DNJ 2013 - Vicariato Nossa Senhora do Livramento

C O N V I T E

O EVANGELIÁRIO COLOCADO SOBRE O ALTAR

Depois da reflexão sobre a Palavra de Deus e o Salmo responsorial, seguindo o desenvolvimento da celebração eucarística, chegamos ao momento da proclamação do Evangelho. Mas, antes, tem um gesto, muito significativo, que se realiza somente nas celebrações solenes, normalmente, com a presença do diácono.
No início dessas celebrações, o Evangeliário, isto é, o livro que contém os textos do Evangelho, é posto no centro do altar. Agora o diácono o pega, pede a bênção ao bispo ou ao padre e, em procissão, dirige-se ao ambão para proclamar ou cantar o santo evangelho.
Por que no início da Missa o Evangeliário é colocado sobre o altar? Porque a Igreja reconhece no livro dos evangelhos a mesma dignidade dos dons eucarísticos. O Evangeliário, assim, torna-se objeto de culto e adquire um intenso sentido teológico.
Como o pão e o vinho são tirados do altar para que os fiéis se alimentem do Corpo do Senhor, assim o Evangelho é tirado do altar para que os fiéis se alimentem da Palavra de Cristo. No Evangelho de João se lê: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna (6,54); mas se lê também: Quem escuta a minha palavra ... tem a vida eterna (5, 24).
Esse gesto da liturgia é muito antigo. Já na idade média o teólogo Guilherme Durando (morreu em 1296), escrevia: “A razão pela qual pega o livro do altar depende do fato que os apóstolos receberam o Evangelho do altar quando, em sua pregação, anunciaram a paixão do Senhor”. O altar é o símbolo concreto de Cristo que se entrega como Palavra que anuncia, antes de tudo, sua paixão. O fato de o Evangelho ser tirado do altar significa que o anúncio de Cristo deve ser entendido a partir do mistério da cruz. São Paulo, escrevendo aos Coríntios, recorda da “palavra da Cruz” (1 Cor 1,18) que ele pregou: Nós pregamos Cristo crucificado (1 Cor 1,18).
A unidade Evangelho e Cruz é confirmada por outros gestos pequenos, mas muito expressivos. Quem proclama o evangelho traça sobre o livro um sinal de cruz, e depois, junto com os fiéis, faz esse mesmo sinal na fronte, nos lábios e no peito. Isto para dizer que a palavra do Senhor deve ter acesso nas faculdades fundamentais da pessoa: o intelecto, a linguagem e a vontade. Esse gesto recorda o ‘marco’ batismal que caracteriza o cristão: na fronte, lugar do pensamento e da inteligência; nos lábios, espaço da voz e da palavra; no coração, sede da vontade e dos afetos. Por essa razão, ainda o teólogo Guilherme, chamava o Evangeliário de livro do Crucificado, o livro do homem da paz do qual recebemos a reconciliação. E, com seu estilo profundo e sintético, santo Agostinho afirmava: “Nós nos alimentamos da cruz do Senhor quando comemos seu corpo”.
Em sua liturgia, a Igreja católica nunca separou a Palavra da Eucaristia, o alimento da Palavra e do Pão, também quando a reflexão teológica não o lembrava mais. Testemunho disso é a pequena antífona de comunhão colocada antes da distribuição da Eucaristia.
Esses pequenos gestos, que passam quase despercebidos, contêm grande sentido. Essas anotações possam ajudar a compreendê-los e vivê-los na intimidade do nosso ser movidos pela fé.
Dom Armando

Por que não somos Missionários?

Esta frase pode soar estranha aos nossos ouvidos, uma interrogação que se compreende como uma assertiva. Pode parecer contraditória, principalmente neste mês que tanto ouvimos falar nas missões, rezamos, estudamos, discutimos e nos empolgamos, no entanto, salvo engano, muitas vezes permanecemos por ai.
Os nossos grupos, movimentos, comunidades e pastorais nos oferecem tudo o que precisamos, gera-se uma zona de conforto, temos dificuldade de ir ao encontro do outro, missão antes de qualquer coisa é relacionamento, é diálogo, pecamos neste sentido.  Afinal, não é fácil estarmos presentes nos eventos organizados por nossos irmãos, são cansativos, tediosos, eles possuem um jeito “estranho” de celebrar a fé, mal pensamos em missão em nossas próprias comunidades e pastorais, nosso coração já anseia pela “ad gentes”, no entanto, é só um anseio.
Neste sentido, precisamos de uma paroquia missionária, de uma Igreja em estado permanente de Missão.  Aqui nos referimos a uma atividade que seja frequente, diária, dias de missão nas comunidades são mais que válidos, são necessários! No entanto, precisamos ir sempre além.  Devemos estar atentos aos exemplos de Pedro e Paulo, que não mediram esforços para a missão, apesar da diferença nítida entre os dois, o “ardor missionário” os unia.
Precisamos estar em estado permanente de missão, o que pede de nós, compromisso e dedicação, amor ao próximo, disponibilidade para servir. Missão se faz no dia-a-dia, na família, na escola, no trabalho, não somos missionários, pois não visitamos nossos irmãos que sofrem! Doentes e idosos quase sempre recebem a visita das mesmas pessoas, mas só visitamos aqueles que são da comunidade, não visitamos os mais pobres, aqueles que se mudaram há pouco tempo, é preciso deixar nossas estruturas para ir ao encontro daqueles que mais necessitam.

Que este mês missionário nos motive, nos anime e nos de forças para vivermos plenamente o chamado que Cristo nos faz, que o exemplo e proteção da bem aventurada sempre Virgem Maria, faça de nossas paróquias uma verdadeira escola missionária, uma paróquia que se encontre em estado permanente de Missão, que seja de fato “ Comunidade de Comunidades”.  

Sem. Alisson Caires
2º Filosofia

CELEBRAÇÕES E ENCONTROS NAS PARÓQUIAS DE BONINAL, ITUAÇU E DOM BASÍLIO

A Paróquia do Senhor do Bonfim de Boninal, por ocasião do encerramento do mês missionário e para marcar a abertura da festa de Nossa Senhora das Graças, que acontecerá no próximo mês, realizou no último domingo uma tarde de louvor, adoração e missão. Um momento de encontro entre os irmãos e irmãs e de fortalecimento da fé. Esta experiência possibilitou aos participantes sentirem a “Igreja nas ruas”, como pediu o Santo Padre o papa Francisco, pois terminado o momento de oração eles partiram em missão visitando as famílias, doentes e idosos, levando a Palavra de Deus e abençoando os lares.

Antes da Celebração da Santa Missa, em frente a igreja matriz ocorreu a levantada do mastro da festa de Nossa Senhora das Graças, assinalando a proximidade da festa de Nossa Senhora. Os fiéis rezaram o oficio da Virgem Santíssima, em seguida o Pe. Gonçalo abençoou a imagem e o mastro foi levantado com alegria, fogos e vivas! Veja fotos!
A Paróquia de São João Batista de Dom Basílio, realizou no último domingo,  dia 27 de outubro, um encontro de formação para  pais e padrinhos da Paróquia, o mesmo foi assessorado por Dom Armando e pela equipe da Pastoral do Batismo da Paróquia. 
A Paróquia de Nossa Senhora do Alívio de Ituaçu está em festa! veja fotos!

ENTARDECER COM JESUS E COM MARIA - PARÓQUIA DE ABAÍRA

A Paróquia de Nossa Senhora da Saúde de Abaíra por ocasião do encerramento do mês missionário realizou no dia 26 de outubro um entardecer com Jesus e com Maria. Este encontro facilitou a veneração a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, em seguida aconteceu a Adoração ao santíssimo Sacramento seguida da Bênção com o Santíssimo, depois de algumas horas de oração, os participantes saíram visitando as famílias da comunidade da Boa Vista, local que acolheu o encontro. Veja as Fotos:

AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA FRANCISCO NA PRAÇA DE SÃO PEDRO EM ROMA - Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Continuando as catequeses sobre a Igreja, hoje gostaria de contemplar Maria como imagem e modelo da Igreja. E faço-o, retomando uma expressão do Concílio Vaticano II. Lê-se na Constituição Lumen gentium: «A Mãe de Deus é o modelo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava santo Ambrósio» (n. 63).
1. Comecemos a partir do primeiro aspecto: Maria, como modelo de fé. Em que sentido Maria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem era a Virgem Maria: uma jovem judia que, com todo o seu coração, esperava a redenção do seu povo. Mas naquele coração de jovem filha de Israel havia um segredo, que Ela mesma ainda não conhecia: no desígnio de amor de Deus, estava destinada a tornar-se a Mãe do Redentor. Na Anunciação, o Mensageiro de Deus chama-lhe «cheia de graça», revelando-se este desígnio. Maria responde «sim» e, a partir daquele momento, a fé de Maria recebe uma luz nova: concentra-se em Jesus, o Filho de Deus que dela recebeu a carne e em quem se realizam as promessas de toda a história da salvação. A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, pois nela está concentrado precisamente todo o caminho, toda a senda daquele povo que esperava a redenção, e neste sentido Ela é o modelo da fé da Igreja, que tem como fulcro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus.
Como viveu Maria esta fé? Viveu-a na simplicidade dos numerosos trabalhos e preocupações de cada mãe, como prover à comida, à roupa, aos afazeres de casa... Precisamente esta existência normal de Senhora foi o terreno onde se desenvolveram uma relação singular e um diálogo profundo entre Ela e Deus, entre Ela e o seu Filho. O «sim» de Maria, já perfeito desde o início, cresceu até à hora da Cruz. Ali a sua maternidade dilatou-se, abarcando cada um de nós, a nossa vida, para nos orientar rumo ao seu Filho. Maria viveu sempre imersa no mistério do Deus que se fez homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração, à luz do Espírito Santo, para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus.
Podemos interrogar-nos: deixamo-nos iluminar pela fé de Maria, que é nossa Mãe? Ou então pensamos que Ela está distante, que é demasiado diversa de nós? Nos momentos de dificuldade, de provação, de obscuridade, olhamos para Ela como modelo de confiança em Deus que deseja, sempre e somente, o nosso bem? Pensemos nisto, talvez nos faça bem voltar a encontrar Maria como modelo e figura da Igreja nesta fé que Ela tinha!
2. Venhamos ao segundo aspecto: Maria, modelo de caridade. De que modo Maria é para a Igreja exemplo vivo de amor? Pensemos na sua disponibilidade em relação à sua prima Isabel. Visitando-a, a Virgem Maria não lhe levou apenas uma ajuda material — também isto — mas levou-lhe Jesus, que já vivia no seu ventre. Levar Jesus àquela casa significava levar o júbilo, a alegria completa. Isabel e Zacarias estavam felizes com a gravidez, que parecia impossível na sua idade, mas é a jovem Maria que lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e que se manifesta na caridade gratuita, na partilha, no ajudar-se, no compreender-se.
Nossa Senhora quer trazer também a nós, a todos nós, a dádiva grandiosa que é Jesus; e com Ele traz-nos o seu amor, a sua paz e a sua alegria. Assim a Igreja é como Maria: a Igreja não é uma loja, nem uma agência humanitária; a Igreja não é uma ONG, mas é enviada a levar a todos Cristo e o seu Evangelho; ela não leva a si mesma — seja ela pequena, grande, forte, ou frágil, a Igreja leva Jesus e deve ser como Maria, quando foi visitar Isabel. O que lhe levava Maria? Jesus. A Igreja leva Jesus: este é o centro da Igreja, levar Jesus! Se, por hipótese, uma vez acontecesse que a Igreja não levasse Jesus, ela seria uma Igreja morta! A Igreja deve levar a caridade de Jesus, o amor de Jesus, a caridade de Jesus.
Falamos de Maria, de Jesus. E nós? Nós que somos a Igreja? Qual é o amor que levamos aos outros? É o amor de Jesus que compartilha, perdoa e acompanha, ou então é um amor diluído, como se dilui o vinho que parece água? É um amor forte ou frágil, a ponto de seguir as simpatias, procurar a retribuição, um amor interesseiro? Outra pergunta: Jesus gosta do amor interesseiro? Não, não gosta, porque o amor deve ser gratuito, como o seu. Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Tratamo-nos como irmãos e irmãs? Ou julgamo-nos, falamos mal uns dos outros, cuidamos cada um dos próprios «interesses», ou prestamos atenção uns dos outros? São perguntas de caridade!
3. E, brevemente, um último aspecto: Maria, modelo de união com Cristo. A vida da Virgem Santa foi a existência de uma mulher do seu povo: Maria rezava, trabalhava, ia à sinagoga... Mas cada gesto era realizado sempre em união perfeita com Jesus. Esta união alcança o seu apogeu no Calvário: aqui Maria une-se ao Filho no martírio do coração e na oferenda da sua vida ao Pai, para a salvação da humanidade. Nossa Senhora fez seu o sofrimento do Filho, aceitando com Ele a vontade do Pai naquela obediência fecunda, que confere a vitória genuína sobre o mal e a morte.
É muito bonita esta realidade que Maria nos ensina: estarmos sempre unidos a Jesus. Podemos perguntar: recordamo-nos de Jesus só quando algo não funciona e temos necessidades, ou a nossa relação é constante, uma amizade profunda, mesmo quanto se trata de o seguir pelo caminho da cruz?
Peçamos ao Senhor que nos conceda a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na existência de cada comunidade eclesial se reflita o modelo de Maria, Mãe da Igreja. Assim seja!

30º Domingo Comum – Ano C

Leituras
Eclo 35,15b-17.20-22a
Salmo 33 
2Tm 4,6-8.16-18
Lc 18,9-14
      Domingo passado, com a parábola do “juiz iníquo e da viúva importuna” (Bíblia de Jerusalém), Jesus nos mostrou, através do Evangelho segundo São Lucas, a necessidade de rezar sempre e nunca desistir. Neste 30º Domingo do Tempo Comum Ele nos adverte para a qualidade de nossa oração. Como rezamos? Ao rezar, sob que posição nos colocamos perante Deus? Quem conta mais na oração: nosso ego ou a vontade do Senhor? Observemos, de antemão, o que através do presidente, pedimos a Deus na oração do dia: “dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”.
      Dois personagens muito interessantes,subindo ao templo para rezar, nos servem de exemplo na parábola do Santo Evangelho de hoje: um fariseu e um cobrador de impostos. O fariseu, de pé, orgulhosamente, faz uma ilusória ação de graças a Deus, enumerando seus feitos legais e tirando vantagem sobre os outros homens; o cobrador de impostos, por sua vez, à distância e humildemente reconhece sua condição de pecador, suplicando por isso misericórdia da parte do Senhor. E o trecho de São Lucas termina nos dizendo que este último saiu do templo justificado, o fariseu, porém, não! E logo em seguida, o porquê: “quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Lc 18,14). Dois sentimentos estão em jogo: o orgulho e a humildade. Vejamos um pouco sobre um e outro.
      Se abrirmos o dicionário, procurando o significado do termo orgulho, encontraremos: “conceito elevado que alguém faz de si mesmo; amor próprio exagerado; soberba; altivez” (Minidicionário Soares Amora). Considerando-o empecilho ao progresso espiritual, Jesus sempre combatia duramente o orgulho. É o sentimento do fariseu na oração. Ele louva a Deus por sua conduta, mas no fundo está louvando a si mesmo. Não podemos dizer que ele está mentindo sobre o que afirma de si próprio, todavia não se põe na posição de servo de Deus, considerando-se, antes, merecedor da graça divina por um trabalho bem feito.
      Do termo humildade, por sua vez, encontramos no dicionário: “virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza; modéstia” (Dicionário Aurélio). O publicano da parábola tem consciência de seu pecado, sabe que não é merecedor de nenhum reconhecimento por suas obras e, por isso, “sem se atrever a levantar os olhos para o céu” (vv.13), abre-se à misericórdia de Deus. Desampara-se, dependendo do Senhor como criança que precisa dos cuidados de seus pais.Na primeira leitura, com efeito, ouvimos: “a prece do humilde atravessa as nuvens” (Eclo 35,21), por isso o cobrador de impostos sai justificado.
      São Paulo, na segunda leitura, nos dá um belo testemunho de entrega a Deus ao proferir seu “discurso de despedida”. Diferentemente da atitude do fariseu, no evangelho, o apóstolo aguarda a justiça de Deus para consigo não pelos merecimentos do que fez, mas por ter consciência de ter se doado totalmente como servo de Cristo e do seu Evangelho. Coloca-se na posição de instrumento nas mãos do Senhor e não exclui os demais: “reservada para mim a coroa da justiça... não somente a mim, mas a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” (2Tm 4,8). É também São Paulo que discute amplamente o tema da justificação (fé e obras) na carta aos Romanos, tema já presente no Evangelho.
      Também nós, em nossa vida de fé, corremos o risco de nos julgarmos melhores que os outros, e mesmo de assim nos apresentarmos perante Deus, ao estilo do fariseu da parábola: por sermos católicos e praticantes, pela devolução fiel do dízimo, por participarmos de alguma pastoral ou movimento, pelos cargos que exercemos na igreja ou na sociedade, pela nossa capacidade intelectual, por termos cumprido nosso recado, etc. Peçamos então ao Senhor, com a humildade do publicano, que nos conceda com largueza a sua graça generosa e fé forte o suficiente para dizermos: “somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17,10). Que nossa alegria e nossa recompensa sejam simplesmente “amar o que Ele ordena” (oração do dia) e servi-lo com coração desapegado e generoso. No estado do nosso coração está a qualidade de nossa oração.
Seminarista Weverson Almeida

GRATIDÃO - Mensagem do Monsenhor Pedro Olímpio para o amigo Pe. Jacques

      Prezado irmão, amigo, companheiro, Pe. Jacques.
    Obrigado por este longo tempo de boa convivência nesta amada Diocese de Livramento de Nossa Senhora. Várias vezes, em direção espiritual, nos confortávamos um ao outro. E você dava a orientação certa na hora certa. Você agora parte para a França, sua terra natal. O seu ardor missionário, sua simplicidade, o seu espírito de pobreza, sua coragem apostólica e o seu testemunho sacerdotal ficam aqui neste sertão baiano como marcas de um verdadeiro discípulo de Jesus e de um sacerdote santo.
Até nos encontrar na casa do Pai.
                                                                                     Paramirim, 22 de outubro de 2013.

                                                                                Monsenhor Pedro Olímpio dos Santos

Saudação ao Padre Jacques

      Domingo, 20 de Outubro, na Igreja Matriz, a Paróquia toda de Senhor do Bonfim de Rio do Pires estava representada por numerosos irmãos e irmãs da Cidade e das Comunidades de Base para dar uma saudação, intensa e amorosa, ao Padre Jacques. No final do mês, ele vai deixar a Paróquia por motivos de saúde e voltar à sua terra e à sua Congregação, na França.
      As mensagens e as lágrimas expressaram de maneira bonita e intensa o carinho e o reconhecimento de todos pelo generoso trabalho pastoral que, ao longo de trinta anos, o amado Padre Jacques desenvolveu, sem medir esforço, com tanta simplicidade, desapego e amor, a Deus e ao povo.

      O bispo, Dom Armando, que presidiu junto com o mesmo Padre Jacques e Padre Jucimar, destacou o sentido e a riqueza dessa presença missionária. Obrigado, Padre Jacques. Nunca iremos esquecer seus ensinamentos e seu exemplo. Nós continuaremos unidos na oração. Leva-nos e mantenha nossa caminhada em seu coração, como nós o guardaremos. Esperamos e rezamos pela sua melhora e... Quem sabe por sua futura visita. Um abraço bem apertado. Veja fotos!



ORIENTAÇÕES LITÚRGICAS E TÉCNICAS PARA O CANTO DO SALMO RESPONSORIAL

O SENTIDO E A FUNÇÃO DO SALMO RESPONSORIAL NA LITURGIA
1.    É importante lembrar que a forma musical do salmo, conforme apresentada em nosso Lecionário, é a responsorial, diferente do estilo antifonal da Liturgia das Horas. O Salmo Responsorial consiste num refrão, cantado por todos, e estrofes (divididas em versos/membros), cantadas por um solista. No início do salmo, o refrão é cantado duas vezes: a primeira vez, apenas pelo solista (tendo a função de propor a melodia para a assembleia), e a segunda vez (repetição) já é cantada por toda a assembleia. Entre cada estrofe, e ao final o refrão, é cantado sempre por toda a assembleia.
2.    As melodias dos Salmos Responsoriais devem ser sóbrias e orantes, a fim conduzir toda a assembleia a um mergulho no mistério celebrado. 
3.    O refrão deve ter melodia simples, para que a assembleia possa aprender e cantar com facilidade. Preferencialmente, que seja uma melodia silábica, com apenas uma nota por sílaba, sendo admitido algum pequeno ornamento, porém deve-se pensar sempre no texto. Evitem-se ritmos complexos ou rápidos e outros elementos que dificultem o cantar da assembleia. A melodia do refrão não deve ser nem muito aguda nem muito grave e sua tessitura vocal – a extensão entre a nota mais grave e mais aguda - não supere uma oitava ou no máximo dez notas. É importante ter um cuidado especial com a tonalidade, a fim de que favoreça a participação, tanto de vozes femininas, quanto masculinas. Quanto à participação do coral, a melodia do refrão pode ser cantada pelo coro, porém nunca sobrepor-se à voz principal que é cantada por uma das vozes do coro e toda a assembleia. A melodia do refrão priorize o texto literal do Lecionário, evitando excessivas repetições.  
4.    As estrofes (versos): é melhor que sejam cantadas por um salmista, mas também podem ser cantadas por dois ou mais cantores; porém, é sempre necessário pensar na primazia e inteligibilidade do texto.
5.    As estrofes são divididas em versos/membros, podendo cada estrofe ter 2, 3, 4, 5 ou 6 versos/ membros e, no mesmo salmo, podemos ter variações do número de versos/membros por estrofes, conforme o indicado no Lecionário.  Que o desenvolvimento da linha melódica seja claro para não dificultar a compreensão do texto cantado, e o seu ritmo deve ser o ritmo do próprio texto, algo como “falar cantando”, não se alongando demais em determinadas sílabas ou correndo com o texto em outras - estilo recitativo.
6.    O arranjo instrumental deve sóbrio e discreto. Na música ritual, cada momento exige interpretação própria conforme a ritualidade o exige. Por exemplo, no Salmo Responsorial os instrumentos quase se calam. Para o Salmo Responsorial, priorizem-se sons contínuos, que fazem uma base harmônica de sustentação para a voz que está em primeiro plano. [É preciso ter muito cuidado e bom senso no uso da percussão. Há diversos momentos da celebração que a percussão é bem-vinda (abertura, glória, aclamação, santo...)]. No Salmo Responsorial deve-se primar pela leveza e sobriedade e o seu volume nunca se sobreponha à voz do salmista e da assembleia.
7.    É importante salientar que as melodias utilizadas para o Salmo Responsorial geralmente são “melodias-tipo”, ou seja, são esquemas melódicos que podem ser adaptados ao texto de vários salmos. O melhor exemplo disso é o que consta nos hinários litúrgicos, onde a mesma melodia do Salmo Responsorial está presente por várias semanas, com a mudança apenas do texto semanal.
8.    O salmista necessita ter um mínimo de formação espiritual, litúrgico-musical e técnica:
a)   Formação espiritual – cultivar o hábito da leitura orante da primeira leitura e do salmo responsorial; saber orar com o salmo, sabo­reá-lo como Palavra de Deus para sua vida atual; saber cantar de forma orante e postura de quem está em atitude de oração.
b)   Formação bíblico-litúrgica - aprofundar o sentido literal e cristológico dos salmos; estudar cada salmo em sua relação com a primeira leitura e com o projeto de salvação de Deus.
c)     Formação musical - saber usar a voz de forma adequada, com boa dicção e até mesmo saber ler uma partitura simples; aprender as melodias dos Salmos Responsoriais; saber se entrosar com os instrumentos musicais que acompanham o canto do salmo.
d)   Formação prática - saber manusear o Lecionário e o Hinário Litúrgico; saber em que momento subir ao ambão, como se comunicar com a assembleia, como usar o microfone; conhecer os vários modos de se cantar o salmo.      
Comissão Pastoral para a Liturgia da CNBB – Setor Música e Canto Pastoral

                                                      

Encontros e celebrações em algumas Paróquias.

No dia 19, celebração com as crianças, seus familiares e catequistas na comunidade Sede da Paróquia de Santo Antônio de Paramirim. A celebração foi presidida por Dom Armando. Confira fotos!
No dia 20, encontro com os crismandos das comunidades Sede e Santa Terezinha da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento. O encontro foi conduzido por Dom Armando. Veja fotos!


ENCONTRO DE LITURGIA NOS VICARIATOS NOSSA SENHORA DO ALIVIO E NOSSA SENHORA DO CARMO

      Nos dias 13 e 14 de julho a Paróquia Nossa Senhora do Alivio, em Ituaçu, tornou-se centro de acolhida para as demais paroquias deste vicariato para a realização do encontro de liturgia, oferecido pelo setor diocesano deste departamento. O encontro contou com a presença de fiéis provindos das sedes paroquiais e de maneira muita especial, das comunidades da zona rural. Marcou presença o Pe. Adil, que com fraternidade disponibilizou e mobilizou, com auxílios de leigos e ligas dedicados, a paróquia. Veja fotos!
      Nos dias 19 e 20 de outubro foi a vez do Vicariato Nossa Senhora do Carmo, na paróquia de Santa Luzia, em Ibipitanga. Além da participação das demais paroquias com suas respectivas comunidades, o Pe. Idérico Santana Pinto, vigário foraneo, também se fez presente, alegrando e incentivando a coordenação e os participantes a aproveitarem este tempo de graça. Veja fotos!
      Durante estes encontros, algo que muito alegra os organizadores é a participação das pessoas, favorecendo um encontro fraterno e dinâmico, no qual todos podem tranquilamente expor suas duvidas e dar suas contribuições.
      Os encontros são estruturados para favorecer a espiritualidade, deixando largo espaço para a oração da Liturgia das Horas e a Celebração da Santa Missa, bem como facilitar a troca de experiências das diferentes realidades de nossas comunidades.
As paróquias que nos acolheram, nossa gratidão e sinceras orações.

Pastoral Litúrgica

Festa da Aliança do Amor na Catedral de Livramento de Nossa Senhora

O Movimento Apostólico da Mãe Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento realizou a Festa da Aliança do Amor. Antes da festa, foram realizados encontros nas comunidades rurais e o Tríduo preparatório, que aconteceu na Catedral, nos dias 15, 16 e 17 de outubro, com a celebração da missa solene, dia 18, presidida por nosso bispo Dom Armando e o nosso Pároco Pe. Ademário. Foi uma festa muito bonita e participada. Veja outras fotos!







DIA NACIONAL DE VALORIZAÇÃO DA FAMÍLIA







Caros bispos e agentes da família, Paz!
No Brasil, o dia 17 de maio de 2012, a Lei nº 12.647, foi instituído como o Dia Nacional de Valorização da Família. A data é comemorada, anualmente, no dia 21 de outubro, em todo o território nacional.
Todos os brasileiros são convidados a aproveitar este dia em favor da evangelização da família brasileira, promovendo atividades e eventos que sinalizem nossa adesão católica. Este dia pode tornar-se um precioso recurso para promover a Família como espaço privilegiado e insubstituível para que um homem e uma mulher possam, através do matrimônio, gerar e educar seus filhos. (cf. Carta às Famílias,10) no exercício da família cidadã.
A Gaudium et Spes ( 41) descreve a situação que encontra-se a família, e exorta-nos que o"bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar. Por esse motivo, os cristãos, juntamente com todos os que têm em grande apreço esta comunidade, alegram-se sinceramente com os vários fatores que fazem aumentar entre os homens a estima desta comunidade de amor e o respeito pela vida e que auxiliam os cônjuges e os pais na sua sublime missão. Esperam daí ainda melhores resultados e esforçam-se por os ampliar. Porém, a dignidade desta instituição não resplandece em toda a parte com igual brilho. Encontra-se obscurecida pela poligamia, pela epidemia do divórcio, pelo chamado amor livre e outras deformações. Além disso, o amor conjugal é muitas vezes profanado pelo egoísmo, amor do prazer e por práticas ilícitas contra a geração. E as atuais condições econômicas, sóciopsicológicas e civis introduzem ainda na família não pequenas perturbações. Finalmente, em certas partes do globo, verificam-se, com inquietação, os problemas postos pelo aumento demográfico. Com tudo isto, angustiam-se as consciências. Mas o vigor e a solidez da instituição matrimonial e familiar também nisto se manifestam: as profundas transformações da sociedade contemporânea, apesar das dificuldades a que dão origem, muito frequentemente revelam de diversos modos a verdadeira natureza de tal instituição".
Diante desse olhar tão atual a Gaudium et Spes (52) convida as pessoas de boa vontade, em especial os cristãos a anunciar e empenharem-se na construção da família  "como que uma escola de valorização humana. Para que esteja em condições de alcançar a plenitude da sua vida e missão, exige, porém, a benévola comunhão de almas e o comum acordo dos esposos, e a diligente cooperação dos pais na educação dos filhos. A presença ativa do pai contribui poderosamente para a formação destes; mas é preciso assegurar também a assistência ao lar por parte da mãe, da qual os filhos, sobretudo os mais pequenos, têm tanta necessidade; sem descurar, aliás, a legítima promoção social da mulher. Os filhos sejam educados de tal modo que, chegados à idade adulta, sejam capazes de seguir com inteira responsabilidade a sua vocação, incluindo a sagrada, e escolher um estado de vida; e, se casarem, possam constituir uma família própria, em condições morais, sociais e econômicas favoráveis. Compete aos pais ou tutores guiar os jovens na constituição da família com prudentes conselhos que eles devem ouvir de bom grado; mas evitem cuidadosamente forçá-los, direta ou indiretamente, a casar-se ou a escolher o cônjuge.
A família - na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social - constitui assim o fundamento da sociedade. E por esta razão, todos aqueles que têm alguma influência nas comunidades e grupos sociais, devem contribuir eficazmente para a promoção do matrimônio e da família. A autoridade civil há de considerar como um dever sagrado reconhecer, proteger e favorecer a sua verdadeira natureza, assegurar a moralidade pública e fomentar a prosperidade doméstica. Deve salvaguardar-se o direito de os pais gerarem e educarem os filhos no seio da família. Protejam-se também e ajudem-se convenientemente, por meio duma previdente legislação e com iniciativas várias, aqueles que por infelicidade não beneficiam duma família.
Feliz Dia Nacional de Valorização da Família! Que a Sagrada Família abençoe as nossas famílias.
 Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari-BA
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família

29º. Domingo do Tempo Comum - Ano C

Leituras:
1 ª Leitura: Ex 17, 8-13
Salmo  120
2ª Leitura: 2Tm 3,14-4,2
Evangelho: Lc 18, 1-8

“Mas, o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

           Nosso Mestre e Senhor ensina-nos o valor da oração e quão necessitados somos de estar sempre orantes: “Rezai sem cessar”, este pedido do Cristo Jesus, hoje é acompanhado com uma comparação – parábola.
            A Oração é uma comunhão de vida, num diálogo entre Deus e a criatura. Uma comunhão que faz com que a criatura sinta a mão protetora de Deus, a realizar sua justiça. Esta comunhão gera na pessoa um sentimento de confiança e gratuidade.
            A confiança nos leva a professar incondicionalmente a fé em Deus-amor. Resistindo as tentações de buscar falsas ‘seguranças’, oferecidas por tantas vias neste mundo. A oração de um coração confiante eleva o fiel a compreender que a vida em Deus não é a exclusão de sofrimentos, de necessidades ou tribulações, mas que a prece confiante nos fará entender, que o convívio com Deus não é, necessariamente a exclusão de tais sofrimentos, antes é a graça fortificante que nos é dada para superarmos, sem sucumbir ou esmorecer diante das vicissitudes da história humana. Esta confiança nos transformará em cristãos e cristãs, missionários e missionárias da esperança; Capazes de não só repetir uma prece de pedidos, mas de assumi-la com o desejo de resistir sempre, sem jamais desanimar, tendo os nossos olhos abertos “para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs”, que nos inspira “palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos” (prece eucarística VI-D).
            A gratuidade que a oração gera em nós nos impulsiona a não tratarmos Deus como um todo-poderoso que estar continuamente a nossos dispor, fazendo tudo que queremos ou que achamos precisar. Este sentimento, ao contrário, produzirá em nós um hino de louvor, pelas maravilhas que no ser humano, em sua infinita misericórdia Deus realiza. Se é verdade que nos tempos atuais somos tentados em trocar a confiança no Deus verdadeiro, por tecnologia, pelo próprio homem, pelas armas, pelo dinheiro, pela fama ou poder, não é menos verdade que o perigo de transformarmos a religião numa máquina monetária, num materialismo/capitalismo, numa troca de bens espirituais por materiais, nos ronda constantemente. E esta tentação se apresenta por tantas pessoas que se aproveita da fé dos simples e humildades para comercializar, graças, benção e milagres, o que se torna algo muito fácil, diante do desespero que atinge os sofredores, marginalizados e excluídos de seus direitos humanos.
            Contra esta tentação o salmista vem em nosso favor conduzindo-nos numa prece orante: “Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e a terra” (Sl 120); não é de qualquer senhor, mas sim do Deus que faz “justiça aos seus escolhidos”, e tal justiça vem da benevolência de Deus, de sua gratuidade; é por Deus ser bom e justo que a nossa prece carece ser igualmente boa, confiante nesta imensa misericórdia que a todos Ele oferece; e igualmente justa pedindo não somente por nós, mas em favor de todos, a exemplo de Moisés, que se torna o intercessor do povo (1ª. Leitura).
            A oração gratuita nos levará pela graça divina a estarmos sempre a disposição do Deus altíssimo, e a servi-Lo de todo coração (oração do dia), na escuta orante e fiel da Escritura que ensina, corrige e educa na justiça nos tornando perfeitos e qualificados para toda boa obra. (cf. 2ª. Leitura). A oração pela qual, a justiça de Deus se realiza em nós, nos impulsionará a sermos missionários da Palavra, proclamando-A com insistência oportuna ou inoportuna, argumentado e aconselhando, com paciência e doutrina.

Pe. Gonçalo Aranha dos Santos

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2013 (20 de Outubro de 2013

Queridos irmãos e irmãs, este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.
1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação conosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus nos ama! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. “O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial”(Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham conosco o caminho da vida.
2. Celebrado cinquenta anos depois do início do Concílio Vaticano II, este Ano da Féserve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada batizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: “Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações” (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas ‘testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo’ (At 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de “dar também testemunho perante as nações”, perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.
3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: “Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade” (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um ato isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, “quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um ato de Igreja”. Ele não age “por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma” (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.
4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos mídias misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns batizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma “nova evangelização”. A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários sectores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.
5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros fidei donum, aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus ‘ide, pois, fazei discípulos de todos os povos’ (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária ad gentes e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.
Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, ‘contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé’ (At 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de ‘restituição’ da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.
Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas atuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).
Bento XVI exortava: “Que ‘a Palavra do Senhor avance e seja glorificada’ (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fétornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro” (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar “a suave e reconfortante alegria de evangelizar” (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).
Vaticano, 19 de Maio - Solenidade de Pentecostes - de 2013.
 FRANCISCO

Papa pede para que cristãos vivam a fé de modo concreto


“A Igreja é a casa onde as portas estão sempre abertas”, disse o papa Francisco aos participantes da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. O encontro com o pontífice ocorreu segunda, dia 14. Em seu discurso, Francisco chamou a atenção para a importância do testemunho, da urgência de ir ao encontro do outro, e do projeto pastoral centrado no essencial. 
De acordo com o papa, nos tempos atuais há uma indiferença com relação à fé, que para alguns não é considerada importante para a vida humana. O pontífice recordou que muitas pessoas têm se afastado da Igreja. “Diante desta situação, os cristãos devem fazer visível aos homens de hoje a misericórdia de Deus, sua ternura para todas as criaturas”, afirmou. Disse que a Igreja precisa acolher a todos e ajudá-los a “respirar o amor e a esperança”, mas também é necessário “sair e levar este amor e esta esperança”. Pediu, ainda,  para que os cristãos mostrem um modo concreto de viver a fé, por meio do amor, harmonia, alegria, sofrimento. 
Francisco encorajou os participantes do encontro a saírem em busca daqueles que perderam a fé e o sentido profundo da vida. “A Igreja é enviada para despertar esta esperança, especialmente em lugares marcados por condições difíceis, às vezes desumanas, onde a esperança não respira, se asfixia. Necessitamos do oxigênio do Evangelho, do sopro do Espírito de Cristo Ressuscitado, para que volte a reascender a esperança nos corações”, acrescentou.
Fonte: http://www.cnbb.org.br