DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

Leituras:
Mt 21,1-11
Is 50,4-7
Sl 21 (22)
Fl 2,6-11
Mt 27,11-54

A celebração  deste domingo traz à memória duas cenas que parecem contraditórias, mas que estão intimamente ligadas. Inicialmente, recordamos a entrada de Jesus em Jerusalém. Se anunciava no Antigo Testamento que o Messias entraria triunfalmente na cidade santa e seria aclamado pelo povo. A narrativa da chegada de Jesus em Jerusalém, como descreve Mateus, quer indicar para nós que Ele é o Messias esperado, o salvador da humanidade.

Porém, existe na maioria das pessoas dessa cena certa incompreensão a respeito do que significa o messianismo de Jesus. Elas esperam um messias vitorioso, que conquiste a libertação do povo de modo glorioso e imediato. Não é o que acontece. Jesus indica um outro caminho: triunfa após passar pela experiência da humilhação; se apresenta vitorioso após sofrer a dor da morte. Diante das expectativas nele depositadas, a prisão, condenação e morte de Cristo causam uma grande decepção e muitos o abandonam. Mas é justamente nesse momento de aparente fracasso que se consuma de modo pleno a nossa salvação. Por isso, a Paixão de Jesus Cristo é para nós um grande mistério.

A primeira leitura é um pequeno trecho do cântico do servo sofredor do profeta Isaías. Desde os primeiros séculos, os cristãos associaram esse texto ao Cristo sofredor. Ele é o servo de Deus que, sendo inocente, assume o sofrimento com confiança, pois, Deus é o seu auxiliador e não o permitirá sair humilhado. O hino da carta aos Filipenses, proposto para segunda leitura, destaca, também, essa postura humilde e obediente de Cristo que rebaixando-se até a morte de cruz foi por Deus exaltado.

A mensagem proposta por essas leituras nos permite fazer uma importante interpretação da paixão de Jesus. O que aparentemente significava um grande fracasso revelou-se depois como o caminho a ser seguido pelos Cristãos. A paixão de Jesus coloca em evidência valores como a humildade, o serviço, a confiança. O Jesus Messias não veio instaurar o Reino pela violência, pela força. Veio para inspirar-nos a vivência de valores que são libertadores e que transformam a humanidade.

Compreender essa dinâmica é uma tarefa muito complicada. Ainda hoje a cruz de Jesus nos inquieta. Nossa mentalidade sempre busca o caminho do menor esforço, do mais fácil. Muitas vezes achamos mais conveniente abrir mão de certos valores do que lutar até o fim por eles. Parece fazer mais sentido levar uma vida sem muitos incômodos do que viver uma vida autêntica, pautada em valores que comprometem nossas escolhas. O caminho da cruz nos aponta a direção contrária. Nos ensina o comprometimento com os ideais verdadeiros que dignificam o ser humano, por mais que eles exijam de nós renúncias.

Diante disso tudo, contemplando a cruz de Cristo, façamos nossa prece a Deus pedindo-lhe que nos ajude a mudar de mentalidade. Que possamos superar aquela fé mesquinha, que nos faz esperar de Jesus a resolução imediata dos nossos problemas. E que possamos nos abrir à fé verdadeira que, como Cristo nos mostra, significa comprometimento, doação de vida, saída de si mesmo.


Jandir Silva