação dos sacramentos, sinais sagrados que significam realidades, sobretudo de ordem espiritual, e se obtêm pela oração da Igreja. Por meio deles dispõem-se os homens para a recepção do principal efeito dos sacramentos e santificam-se as várias circunstâncias da vida” (SC, 60).
A fonte dos sacramentos e dos sacramentais é o Mistério Pascal do Senhor, onde esses “vão buscar a sua eficácia” e santificam “todos os passos da vida dos fiéis que os recebem com a devida disposição”. A liturgia, também, orienta “para a santificação dos homens e para o louvor de Deus o bom uso das coisas materiais” (SC, 61).
O Concílio pede que, no ritual dos sacramentos e sacramentais, se façam “algumas adaptações às necessidades do nosso tempo”, porque “com o decorrer do tempo” se introduziram “elementos que hoje tornam menos claros a sua natureza e o fim” (cf. SC, 62). O documento pede para que essa revisão dos sacramentais aconteça “tendo presente o princípio fundamental de uma participação consciente, ativa e fácil dos fiéis, bem como as necessidades do nosso tempo”. Acrescenta-se a possibilidade de introduzir “novos sacramentais conforme as necessidades” e que, “pelo menos em circunstâncias especiais e a juízo do Ordinário, possam ser administrados por leigos dotados das qualidades requeridas” (SC, 79).
O sentido mais amplo dos sacramentais na vida dos cristãos é-nos oferecido pelas Constituições conciliares Lumen Gentium, sobre o mistério da Igreja, e Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo. Nesses, a atividade do ser humano no mundo é vista como ‘ato cultual’ (cf. LG 10.31.34), prolongamento da obra do Criador e serviço prestado aos irmãos (cf. GS, 34.38).
Escreve um teólogo liturgista que os sacramentais “contribuem para estabelecer o vínculo entre o ‘sagrado’ e o ‘cotidiano’ e assim, ajudam o realismo da vida cristã cujo centro é o momento litúrgico; “no culto, somos consagrados à esperança do reino que está para vir e à sua antecipação nos esforços presentes e nos valores já encarnados aqui na terra” (A. Donghi, Dicionário, p. 1049).
Por isso, a IGMR (n. 368) pode escrever que, se os fiéis forem devidamente preparados, “quase todos os acontecimentos da vida são santificados pela graça divina que flui do mistério pascal” e os formulários de Missas (as ‘Rituais’), podem ser usados “pelas necessidades do mundo inteiro, da Igreja universal e da Igreja local”.
Dom Armando