24. VASOS SAGRADOS

Na celebração da Eucaristia, usam-se alguns objetos especiais que chamamos de vasos sagrados. Os mais importantes são o cálice e a patena “em que se oferecem, consagram e consomem o vinho e o pão” (IGMR 327). São Francisco de Assis recomendava aos seus frades: “Os cálices e tudo o que serve para o santo sacrifício, usem-nos como objetos muito preciosos”. De fato, ao longo da história, esses vasos sagrados e demais objetos para as celebrações litúrgicas sempre receberam uma especial atenção, para evidenciar a grande dignidade d’Aquele que neles é recebido e, desse modo, destaca-se a presença real do Senhor nas sagradas espécies.

A IGMR 328 recomenda que “sejam feitos de metal nobre. Se forem de metal oxidável ou menos nobre do que o ouro, sejam normalmente dourados por dentro”. Acrescenta-se, que “a juízo das Conferência dos Bispos, com aprovação da Sé Apostólica, os vasos sagrados podem ser feitos também de outros materiais sólidos e considerados nobres em cada região, por exemplo, o ébano ou outras madeiras mais duras contanto que convenham ao uso sagrado”. Recomenda-se, ainda, que a copa do cálice seja feita de matéria “que não absorva líquidos” (ib. 330).

O documento Sacrosanctum Concilium (n. 122), falando da arte sacra e seu estilo, dava este critério: “A Igreja preocupou-se com muita solicitude em que as alfaias sagradas contribuíssem para a dignidade e beleza do culto, aceitando no decorrer do tempo, na matéria, na forma e na ornamentação, as mudanças que o progresso técnico foi introduzindo”.

Na IGMR 332 se lê: “Quanto à forma dos vasos sagrados, o artista tem a liberdade de confeccioná-los de acordo com os costumes de cada região, contanto que se coadunem com o uso litúrgico a que são destinados e se distingam claramente daqueles destinados ao uso cotidiano”.

Antes do uso, prevê-se uma bênção, “seguindo os ritos prescritos nos livros litúrgicos” (IGMR 333). O Pontifical Romano dedica um capítulo (o VII) para a Bênção de cálice e de patena. Afirma-se que “a intenção de se destinarem esses vasos exclusivamente à Eucaristia, manifesta-se diante da comunidade dos fiéis”; essa bênção pode ser dada por qualquer sacerdote, seguindo as orientações da IGMR. A oração reza: 



“Pela vossa bênção tornem-se santos estes recipientes destinados por decisão unânime do vosso povo, à celebração do sacrifício da nova aliança. Concedei-nos, Senhor, que, ao celebrar os sagrados mistérios, nos alimentemos na terra com os vossos sacramentos, sejamos imbuídos do vosso Espírito, até que no Reino dos céus gozemos do vosso convívio com os Santos”.

Os textos litúrgicos evidenciam o sentido do que fazemos e de tudo o que usamos nas celebrações. A melhor compreensão ajuda a viver cada gesto, objeto, palavra e sinal de maneira que o mistério celebrado adquire seu mais profundo sentido e valor. Nada deve ser descuidado no que se refere à celebração dos grandes mistérios da Salvação que Cristo realizou com sua vida, morte e ressurreição.

Dom Armando