Dinheiro... pra que dinheiro?


É assim que canta Martinho da Vila na música Pra que dinheiro?: “Dinheiro, pra que dinheiro?... Em casa de batuqueiro, quem fala alto é viola...”
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Leia “A árvore que dava dinheiro”. Trata-se de uma narrativa alegórica do escritor Domingos Pellegrini, que é paranaense, de Londrina, nascido em 23 de julho de 1949. Ele é formado em Letras e em Jornalismo e foi presidente da Comissão para a Anistia de Direitos Humanos de 1978 a 1979. Em 1977 recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura por seu livro “O homem vermelho”.
Pellegrini confessa que adora escrever para jovens e que gosta de transmitir a sua mensagem para eles a partir de fábulas e narrativas fantásticas. Tanto que foi capaz de imaginar uma árvore que dá dinheiro, contrariando um ditado popular que diz: “dinheiro não nasce em árvore”.
A história, que é engraçadíssima, se passa na pacata cidade de Felicidade. Um dos seus habitantes é um velho rico, mas avarento que, para economizar, almoça feijão com chuchu e janta chuchu com arroz. Um dia ele morreu e, e embora, em vida, nunca tivesse dado nada a ninguém, deixou como herança para o povoado três sementes, solicitando que elas fossem plantadas na praça numa cerimônia pública. Das três, só uma ‘vingou’. Essa foi regada por um cachorro e brotou. Só que, em vez de flores, apareceram notas de dinheiro.
Os primeiros que colheram o dinheiro, não contaram a ninguém; gastaram-no e ficaram vigiando, esperando mais. Como a árvore “floresceu” bastante, todos puderam usufruir dela. Mas ninguém compartilhava o “barato” com o vizinho. Os amigos nem conversavam mais entre si. Eram estranhos uns com os outros. Começaram as brigas; o dinheiro se tornou o bem mais precioso para eles. A população ficou desorientada, sem saber o que fazer com a sua fortuna. Foi aí que a cidade de Felicidade experimentou a tristeza.
Chegou a um ponto que as pessoas não aguentaram mais. E desejaram que tudo fosse mais simples Queriam, apenas, se deliciar com frutos suculentos da árvore, desfrutar da beleza das flores e serem felizes.
O desfecho dessa história maluca você pode conferir no livro, cuja referência segue logo abaixo.
Pellegrini não fala, diretamente, ao leitor sobre a lição de moral. Mas, é a própria história que provoca a reflexão, que faz o leitor perceber a importância da generosidade, não a doação daquilo que não faz falta ou que já ia mesmo para o lixo, mas a verdadeira caridade, aquela da pobre viúva do evangelho, que deu pouco, mas deu tudo o que possuía.
Aqui vale o ensinamento do escritor francês Alexandre Dumas Filho em A dama das Camélias: “Não estimes o dinheiro nem mais nem menos do que ele vale. Ele é um ótimo empregado, mas um péssimo patrão”.
De fato, o dinheiro está para servir ao homem, e não o contrário. O livro é uma metáfora da sociedade capitalista, e alerta para os perigos do consumismo, que conduzem para outros ‘ismos’ de nosso tempo: o individualismo, o relativismo, e por aí vai. O ser humano não pode esquecer que foi criado para viver e fazer viver plenamente. Já dizia Blaise Pascal: “Eu só gosto do dinheiro porque ele me dá a possibilidade de ajudar os outros”. Somos imagem e semelhança de Deus e isso já faz de nós pessoas valiosas. Pra que dinheiro? O valor inestimável da humanidade está no amor que as pessoas precisam cultivar mutuamente. Um verdadeiro tesouro!
Uma ótima leitura!
Raiana Cristina Dias da Cruz.
REFERÊNCIA:
PELLEGRINI, Domingos. A árvore que dava dinheiro. São Paulo: Ed. Ática, 2001. (p. 104).