Breve mensagem na ocasião da renúncia de papa Bento XVI



Queridos irmãos e irmãs, a notícia já se espalhou em todo canto da terra: o papa Bento XVI, a partir do dia 28 de fevereiro, vai renunciar ao serviço de bispo de Roma e papa da Igreja católica.
Algo inesperado e impensado. O que o amado papa decidiu – como ele mesmo explica – depende das diminuídas forças físicas para exercer seu ministério.
Mais uma vez, este grande homem de Deus, proporciona à sua e nossa Igreja, um ensinamento que permanecerá. Como defini-lo? Com certeza, trata-se de um gesto de profunda humildade, verdadeiro desprendimento e grande amor. Amor, antes de tudo, a Jesus Cristo, do qual procurou ser ‘servo fiel’; à Igreja, que dirigiu com sabedoria, coragem e simplicidade; a cada pessoa que reflita e pretenda exercer seu ‘cargo’ nas diferentes realidades – não só eclesiais – no sentido que todo encargo tem.
Com sua escolha, o papa ensina que ninguém deve se achar indispensável em seu ‘ministério’, e que o poder não é dado para se promover ou enaltecer, mas só pelo bem dos outros. Vem logo à memória o que disse Jesus: “Somos servos inúteis (talvez, possamos dizer: ‘não indispensáveis’), fizemos apenas o que devíamos fazer’ (Lc 17,10).
Nesse sentido, o exemplo de Bento XVI é profundamente evangélico e deixa uma mensagem muito forte, para todos - começando por nós Bispos, Padres e Líderes; é convite profético para analisarmos nosso estilo de vida no exercício de todo poder.
Quero, através desta pequena mensagem, expressar gratidão ao amado papa que tive oportunidade de encontrar de perto três vezes em Roma e reconhecimento pela firmeza, competência e doçura em conduzir a Igreja católica neste tempo tão difícil.
Rezemos agradecendo e também pedindo a Deus para que o Divino Espírito ilumine na escolha do Sucessor e esse tenha força e coragem para manter unida nossa Igreja na fidelidade ao Evangelho de Jesus.

Dom Armando Bucciol, bispo diocesano