“Feliz de quem tem na vida mil razões para viver”


Com essas palavras belíssimas do saudoso Dom Hélder Câmara, nesta semana, tenho, ainda, outro filme para indicar.
Eu te sugiro...
Assista “A vida é bela”.
A vida é bela é uma comédia dramática, produzida na Itália em 1997, que retrata, justamente, a Itália dos anos 40, período da 2ª guerra Mundial. O protagonista é Guido (Roberto Benigni), um típico judeu, que leva a vida de forma simples, espontânea e feliz.
Toda a história começa em torno desse jeito espirituoso de ser de Guido, que se apaixona por Dora (Nicoletta Braschi), uma jovem professora italiana, que já estava comprometida com um burocrata fascista.
Com toda a sua astúcia, perspicácia e inteligência, Guido conquista o coração de Dora, que abandona o noivo e se casa com ele. Dessa união, nasceu Josué (Giorgio Cantarini), um menino doce, que sempre recebeu muito amor dos pais.
Nesse momento, tem início a segunda parte do filme. Quando Josué completa cinco anos, Guido é levado com o filho para um campo de concentração nazista. Dora, apesar de não ser judia, decide acompanhá-los.
Diante da situação, Guido tenta proteger o filho da dura realidade. É quando tem a ideia de dizer a ele que tudo aquilo que se vê faz parte de um jogo, e que os dois entraram para jogar e ganhar. Ele diz a Josué que o grande prêmio será um tanque de guerra de verdade, já que menino gostava muito de seu tanque de brinquedo; que os outros que estavam indo no mesmo trem eram seus adversários e os nazistas os “fiscais” das regras do jogo. Enquanto isso, Dora, que estava na parte das mulheres, na verdade, estava “acompanhando o jogo”. Para vencer seria preciso marcar 1.000 pontos, através de tarefas muito pesadas, e que as crianças tinham um papel fundamental de ficarem caladas e escondidas.
Para sustentar essa fantasia, Guido passa por situações muitos difíceis. No entanto, o amor por seu filho e por sua esposa lhe garantem a beleza da vida, o que faz com que ele tenha forças para mostrar ao seu filho também essa beleza. Assim, ao tempo em que sofre os horrores de tal situação, cria um universo fantástico onde vive com o menino.
Tudo coincide para que Josué acredite que aquilo tudo é mesmo um jogo. Uma cena muito bonita é quando Josué, que não estava achando graça nenhuma em ficar o tempo todo escondido, diz ao pai que quer ir embora. Com naturalidade, Guido diz: “nesse caso, então, vamos embora. Ninguém nos obriga a ficar aqui”. E sai, de mãos dadas com o menino, “despedindo-se” dos amigos, e dizendo: “Amigos, Josué e eu estamos indo embora. Não queremos ficar mais. Estamos desistindo do jogo. Tchau. Até mais”. Ao ouvir o pai falar, assim, de um jeito conformado, depois do “grande esforço pelo tanque”, Josué desiste da ideia. Decide continuar no “jogo”.
Nessa segunda parte do filme, todo o estilo cômico da primeira parte dá lugar ao drama. A emoção “toma conta” diante de todo o contexto de horror ali representado. Todas as vezes que Guido tem trabalhos forçados para realizar, ou a cada cena violenta que são obrigados a presenciar, ele fala para Josué: “Essa foi outra etapa do jogo, e nós vencemos mais essa! Estamos à frente de todos os adversários. Por isso é que estão nos olhando com essa cara feia. Falta pouco pra gente ganhar!”.
Há quem diga que o filme não teria prejuízo se fosse tirada a primeira parte. Não me parece ser uma constatação verdadeira. A primeira parte do filme é importante não só para entender como as pessoas viviam bem antes de todo aquele horror, mas também para entender a atitude de Guido frente à vida. Se não, pareceria muito forçada, na segunda parte, a sua boa vontade e a sua crença em uma vida bela. O que não foi o caso. O filme mostrou muito bem que o amor é mesmo essa força que nos dá impulso para viver. Que a vida é maior do que as nossas dores, do que as nossas dificuldades, do que o nosso sofrimento. É como se diz: “quem ama acha a saída. Quem tem um por que viver, encontrará um como”.
Por isso, se tiver oportunidade, não deixe de assistir ao filme, que, como diz cartaz de apresentação, é uma prova de que amor conquista tudo. “O amor é uma faísca de Deus”, diz o livro do Cântico dos Cânticos (Ct 8,6), que nos inspira a dizer que amor é mais forte do que a morte, e é o cântico mais belo da vida.
Um ótimo filme!
Raiana Cristina Dias da Cruz.
REFERÊNCIA:
A VIDA É BELA. Itália: Roberto Benigni (Direção) e Vincenzo Cerami e Roberto Benigni (Roteiro). Laurenfilm, 1997. 01 DVD (120mim.). Título original: La vita è bella.