SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO


Leituras
Dn 7, 13-14
Sl 92(93)
Ap 1, 5-8
Jo 18, 33-37

            Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo Jesus nosso Pastor, graça e paz vos sejam concedidas da parte de Deus nosso Pai. Animados pela graça da Trindade Santíssima, que acolhe nossa oração e trabalhos pastorais qual incenso perfumado que sobe aos céus, celebramos a solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Nesta celebração, bendizemos ao Senhor por cada um de nossos leigos e leigas que assumem na gratuidade e no amor-doação a graça do santo batismo e se colocam na Igreja, quais operários da vinha do Senhor, nos diversos campos pastorais de nossas paróquias e comunidades. As sagradas escrituras que ouvimos nesta liturgia nos convidam a reconhecermos o reino de Cristo em nossa história e em nossas vidas. Um reino que não é deste mundo, mas que entra neste mundo e por amor, busca restaurá-lo, pois “Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai” (Ap 1, 5b-6), Ele nos revelou, com a vida e a palavra, um Deus soberano que nos governa e atrai todas as coisas para si no amor. Um reino que é baseado na justiça, na partilha, na compreensão e na acolhida; um reino que não se sustenta na tirania, na corrupção, na compra e venda de votos; um Reino que tem como partícipe principal o ser humano. Um Reino que, no Cristo Jesus, se torna material, mas nunca materialista. Contemplar o Filho do Homem e servi-Lo significa testemunhá-Lo e, sem medo e ilusões, trilharmos os seus caminhos. Reconhecer Jesus Cristo como nosso Rei deve ser para nós um exercício diário, pois constantemente somos tentados a adorarmos e a prestarmos tributos a falsos senhores, que podem até nos dar certas comodidades, algumas garantias de poder neste mundo ou, ainda mais, corremos o risco de criarmos um Rei a nosso gosto, manipulável e que está sempre pronto a realizar os nossos desejos. Ao questionamento de Pilatos no evangelho de hoje, Jesus responde de forma direta “Estás dizendo isso por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?” (Jo 18, 34), essa resposta do Senhor deve ser para cada um de nós transformada num questionamento: celebramos hoje o reino de Jesus Cristo porque, conduzidos pelo ano litúrgico, realizamos uma experiência pessoal e comunitária com Ele, ou simplesmente porque cumprimos mais um ritual celebrativo? Portanto, amados e amadas do Pai, não basta celebrar Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, antes é preciso que o reconheçamos de fato, que sejamos capazes de nos entregar a Ele e ao seu Reino. Esse reconhecimento não se dá por meio de simples palavras, mas por uma entrega constante e corajosa de nossa existência a Ele. Entrega essa que se traduz nos diversos serviços, nos quais somos convidados a realizar a obra de um evangelista, ou seja, anunciar, apontar e seguir o Cristo como nosso único amor e único Rei. Neste seguimento, não nos esqueçamos de bendizer ao Senhor da Vinha por tantos homens e mulheres que se deixaram seduzir pelo Cristo e se colocam à disposição do Evangelho, da Igreja e da sociedade para a construção de um mundo que se identifique com o Reino Celeste. Louvamos e glorificamos ao nosso Rei pelos nossos leigos e leigas que, espalhados em nossa Igreja, assumem com amor e dedicação os muitos serviços pastorais, ao lado nos nossos pastores. E que o testemunho destes possa encantar sempre mais pessoas para participarem já aqui neste mundo de um Reino de amor e partilha que será consumado no coração do Pai na glorificação celeste.

Pe. Gonçalo Aranha dos Santos