CANTO E MÚSICA NA LITURGIA - VI

Nesta Coluna, estamos analisando os ‘momentos’ de uma celebração, sobretudo da Eucaristia, em ordem aos critérios na escolha dos cantos. Eis as últimas considerações.
Santo. - “Esse hino, além de ser uns dos momentos importantes da prece eucarística, conclui o prefácio”. A sua origem é bíblica e tem duas partes: a) “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, o céu e a terra pro­clama vossa glória...”, e reproduz o louvor celeste dos serafins, conforme o relato de Isaías 6, 3. No século V (no Ocidente) é que foi incorporado na Liturgia eucarística. b) “Bendito o que vem em nome do Senhor...” expressa o brado de triunfo do povo de Deus que acolhe a aclama o Messias, o Salvador (cf. Mt 21, 9).
Por esta sua ‘identidade litúrgica’, não deve ser cantado só por um pequeno grupo de cantores, coros ou solistas, mas por todo o povo, juntamente com o Presi­dente da celebração (cf. Instrução Musicam Sacram, 1967).
Doxologia. O Amém com se conclui a Oração eucarística, deverá ser sempre solene (cantado).
Abraço da paz: as recentes orientações da Congregação do Culto divino, pedem para que o abraço aconteça sem canto nenhum.
O Cordeiro de Deus é uma prece litânica (em forma de ladainha) entoada durante o rito da fração do pão, na Liturgia eucarística e pode ser repetida enquanto durar a fração do pão, terminando com a palavra dai-nos a paz. Historicamente, se tem notícia que, por volta do séc. VII, começou a ser usado na Liturgia romana. Por volta do séc. IX é que foi acrescentada a invocação dai-nos a paz, isto devido ao fato de o canto do Cordeiro acompanhar o momento do ósculo da paz. Não deve ser tirado por quem preside.
Canto de Comunhão. “É uns dos cantos mais antigos da Liturgia eucarística”. Ele deve exprimir a união espiritual dos que comungam, ou seja, a alegria dos irmãos e irmãs reunidos ao redor da mesa do Senhor em comum união como o corpo e sangue de Cristo (simbolizados no pão e no vinho), mas ao mesmo tempo ele deve demonstrar a sua alegria pascal pela união com o ressuscitado, ou seja, alimenta e reforça a busca da verdadeira unidade, conforme o desejo de Jesus (cf. Jo 17,11).
Um canto de comunhão que se preze deve expressar a eclesialidade da assembleia celebrante, pois esta também constitui um verdadeiro sinal sacramental do corpo místico de Cristo, a Igreja. A letra de preferência esteja em sintonia com o Evangelho. É o Evan­gelho que dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística. Deve-se evitar o uso daqueles hinos eucarísticos que, tradicional­mente, são usados na adoração do Santíssimo Sacramento. Estes hinos são impróprios pelo fato dos mesmos ressaltarem apenas a fé na “presença real” de Jesus na eucaristia e carecerem de outras dimensões essenciais do mistério.
Canto Pós – comunhão. Há quem ache não apropriado cantar neste momento. Após um momento de silêncio depois da comunhão, se desejar, toda a assembleia pode entoar ainda um salmo ou outro canto de louvor ou hino.
Observações. 1. Quando o Presidente da celebração levanta a hóstia e o cálice não está certo a assembleia ou mesmo o Presidente puxar um canto para ressaltar a adoração! A Instrução Geral do Missal Romano, 55 diz: “Exige a oração eucarística que todos a escutem com reverência e em silêncio, dela participando pelas aclamações previstas no próprio rito”.
2. Uso do microfone. Constatamos que muitos animadores do canto, fazem um uso não apropriado do microfone. Usam-no para dominar a Assembleia e não para ajudá-la a cantar. Em geral, procurem usar o microfone o menos possível; só quando precisar, de maneira discreta, sem manias de  protagonismo e para que o povo reunido em oração, possa participar melhor.
Com estas anotações, terminamos o assunto ‘Canto e Música na Liturgia’.
Dom Armando