JORNADA MUNDIAL DOS POBRES


No término do Jubileu extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco escreveu a carta Misericórdia e Misera, duas palavras de Santo Agostinho para descrever o encontro de Jesus (a misericórdia) com a adúltera (misera). Nela, no final, o Papa expõe uma sua intuição: “Como mais um sinal concreto do Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia mundial dos pobres”.
Numa sua carta, do dia 13 de junho, o santo Padre propõe o tema: Não amemos com palavras, mas com obras (1Jo 3,18).
Que rostos têm os pobres? Responde o Papa: “São inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, a marginalização, a opressão, a violência, as torturas e a prisão, pela guerra, a privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e o analfabetismo, pela emergência sanitária e a falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e a escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças exploradas para vis interesses, pisados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro”.
Este dia, insiste Francisco, pretende tornar as comunidades cristãs “cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e mais empobrecidos”; e “convida a Igreja toda e os homens e mulheres de boa vontade a fixarem o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade”.
As palavras de Papa Francisco, sempre claras e envolventes, insistem na necessidade de “reagir à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro”; pede que se criem “muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda recíproca”. Os pobres não devem ser considerados só como os que recebem. Trata-se de realizar a partilha, como estilo de vida, aprendendo todos a viver do essencial e nos abandonar à Providência do Pai. Será, desse modo, uma preciosa oportunidade para “compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda”. Neste dia, especial atenção receba a oração. O Pai-nosso “é a oração dos pobres... Exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário”. O momento mais importante em nossa vida cristã é a Eucaristia. “O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis”.
Concluindo, desejo que, em todas as Paróquias e suas comunidades, este dia receba especial atenção. E partilho as palavras do Papa: “Os pobres não são um problema: são um recurso acessível, uma forma concreta para acolher e viver a essência do Evangelho”.

Dom Armando