SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

      A Semana de Oração pela Unidade Cristã, não tem uma data fixa. O período tradicional, no hemisfério norte, para essa Semana de Oração, vai de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam os dias entre as festas de São Pedro e São Paulo, tendo, portanto um valor simbólico. No hemisfério sul, já que janeiro é tempo de férias, as Igrejas frequentemente acham outros dias para celebrar a Semana de Oração, como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (de acordo com o que foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926). No Brasil, a Semana de Oração pela Unidade Cristã, está acontecendo nessa semana, de 08 a 15 de maio e tem por lema o texto bíblico: Chamadas e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pe 2, 9).

VEJA A CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO PARA A SEMANA ORAÇÃO PELA UNIDADE CRISTÃ

 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
      Ouvimos o texto bíblico que este ano orienta a reflexão durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este trecho tirado da primeira Carta de São Pedro (I Pedro 2,9-10), foi escolhido por um grupo ecumênico da Letônia, encarregado pelo Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
      No centro da catedral luterana de Riga existe uma pia batismal que remonta ao século XII, à época em que a Letônia foi evangelizada por são Mainardo. Aquela pia constitui o sinal eloquente de uma origem de fé reconhecida por todos os cristãos da Letônia: católicos, luteranos e ortodoxos. Esta origem é o nosso Batismo comum. O Concílio Vaticano II afirma que «o Batismo, pois, constitui o vínculo sacramental da unidade que une todos os que foram regenerados por ele» (Unitatis redintegratio, 22). A primeira Carta de São Pedro é dirigida à primeira geração de cristãos, para os tornar conscientes do dom recebido mediante o Batismo e das exigências que ele comporta. Também nós, durante esta Semana de Oração, somos convidados a descobrir de novo tudo isto, e a fazê-lo em conjunto, indo mais além das nossas divisões.
      Antes de tudo, compartilhar o Batismo significa que todos somos pecadores e temos necessidade de ser salvos, redimidos, libertados do mal. Este é o aspecto negativo, que a primeira Carta de São Pedro denomina «trevas», quando diz: «Das trevas [Deus] chamou-vos para a sua luz maravilhosa». Esta é a experiência da morte, que Cristo fez sua, e que é simbolizada no Batismo pela nossa imersão na água, e à qual se segue uma nova emersão, símbolo da ressurreição para a vida nova em Cristo. Quando nós cristãos dizemos que compartilhamos um único Batismo, afirmamos que todos nós — católicos, protestantes e ortodoxos — vivemos juntos a experiência de ser chamados das trevas impiedosas e alienantes para o encontro com o Deus vivo, repleto de misericórdia. Com efeito, infelizmente todos nós fazemos a experiência do egoísmo, que gera divisão, fechamento e desprezo. Recomeçar a partir do Batismo quer dizer encontrar a fonte da misericórdia, manancial de esperança para todos, porque ninguém está excluído da misericórdia de Deus.
      A partilha desta graça cria um vínculo indissolúvel entre nós cristãos, de tal forma que em virtude do Batismo podemos considerar-nos todos realmente irmãos. Somos verdadeiramente o povo santo de Deus, não obstante, por causa dos nossos pecados, ainda não somos um povo completamente unido. A misericórdia de Deus, que age no Batismo, é mais forte do que as nossas divisões. Na medida em que recebemos a graça da misericórdia, tornamo-nos cada vez mais plenamente povo de Deus, e também somos capazes de anunciar a todos as suas obras maravilhosas, precisamente a partir de um testemunho de unidade simples e fraternal. Nós, cristãos, podemos anunciar a todos a força do Evangelho, comprometendo-nos a partilhar as obras de misericórdia corporais e espirituais. E este é um testemunho concreto de unidade entre nós cristãos: protestantes, ortodoxos e católicos.

      Queridos irmãos e irmãs, em conclusão todos nós cristãos, mediante a graça do Batismo, recebemos a misericórdia de Deus e fomos inseridos no seu povo. Todos nós, católicos, ortodoxos e protestantes, formamos um sacerdócio real e uma nação santa. Isto significa que temos uma missão comum, que consiste em transmitir aos outros a misericórdia recebida, a começar pelos mais pobres e abandonados. Durante esta Semana de Oração, oremos a fim de que todos nós, discípulos de Cristo, encontremos o modo de colaborar juntos para levar a misericórdia do Pai a todos os recantos da terra.

FONTE: w2.vatican.va