3º DOMINGO DO ADVENTO


Leituras:
Sof 3,14-18
Sl Is 12
Fl 4,4-7
Lc 3,10-18
            Queridos irmãos e irmãs, na expectativa da chegada de nosso Deus-Menino, celebramos hoje o terceiro domingo do advento, o domingo da alegria. “Alegrai-vos sempre no Senhor”, convida-nos o Apóstolo a acendermos a terceira vela. No primeiro domingo acendemos a vela da fé, pois o Senhor nos chamava a vigiar e orar sempre; no segundo domingo a vela da esperança que nos faz levantar a cabeça e não nos entregarmos as desilusões, mas a retirar as vestes de luto e numa continua conversão realizarmos o encontro com o Emanuel. Nesta solene liturgia que ora celebramos acendemos a vela da alegria. A fé, a esperança e agora a alegria são frutos que melhor nos conduzem ao encontro e a vivência com o Cristo Jesus que vem. A expectativa do encontro aumenta, pois nos preparamos de maneira real, ou seja, não cumprimos um mero rito anual, mas no tempo litúrgico do advento verdadeiramente devemos nos preparar de todo o coração para acolher Deus que vem e quer nascer diariamente em nossa vida. Portanto a alegria que nos invade não é algo passageiro ou um simples sentimento, mas esta felicidade preenche todo o nosso ser, é capaz de dar sentido e orientar nossos passos. Exultar, cantando alegres, como nos convida o salmista é professar com todas as forças que o nosso Deus vem para nos libertar das trevas da escravidão, dos vícios e de qualquer limitação que nos impeça de sermos sacramentos vivos de Cristo num mundo que busca a todo custo a alegria, mas como não busca na única fonte que é Deus, sempre encontra um “contentamento descontente”; uma alegria que não preenche, que não anima e que mais rápido que a erva no campo murcha. Bem outra é a sorte dos que no Senhor se alegram, porque não sentem uma sensação de bem estar apenas, mas descobrem que a alegria do Senhor é o programa exato para se viver; que no Senhor a alegria não exclui sofrimentos, nem limitações humanas, mas incluir força e ânimo para vencer todos os obstáculos que se apresentam diante de nós. Uma alegria real que transforma a vida, que atrai ao coração de Deus, que nos faz experimentar a “shekinah”, a habitação de Deus. Outro aspecto desta alegria é a força de nos introduzir na realidade humana e divina. Ela não ilude, não nos lança fora do tempo, não nos anestesia. A alegria desejada nos tempos atuais deve oferecer tudo isso. Quando as pessoas estão alegres devem esquecer suas condições verdadeiras e serem levadas para um “outro mundo”, ao contrário, a alegria que vem Deus nos conduz a uma vivência real aqui neste mundo nos atraindo sempre para a contemplação do Deus vivo e verdadeiro. Por isso surge a figura de João Batista, que nos apresenta a um batismo de conversão, uma indicação para abandonar a injustiça, os vícios e outros males, para que de coração aberto e purificado consigamos “chegar às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia”, como rezamos na oração do dia.  
Pe. Gonçalo Aranha dos Santos