6° Domingo do Tempo Comum - Ano B


Leituras:
2 Rs 5,9-14
Sl 31(32)
1Cor 10,31–11,1
Mc 1,40-45


O coração de Deus é nosso refúgio. Diante desta afirmação, a liturgia de hoje nos propõe uma reflexão quanto a nossa resposta ao convite que diariamente somos interpelados, ou seja, de sermos anunciadores do evangelho com a nossa vida. Nesse sentido, o tema da cura nos é apresentado como possibilidade de adesão a esse projeto de amor que nos é proposto.

O texto da primeira leitura apresenta Naamã diante de um dilema: fazer o que o profeta pediu, ou ignorar e ir embora, fazendo pouco caso do que fora proposto. Eis que somos, constantemente, apresentados diante dessa dupla proposta e, com isso, corremos o risco de, vislumbrando coisas grandiosas, deixarmos passar despercebido os pequenos detalhes de nossas vidas, detalhes esses que, se atentos formos, perceberemos a sutileza do projeto salvífico de Deus. Ora, banho semelhante ao de Naamã já recebemos no momento do nosso batismo, no entanto, ele se atualiza a cada dia mediante a nosso retorno contínuo a esse dom que recebemos do próprio Cristo.

Reunir em comunidade para celebrar é, justamente, essa resposta em que glorificamos, juntamente com a comunidade de batizados, ao Senhor. “Fazei tudo para a gloria de Deus” (1 Cor 10, 31b) nos diz o escritor sagrado, nesse sentido, o que outrora podia parecer mero ritualismo, ganha novo vigor quando, nessa glorificação, colocamos nossas experiências diárias, a liturgia deve ser o momento em que celebramos a vida, é aqui, diante do altar do Cordeiro que fazemos a comunhão de nossa vida pessoal, a vida da comunidade e o próprio Jesus, vida por excelência. E, realmente essas três expressões de vida, devem unir-se de forma tal, que não mais saibamos onde uma começa e a outra termina. Somente quando fizermos essa experiência profunda de comunhão, saberemos mais um pouco sobre o sentido celebrativo, em especial aquele que somos chamados a fazer pelo nosso batismo.

No Evangelho, percebemos claramente o encontro de dois “quereres”. O querer de Deus que se aproxima do querer do homem. Jesus move-se de compaixão pelas mazelas daquele homem, em contrapartida, o leproso se reconhece limitado. Eis alguns dos grandes desafios de nosso tempo, reconhecermo-nos limitados diante da grandiosidade de Deus, reconhecermo-nos limitados diante da presença do outro, reconhecermo-nos limitados diante de nossas próprias aspirações. A proposta de Cristo, diferentemente das inúmeras que nos chamam a sermos onipotentes, é que queiramos ser finitos para encontrar com a infinidade de sua misericórdia, certamente não é um caminho fácil de trilhar, no entanto, quando experienciamos a profundidade do encontro de nosso querer com o querer dele, encontramos forças para prosseguir. E, enfim, encontrar no coração amantíssimo de Deus, como lemos no salmo, refúgio para nossos momentos de dor e alegria.

Pablo Barbosa