O ANO LITÚRGICO - III

      Estamos refletindo a respeito do Ano Litúrgico, isto é, das celebrações do Mistério de Cristo ao longo do ano, no decorrer do tempo. O documento do Concílio sobre liturgia, Sacrosanctum Concilium (SC), afirma: “A santa mãe Igreja julga seu dever celebrar em determinados dias no de­curso do ano, com uma sagrada recordação, a obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia que ela chamou de Domingo, comemora a Ressurreição do Senhor, ce­lebrando-a uma vez também, na solenidade da Páscoa, juntamente com sua sagrada Paixão. No decorrer do ano, distribui todo o Mistério de Cristo, desde a Encarnação e Natividade, até a Ascensão, o dia de Pentecostes e a expectação da feliz esperança e vinda do Senhor. Relembrando, deste modo, os Mistérios da Redenção, dispensa aos fiéis as riquezas do poder salvífico e dos méritos do seu Senhor, de tal sorte que, de alguma forma, os torna presentes em todo tempo, para que os fiéis entrem em contato com eles e sejam repletos da graça da salvação” (SC 102).
      O Catecismo da Igreja Católica (n. 1165), retomando o Concilio, escreve: “Quando a Igreja celebra o Mistério de Cristo, há uma palavra que marca a sua oração: hoje! fazendo eco à oração que seu Senhor lhe ensinou (cf. Mt 6,11)”.
      A História da Salvação continua no dia-a-dia da Igreja e constitui a base do ano li­túrgico. Os tempos litúrgicos cristãos são sinais de Cristo e de sua obra de redenção aberta a todos. No Mistério de Cristo temos o aconteci­mento central e o objeto essencial de toda celebração. A salvação que Deus realizou, de maneira peculiar com a vinda e atuação de Cristo, deu-se no tempo e ela é celebrada no tempo por meio da liturgia. Sem esta atualização a salvação ficaria algo distante e abstrato (cf. SC 5-7).
      Então, o Ano litúrgico pode ser descrito como “o conjunto das celebra­ções com que a Igreja celebra anualmente o Mistério de Cristo”. Insisto: não é o tempo litúrgico em si que é sinal de salvação, mas o tempo litúrgico na medida em que o cristão o vive como tempo de graça e de salvação (cf. 2 Cor 6,2); é esse tempo que se insere no tempo cronológico da nossa vida humana.
      Por meio de suas celebrações litúrgicas, a Igreja torna presente no espaço de um ano, o Mistério de Cristo. Os tempos litúrgicos são o marco da presença anual da salvação, no aqui e agora da vida humana. Não são simples apresentações dos acontecimentos da vida de Jesus, quais exemplos morais a imitar. A liturgia representa, isto é, torna presentes, os mistérios, isto é, os acontecimentos salvíficos, da vida de Jesus após a sua glorificação, uma vez que Ele foi subtraído às limitações do tempo. 
Dom Armando