MÚSICA E CANTO NA LITURGIA - I

      Queridos e queridas acompanhantes do ‘nosso’ blog, com esta página pretendo começar uma reflexão a respeito de “Canto e música na Liturgia”. Trata-se de um elemento de grande importância em nossas celebrações litúrgicas e nos encontros de oração. Convido a todos a lerem estas reflexões, para intervirem colando sugestões ou perguntas, para enriquecer o que aqui irei colocar.

1. IMPORTÂNCIA ANTROPOLÓGICA DO CANTO
      O ser humano não pode viver sem cantar. A experiência humana ensina o valor e linguagem tipicamente humana, em sintonia com o espírito humano; é forma privilegiada de comunicação. O canto expressa os sentimentos mais profundos do coração: alegria e dor, fé e esperança, arrependimento e compaixão; tem o poder de unir, de passar ideias e fé. Amor e tristeza, nasci­mento e morte, festa e luto... tudo no canto.
      Cantar é linguagem mais rica, une racionalidade e afetividade, é expressão do homem em sua totalidade, ser que pensa e que ama. O canto amplifica a palavra e a carrega de emotividade; serve para socializar as pessoas. Com o canto se consegue comunicar de maneira mais imediata e profunda, criar unidade, nos shows como nos cantos populares, nas festas e nas Liturgias.
      O canto tem uma profunda dimensão religiosa. “A alma humana tem uma sua própria sinfonia e participa de toda sinfonia” (Ildegarda de Bingen, séc. XI).  De fato, tem um lugar de destaque nas diferentes religiões.Já no AT aparece a importância do canto e dos instrumentos musicais: Celebrem a YHWH com a harpa, toquem a ele a lira de dez cordas; cantem a ele um cântico novo, toquem com arte na hora da ovação (Sl 33/32,2-3). Santo Agostinho escreve: “O canto é expressão de letícia; antes, se considerarmos melhor, é também um sinal de amor” (Sermo 34 in Ps. 49).
      O canto tem ainda uma dimensão terapêutica. As ondas sonoras estão em sintonia com o nosso corpo e fazem vibrar as fibras mais profundas do organismo em correspondência com os sentimentos mais vários e profundos, como cordas do universo humano. Assim, a música acalma, dá serenidade e paz, ou, ao contrário, excita. Um instrumento musical tem uma sua linguagem forte e sugestiva, capaz de mudar os corações.

2. O CANTO NA LITURGIA: LIGAÇÃO PROFUNDA
      Não são necessárias muitas palavras para afirmar a importância do canto na Liturgia. Escreve IGMR 270: “O canto não deve ser considerado como um certo ornamento que se acrescenta à oração quase do externo, mas como algo que brota do profundo da alma que ora e louva a Deus, e manifesta de maneira plena  e perfeita o caráter comunitá­rio do culto cristão”.  Eis, portanto, a necessidade de celebrar cantando!
       Na definição de canto entra plenamente o elemento cultural. A música litúrgica faz parte de todo o contexto em que se põe; reflete uma cultura, uma sensibilidade, uma época. A Liturgia, celebrando a vida nova, fruto da Páscoa, regenera a comunidade. “A música sacra é um dos mais altos sinais que revelam a sacralidade litúrgica” (João Paulo II, 21. 09. 1980). Toda celebração é atualização da salvação; no diálogo com Deus, a Palavra se expressa de duas formas: gestos e canto. A música teve sempre lugar de destaque nas celebrações religiosas. Podemos dizer que a Liturgia cristã nasceu com o canto.
Dom Armando