05º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B


Leituras:

Jó 7, 1-4.6-7
Salmo 146 (147)
1Cor 9,16-19.22-23
Mc 1, 29-39

Neste domingo o conjunto das leituras bíblicas querem nos ajudar a enxergar que, apesar dos nós que surgem em nossa cabeça e em nosso coração frente aos problemas da vida, Deus não está de acordo, em nenhum momento, com o sofrimento humano. Pelo contrário, o Senhor vai ao encontro daquele que sofre para acabar com sua dor e lhe conceder vida plena. Esta ação de Deus fica evidente na doação de seu filho Jesus, que está, a todo tempo, empenhado na libertação total de todos.

Na primeira leitura, a aflição e desgosto de Jó com seu sofrimento são tamanhos ao ponto de Deus parecer ausente. As reclamações de Jó, são as mesmas de tantas pessoas que, mesmo tendo fé, sofrem e não veem fim na sua dor. Apesar disso, a atitude de se dirigir a Deus mesmo revoltado e sem entender sua situação demonstra que este fiel sabe que não há onde encontrar refúgio, a não ser em Deus. Esta atitude nos ensina a confiar no amor de Deus e nos entregar a Ele mesmo quando as coisas não fazem sentido do nosso ponto de vista.

Os exemplos do próprio Jó, de Abraão, Maria e tantos personagens bíblicos, nos mostram que quem confiar em Deus, apesar de não o compreender sempre, encontrará, no fim das contas, a felicidade verdadeira.

A ação de Jesus no evangelho responde diretamente a primeira leitura. Jesus tomou sobre si nossas dores. Ele é o braço de Deus que enfaixa as feridas do coração (salmo).  Sua presença vai derrubando tudo aquilo que se levanta contra a vida verdadeira, fonte da realização humana. Não são apenas barreiras externas, mas sobretudo as que vamos construindo dentro de nós (demônios), as vezes sem perceber. Isto nos leva a pensar de que modo o nosso relacionamento com este Deus, solícito com nosso sofrimento e que compreende nossas amarguras, se traduz em atitudes de serviço, solidariedade e compreensão diante dos irmãos mais sofridos.

Na segunda leitura Paulo compreende sua ação gratuita como resposta de gratidão à experiência de amor que ele fez com Jesus, este mesmo amor alimenta sua missão. É o amor que o obriga a evangelizar. A doação de Paulo se parece com a ação de Jesus no evangelho. Por isso a liturgia nos conduz a sermos verdadeiros discípulos, atualizando a presença de Cristo no mundo com sua ação libertadora, compreensiva tentando atingir a todos: “com todos eu me fiz tudo” (1 Cor 9, 22).

Neste Domingo fomos conduzidos a proclamar o empenho de Deus em nosso favor mesmo quando não compreendemos seu projeto. Também somos impulsionados a encontrar em Jesus a força para nos libertar de tudo aquilo que nos afasta da vida verdadeira e a dispor da nossa vida em gratidão a Ele para que o seu amor seja acolhido por todos, isto quer dizer, sermos livres para servir.  

Sem. Adriano Bonfim