CANTO E MÚSICA NA LITURGIA - V

Em minhas conversas sobre liturgia, estou tratando o tema Canto e música na liturgia.
Destaquei os vários momentos de uma celebração, sobretudo da Eucaristia. Já vimos os cantos de entrada, o ato penitencial e o Hino de louvor. Hoje quero acrescentar algumas observações a respeito de mais três momentos: o salmo responsorial, a aclamação ao Evangelho e o canto das Oferendas.
Salmo de resposta (cf. IGMR 61). “Ele ocupa um espaço significativo como resposta por dois motivos: por­que é cantado em forma dialogal entre o salmista e a assembleia e porque é escolhido para responder a Palavra de Deus”.
Sua finalidade principal é prolongar poeticamente a mensagem da pri­meira leitura. - Ao menos aos domingos e festas, seja cantado. Não podemos nos contentar com uma simples recitação. - O canto favorece a compreensão do sentido espiritual do salmo e contri­bui para sua interiorização. - Obrigatoriamente, tem que ser salmo; faz parte integrante da celebração.
Aclamação ao Evangelho. - “Aclamação? A palavra aclamação vem do verbo “aclamar”. Segundo o dicionário Aurélio significa: aplaudir ou aprovar entusiasticamente por meio de brados ou aplausos; saudar calorosamente (...); reconhecer solenemente, proclamar (...); levantar clamor em sinal de aprovação”.
A assembleia, reunida no Espírito Santo, vibra e aclama com admiração, alegria, amor e fé Aquele que está sentado no trono, e o Cor­deiro, pois só a eles pertencem o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos (cf. Ap 5,13). - Esse canto acompanha a procissão do Evangeliário até o ambão (estante) da Palavra e prepara o coração dos fiéis para a escuta atenta daquele que só tem a nos dizer “Palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68) - É uma aclamação de aleluia = Deus seja louvado. Depois do aleluia, o Lecionário propõe uma frase bíblica do Evangelho proclamado.
Essa aclamação não se repete depois da proclamação do Evangelho.
Cantos das Oferendas. – Nos livros litúrgicos se diz que é o “Canto da procissão das oferendas”, que acompanha a procissão dos dons; ou o “Canto da preparação das oferendas, quando não há procissão, mas apenas a preparação da mesa e dos dons para a eucaristia; ou, ainda, o “Canto da apresentação das oferendas”, quando aquele que pre­side canta a oração da bênção. “Bendito sejas, Senhor, Deus do universo, pelo pão... pelo vinho...”.
Percebemos que não foi usado o termo “ofertório” porque o grande Ofertório acontecerá durante a Oração eucarística. - O canto das oferendas não é o mais importante dentro da Liturgia eucarística. Inclusive, o Missal Romano nem traz os textos das antífonas; pode-se cantar um canto que combine com o momento ritual da prepara­ção e apresentação dos dons. - O principal objetivo é criar um ambiente de alegria, de partilha, de louvor. - Ele deverá sensibilizar os fiéis para a generosidade e a gratuidade. - O texto não precisa necessariamente falar de pão e vinho ou de ofere­cimento. - É aconselhável cantar se houver procissão, porque é um canto que acompanha a ação. - Uso de símbolos e do corpo: é um momento para valorizar gestos da assembleia ou expressões corporais (CNBB
43, n. 297).

Dom Armando