A SEMENTEIRA DA VERDADE

Na celebração da Solenidade de Todos os Santos fiquei meditando a imensa benevolência do Senhor em nos convidar a participar de sua glória. O mistério de salvação foi multiplicado nos quatro cantos da terra graças às sementes, não apenas lançadas, mas, geradas por estes homens e mulheres. Na verdade a eficácia de sua missão demonstra que além de semearem as sementes do evangelho os santos souberam, a partir da seiva inesgotável que é Jesus, produzir frutos e, destes, novas sementes. No entanto nem todas germinaram. Muitas sequer chegaram a terra, pois poucos disseminam seus dons além da escassez de corações que cultivam a palavra até que dê frutos em suas vidas assim como na missão particular e universal do anúncio e testemunho do reino. Mesmo que nem toda semente alcance seu fim que é brotar, crescer e dar fruto, o Senhor anima os missionários com a promessa de que sua palavra não falha e não volta a si sem produzir o que proclama. Por isso seus santos saíram a semear em toda a terra (Mt 13, 3), em todos os corações, sabendo que por maiores que sejam os sofrimentos que este ofício impõem “os que lançam as sementes entre lágrimas ceifarão com alegria”(Sl 125, 5), e demonstrando sua fidelidade até a morte ("Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." - Jo 12,24) transmitiram vida semeando, produzindo e transformando a si mesmos em sementes. Com humildade de coração nenhum mérito atribuíram as suas capacidades humanas, mas à graça de Deus (Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem fazia crescer I Co 3, 6). Tudo para que a vida fosse plena, pois: “Numa só semente de trigo há mais vida do que num montão de feno” (Kahlil Gibran). Agradeçamos então ao Senhor por tão numerosos intercessores e peçamos que a seu exemplo também nós possamos humildemente ser seus ramos. A Ele que é sementeira perene e colheita sem fim, toda glória pelos séculos dos séculos. Amém!
Adriano Bonfim Pereira
2º ano de Filosofia