29. O AMBÃO

A reforma conciliar deu à Palavra de Deus sua devida importância para a vida dos cristãos e pediu para que Ela recebesse destaque visível em sua proclamação litúrgica. De Sacrosanctum Concilium até Dei Verbum é um insistente refrão para que a Palavra ocupe lugar de destaque não só no espaço sagrado, mas na vida dos discípulos de Jesus. A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) escreve (n. 309): “A dignidade da Palavra de Deus requer na Igreja um lugar condigno de onde ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da Liturgia da Palavra”.Por isso, eis o valor dado ao Ambão, a ‘estante’ de onde se proclama a Palavra. 
Ambão é palavra (do grego anabaino) que quer dizer ‘pequeno cume’, tribuna. Lembremos de Jesus que subiu à montanha... e começou a ensinar (Mt 5,1); ou na outra alta montanha, onde Ele se transfigura, e a voz, provindo da nuvem,que diz: Este é o meu filho amado... escutai-o (cf. Mt 17, 1-9). O Senhor continua em nosso hoje, e fala ao seu povo. A fé vem pela pregação e a pregação, pela palavra de Cristo, afirma o apóstolo Paulo (Rm 10,17).
Por isso, ainda a IGMR (n. 309) recomenda que o ambão “seja uma estrutura estável e não uma simples estante móvel” e que sua disposição permita que “os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e ouvidos facilmente pelos fiéis”. Pede-se, em seguida que “do ambão sejam proferidas somente as leituras, o Salmo Responsorial e o Precônio pascal; também se podem proferir a homilia e as intenções da oração universal ou dos fiéis”. Na Introdução ao Lecionário (n. 32-34), podem-se ler outras orientações que reforçam o que escreve a IGMR. Por exemplo, pede-se que “seja adornado com sobriedade”; “não é conveniente que subam ao ambão outras pessoas, como o comentarista, o cantor, o dirigente do coro”; “deve ser amplo, porque em algumas ocasiões têm que estar nele vários ministros”; enfim, “é preciso que ... tenha suficiente luz... bons microfones para que os fiéis possas escutar facilmente”.
Essa insistência a respeito da dignidade do ambão é para tornar visível a dignidade da Palavra de Deus. Santo Agostinho exortava a escutá-la “como se o Senhor mesmo estivesse nos falando”! A Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 7) ao tratar da “presença de Cristo na Liturgia”, escreve: “Presente está pela Sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja”. Ainda, insiste: “Na Liturgia, Deus fala ao seu Povo. Cristo ainda anuncia o Evangelho. E o povo responde a Deus, ora com cânticos ora com orações” (n. 33). Por isso, o documento conciliar pedia (n. 35): “Nas celebrações litúrgicas, restaure-se a leitura da Sagrada Escritura mais abundante, variada e apropriada”.
O ambão, portanto, é como que o sinal da valorização que o Concílio quis dar à Palavra na vida da Igreja, começando pela Liturgia e alcançando a vida toda da Igreja. “A Igreja existe para evangelizar”, esta é a “missão essencial da Igreja, sua mais profunda identidade”, recordava o Papa Paulo VI, 10 anos depois do término do Concílio (cf. Evangelii Nuntiandi, n. 14).
Entrando na Igreja, o ambão nos recorde o sentido da Palavra de Deus em nossa vida cristã e, ao termino de cada leitura bíblica saia dos lábios e do coração o nosso sincero agradecimento: Palavra do Senhor! Demos graças a Deus; Palavra da Salvação! Glória a Vós, Senhor.
Dom Armando