SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS


LEITURAS: 
Ap 7,2-4.9-14
Sl 23
1Jo 3,1-3
Mt 5,1-12a


A liturgia de todos os santos quer nos aprofundar na compreensão, mas sobretudo, vivência da santidade. Afirmamos na profissão do símbolo de fé: creio na comunhão dos santos. A princípio este termo nos faz lembrar os homens e mulheres que foram reconhecidos pela Igreja como santos e, por isso, são honrados em nossos altares... mas, a santidade pode ser considerada de um aspecto muito mais amplo. No primeiro testamento, ser santo é característica exclusiva de Deus. Diante da santidade plena de Deus o homem lhe devia ter respeito e temor. Em Jesus Cristo, o Deus-Santo de Israel, esta santidade é compartilhada com sua Igreja através dos sacramentos e da palavra. Dessa maneira, todos os fiéis são chamados a participar desta santidade, e isto é tão claro nos primeiros anos do cristianismo que os irmãos de fé se tratavam de “os santos”. Esta santidade não pode ser entendida como puro fruto de um esforço humano. É, antes de tudo, dom de Deus e resposta do homem ao seu chamado. Não se trata de um benefício distribuído a privilegiados, mas todos são chamados a experimentar da santidade em Cristo Jesus que deve ser alimentada nos caminhos sacramentais da Igreja e na escuta cotidiana da Palavra. A santidade é uma iniciativa divina que assume o ser humano na sua totalidade e o coloca em condições de atuar no mundo como porta-voz de sua graça santificante. Ser santo é aproximar-se de Deus, assumir uma participação na própria vida de Deus e, isso se dá quando se assume a consciente participação na comunidade de Cristo. O livro do Apocalipse tomado como primeira leitura é carregado de uma abundância simbólica impressionante. Apresenta-nos o simbolismo dos 144 mil, o total das tribos de Israel em sua plenitude 12x12 indicando todos os povos da terra no tempo pleno de Deus, mil. Aponta para uma santidade de todos os povos e raças que encontram a sua perfeição no sacrifício do Santo dos Santos. Todos que se aproximam do sangue do Cordeiro são santificados. Na Primeira Carta de João vemos que é desígnio de amor do Pai que nós, seus filhos encontremos em Jesus Cristo o caminho para a purificação plena, uma compreensão de santidade. No Evangelho caminhamos pelas bem-aventuranças ditadas por Jesus e compreendemos que não precisamos ser privilegiados para viver a santidade, todos são chamados a este estado de vida e devem aperfeiçoar-se em configurar suas vidas à vida de Cristo. A bem-aventurança, a felicidade, a santidade prometida por Jesus é oferecida àqueles que confiam e seguem os seus passos no caminho da salvação. Olhemos para os homens e mulheres de nossas comunidades que doam suas vidas em favor do evangelho, que enfrentam as dificuldades da missão para testemunhar um Cristo vivo e ressuscitado, que transmitem em seus rostos a alegria de quem segue a Deus e que sejamos também nós impulsionados a abraçar este espírito de fé e santidade.
Pe. Jucimar Pereira Lima