21° DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURAS:
Is 22,19-23
Sl 137,1-2a.2bc-3.6.8bc (R. 8bc)
Rm 11,33-36
Mt 16,13-20

Meus amados irmãos, minhas amadas irmãs: neste 21° Domingo do Tempo Comum, celebrando a nossa Páscoa semanal, em consonância com o Cântico de Daniel, a ser entoado nas laudes, juntamente com os astros e estrelas, com nossas luzes e trevas, bendigamos ao nosso bom Deus por todas as obras da criação; juntamente com todas as criaturas, cantemos ao Senhor! De modo especial, elevemos nossos louvores ao Cristo Ressuscitado, que vive em nosso meio, que caminha conosco, que faz a nossa vida renascer, que nos revela a sua face para O reconhecermos como Filho de Deus e, assim, também nós, sermos despenseiros de sua Salvação, que é para todos.

Partilhando um pouco sobre a Liturgia Dominical, partamos da Primeira Leitura, que nos remete aos tempos do rei Ezequias. O trecho proposto refere-se a um dos autos funcionários do rei, ao administrador do palácio, Shebna. Conforme percebemos, esse funcionário será destituído de suas funções. O porquê nos é expresso em alguns versículos antes: ele talhou “para si um sepulcro no alto e cavou para si na rocha um mausoléu” (Is 22,16). Mas, seria esse um motivo para tal punição proveniente da parte de Deus? Talvez essa punição venha pelo fato de ele ter utilizando o dinheiro do povo, diluindo-o em tempos difíceis, gastando-o com futilidades. As chaves que simbolizam o cuidado dos bens do soberano, juntamente com a escolha de quem pode ou não adentrar no átrio real, será entregue a outro servidor, que “será um pai”, ou seja, desempenhará o serviço com amor e solicitude, com justiça e autoridade. Com certeza, irmãos, essa leitura ajuda a entender melhor o Evangelho, pois auxilia na compreensão do serviço das chaves e da autoridade, mostrando o verdadeiro sentido do poder e como ele deve ser exercido.

A Segunda Leitura, é um hino de conclusão sobre a reflexão feita desde o capítulo 9 da Carta aos Romanos. A questão de fundo está pautada na rejeição de Israel à salvação ofertada por Deus em Jesus Cristo. Com essa rejeição, aparentemente, Israel está fora da salvação. Entretanto, Paulo não concorda com essa perspectiva, e enxerga uma finalidade nesse desígnio de Deus: que a salvação se estenda aos gentios. Assim, conclui ele, com esse belo hino, que os desígnios de Deus são imperscrutáveis, transcendendo a compreensão humana. Reconhecendo a sua pequenez, o homem é chamado a reconhecer a grandeza de Deus, acolhendo a sua vontade. Seguindo o apóstolo, cabe a nós deixar que nossa admiração diante das maravilhas de Deus se transformem num hino de louvor, cuidando-nos para não desfigurarmos a face de Deus, que é Pai, que é misericórdia e deseja a salvação de todos os seus filhos.

No Evangelho, que destaca o diálogo entre Jesus e Pedro, vemos uma cena que pode ser abordada em duas perspectivas: uma cristológica e outra eclesiológica. Jesus interroga aos discípulos sobre a opinião pública e sobre a opinião deles próprios a seu respeito. Enquanto as pessoas veem Jesus em continuidade com o passado, Simão Pedro, como porta-voz dos discípulos, reconhece em Jesus não apenas o “Cristo” (ungido), mas o Filho do Deus vivo; reconhecendo a profunda intimidade entre o Pai e o Filho, entendendo que o Pai realiza a salvação através do Filho. A partir desse entendimento, Cristo reconhece Simão como Pedro (pedra), entregando a ele as chaves do Reino. Cristo entrega a Pedro a administração da ekklesia, da assembleia santa, do povo eleito, da comunidade messiânica que é a comunidade escatológica que começa já na terra e que tem Pedro como chefe. Entrega também a ele a autoridade da interpretação da Escritura, colocando-o como aquele que, tendo o poder das chaves, tem a autoridade de permitir o ingresso de novos membros na comunidade dos santos.

Irmãos, o poder confiado a Pedro deve ser exercido com paternidade, assim como na Primeira Leitura. A Pedro cabe a acolhida de todos aqueles que abraçam a Salvação de Deus oferecida em Cristo. A autoridade é um serviço que deve ser exercido com amor e solicitude, com justiça e autoridade. Nesse contexto, também somos enquadrados como dispensadores da Graça divina, devendo apregoar a Salvação a todos. Se é essa a missão da Igreja e se nós somos Igreja, devemos nos dispor a sermos administradores fiéis dos bens de nosso Deus, acolhendo com amor e generosidade, abrindo as portas a todos os que desejam entrar. Como Paulo, aceitemos que nem sempre compreendemos os desígnios de Deus, e que a Sua Salvação não é medida pelo nosso juízo: a misericórdia de Deus transcende o coração humano. Numa atitude humilde e agradecida, juntamente com toda a criação, bendigamos ao Senhor que na Ressurreição de Cristo, no Espírito, nos alcança, redime e salva! Glória a Deus para sempre. Amém!

Sem. Júlio César
  3ª ano de teologia