VASOS SAGRADOS III: A patena e a píxide

Continuando o assunto ‘vasos sagrados’, isto é, os instrumentos usados na e para a celebração da santa missa, vamos compreender o sentido de outros, usados na celebração, a patena e a píxide (chamada também de cibório ou âmbula).

Durante a última ceia, Jesus disse: Aquele que se serviu comigo do prato é que vai me entregar (Mt 26,23). A patena lembra aquele prato usado por Jesus, no qual estava o pão que Ele distribuiu aos amigos dizendo: Tomai, comei, isto é o meu corpo (Mt 26,26).

A patena é atualmente aquele pequeno prato, para acolher o pão, consagrá-lo, dividi-lo e distribui-lo aos fiéis. Os documentos antigos nos informam que as patenas eram de vidro, depois de prata e, em seguida, sempre mais preciosas e ornadas. Esses documentos nos informam que tinham duas formas de patena: uma menor para quem presidia, colocada à direita do cálice, e outras, chamadas de ‘ministeriais’, bem maiores, (da forma de bacia, podiam pesar até 10 quilos!), nas quais acontecia a fração do pão para a comunhão dos fiéis. Somente depois dos séculos X- XI, com o uso de ferros para confeccionar as hóstias, as patenas diminuíram de tamanho e entra em uso a píxide, também para facilitar o manejo e evitar que as hóstias caíssem no chão.

O uso desse vaso sagrado – píxide ou cibório (que significa caixa) - é documentado desde os primeiros séculos. O mais antigo, no início do II século, tinha a forma de pequeno cesto (talvez, lembrando do que se escreve em Ex 29,1-3, onde se fala do rito para a consagração das oferendas e se diz que tudo deve ser posto numa cesta), cujo uso é documentado até o sexto século. O pão eucarístico era levado para casa pelos fiéis – uso que continuou por vários séculos – em pequenos recipientes ou tecas. Nas igrejas, a eucaristia era guardada, em pequena quantidade, para a conforto dos moribundos ou para enviá-la em sinal de comunhão, por parte de um bispo a outro bispo. O culto eucarístico começará somente depois do ano 1000 (cf. Righetti. Storia litúrgica, I, n. 352).

A IGMR (n. 331) orienta que “para consagrar as hóstias, é conveniente usar uma patena de maior dimensão, onde se coloca tanto o pão para o sacerdote e o diácono, bem como para os demais ministros e fiéis”.

Para além da matéria dos instrumentos litúrgicos, o mais importante no momento em que o sacerdote eleva a patena e/ou a píxide é que os fiéis coloquem mental e espiritualmente suas vidas em união ao pão levantado. Naquele pão, ‘fruto da terra e do trabalho humano’, coloquemos tudo de nossas vidas, com o que elas carregam, num ato de agradecimento e louvor. Podemos acrescentar, também, nossos pecados, pedindo que o Senhor os receba, queime e acolha o nosso sincero e singelo ato de amor. 

Então, sim, a vida toda se torna uma liturgia, expressão de amor, e dela, guiados pelo divino Espírito, aprenderemos a viver, isto é, a seguir caminhando nas pegados de Jesus.  

Dom Armando