FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

 “O seu rosto brilhou como o sol” (Mt 17, 2)
LEITURAS:
Daniel 7, 9-10.13-14
Sl 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)
2 São Pedro 1, 16-19
São Mateus 17, 1-9

A Festa da Transfiguração celebra o mistério de Jesus Cristo. Em nossa diocese é a festa do Senhor Bom Jesus nas paróquias do Taquari e Barra da Estiva. O Bom Jesus que ilumina a vida de todos os cristãos. Por isso, manifesta-se o Cristo e toda a sua divindade, a sua glória sobre o mundo, como nosso salvador. É nesse sentido que Mateus procura iluminar-nos à sombra da cruz de Jesus, um cruz dolorosa, entretanto, triunfante. Eis que na cruz morre o Filho de Deus e, nessa mesma cruz, brota a vida plena para a humanidade redimida por ela.

Jesus havia andado com eles, falando-lhes a respeito de seu reino e da segunda  vinda na glória. Mas talvez não estivessem muito seguros daquilo que lhes anunciara sobre o reino. Para que tivessem firme convicção no íntimo do coração e, mediante as realidades presentes, cressem nas futuras, deu-lhes ver marvilhosamente a divina manifestação do monte Tabor.

A Transfiguração tem um significado muito singular: revelar aos apóstolos que a passagem pela morte era temporária e a ela sucederia o fato impensável da ressurreição. Isso porque Jesus de Nazaré era o Filho de Deus e tinha o “poder de dar e retomar a vida” (Jo 10,18).

Mas, o que é a Transfiguração? Não é uma aparição. Tratar-se de um parecer sob outra forma, senão a forma costumeira que Jesus aparecia aos seus discípulos. Ele não apareceu no Tabor, mas tomou outra figura. No Monte Tabor, não temos um outro Jesus; é o mesmo Jesus de Nazaré que revela aspectos de sua dimensão divina.

A Primeira Leitura o profeta Daniel, em visão noturna, vê a história do ponto de vista de Deus. Sucedem-se os impérios e os opressores, mas o projeto de Deus não falha. Ele é o último juiz, que avaliará as ações dos homens e intervirá para resgatar o seu povo. Mais importante é a decisão do ancião em dar ao Filho do Homem: poder eterno que não lhe será tirado, glória e realeza, sobre todos os povos, nações e línguas; seu reino não se dissolverá como os demais reinos terrenos (Dn 7,14). Jesus irá identificar-se muitas vezes com esta figura bíblica na sua pregação. A Igreja, desde seu início, viu tudo isso realizado em Jesus.

Na segunda leitura Pedro e os seus companheiros reconhecem-se portadores de uma graça maior que a dos profetas, porque ouviram a voz celeste que proclamava Filho muito amado do Pai, Jesus, seu mestre. Jesus transfigurado sustenta a nossa fé e acende em nós o desejo da esperança nesta caminhada. A “estrela da manhã” já brilha no coração de quem espera vigilante.

A Transfiguração confirma a fé dos Apóstolos e os ajuda a ultrapassar a sua oposição à perspetiva da paixão anunciada por Jesus. Quem quiser Seu discípulo, terá de participar nos seus sofrimentos (Mt 16, 21-27). O aparecimento de Moisés e Elias é confirmação de que Jesus é o Messias esperado por Israel, com poder de ensinar no lugar de Moisés e de julgar o Povo de Deus no fim do mundo.

Moisés e Elias são protagonistas de um êxodo muito diferente nas circunstâncias, mas idêntico na motivação: a fidelidade absoluta a Deus. De fato Moisés previra que um profeta como ele surgiria, ao qual todo o Povo Eleito devia respeitar (Dt 18,15). Este profeta era Jesus.
 

Elias devia preceder a vinda do Messias: ‘Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Iahweh, grande e terrível’ (Ml 3,23). A nuvem no antigo Testamento representa a presença de Deus no meio de Seu Povo, como durante o Êxodo. Mas na Transfiguração de Jesus a nuvem traz a presença de Deus para anunciar um tempo novo para Israel: Deus não manda obedecer, agora, a Moisés, e sim a Seu Filho, Jesus. 

A voz de Deus é ouvida pelos três discípulos. É o momento culminante deste Evangelho. O mais importante da Transfiguração de Jesus é a proclamação divina de que Ele é o Filho de Deus, e que a Ele os discípulos devem ouvir.

O desejo de Deus é que ouvindo a Seu Filho, um dia sejamos transfigurados como Ele, depois de nossa ressurreição. A Transfiguração de Jesus, portanto, não diz respeito somente a Ele e aos três discípulos. Diz respeito a nós, tanto no presente em que contemplamos a face gloriosa de Jesus, como no futuro, quando seremos transformados segundo sua imagem.

Contemplando hoje a face de Jesus transfigurado e escutando o que ele diz, encontraremos força para passar suportar os sofrimentos e dificuldades da vida, até o dia em que poderemos contemplá-Lo na glória do Pai, realização definitiva da aliança e das promessas.

Que Deus nos ajude que eu possamos sempre ver o rosto sereno e radioso do Cristo. Sempre na realidade da oração e do amor no irmão que vive e convive conosco no cotidiano.
Adriano Bonfim Pereira
4º ano de Teologia