23. COMO RECEBER A COMUNHÃO EUCARÍSTICA?

Vimos que, para receber a comunhão eucarística, o povo se coloca em procissão. Aproximando-se do ministro, o fiel recebe o Corpo de Cristo ou na mão ou na boca. Queremos compreender melhor o sentido desses gestos.

a) Receber a comunhão na mão manifesta a atitude de quem acolhe um dom. De fato, a Eucaristia é sempre um presente do Senhor. Por isso, só quem preside - em nome e com o poder de Cristo -(também quem ‘concelebra’) pega diretamente o Corpo de Cristo da patena ou da âmbula. Todos os outros, também o diácono, recebem-na do ministro, para destacar essa dimensão de dom.

O fiel se aproxima do ministro e, sem fazer a genuflexão ou o sinal da cruz – nem antes, nem depois – recebe o pão eucarístico e, fazendo uma reverência, responde Amém. Ficando um pouco de lado, para permitir a outro fiel se aproximar, leva a partícula à boca.

Receber a comunhão na mão, é sinal da consciência e disponibilidade do discípulo do Senhor em acolher o grande dom e, também, manifesta atitude de responsabilidade e humilde confiança.

A esse respeito, é bonito o que escreve o bispo São Cirilo de Jerusalém (na VCatequese mistagógica): “Aproximando-te da Mesa sagrada, não te apresentas com as palmas abertas e os dedos separados; mas, colocando a esquerda em forma de trono, com debaixo a mão direita, como quem deve acolher o Rei... respondendo: Amém”. Santo Agostinho ensinava: “Se vós sois o corpo e as membras de Cristo; sobre a Mesa do Senhor está o vosso mistério. Àquilo que sois, vós respondeis: Amém”. Gestos e palavras devem expressar, com simplicidade e fé, a total disponibilidade em acolher o Senhor Jesus, deixando que Ele entre em nossa vida e faça de todos um só Corpo.
Esse gesto da comunhão na mão e em pé, acompanhou a caminhada eclesial, desde o início até o século IX.

Várias razões determinaram a nova praxe de receber a comunhão na boca e não mais na mão. Os historiadores documentam que este costume entrou, aos poucos, e não de forma universal, motivado por um sentimento de profundo respeito para com a Eucaristia, mas também pelo fato que os fiéis não ofereciam mais o pão para a comunhão no momento da apresentação das oferendas. Contribuiu, ainda, a ideia de que as mãos que tocavam o dinheiro, manuseavam armas, abraçavam e agiam com agressividade, não podiam receber o Corpo do Senhor.

Essas razões, porém, com a consciência que hoje temos, não podem ser suficientes. De fato, também a língua é instrumento, tantas vezes, de pecado! Talvez, não menos do que as mãos. Por isso, o receber a comunhão na mão não pode ser motivado como fosse sinal de maior fidelidade ao projeto de Jesus.

Ao invés, receber a comunhão diretamente na língua destaca a primazia do dom da graça do Senhor para com os fiéis que, como crianças ou doentes, acolhem o Corpo de Cristo. De fato, às crianças e às pessoas acamadas, não mais autossuficientes, o alimento é dado na boca. Diante de Deus, nós permanecemos crianças e doentes. A Igreja, qual mãe amorosa, alimenta-nos. Nos tornamos pequenos no meio de vós. Imaginai uma mãe acalentando os seus filhinhos, escreve o apóstolo Paulo (1Ts 2,7). Aos doentes, que não mais conseguem se alimentar com as próprias mãos, o alimento é dado na boca. Nós vivemos uma profunda fragilidade; o gesto de dar e receber a comunhão na boca, expressa essa função de ajuda por parte da Igreja que, desse jeito, socorre a fragilidade de seus filhos.

Dom Armando