32º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Leituras:
1Reis 17, 10-16;
Salmo 145;
Hebreus 9,24-28;
Marcos 12,38-44.
Duas viúvas pobres, pessoas insignificantes aos olhos de todos, tornam-se, segundo Jesus, exemplo de verdadeiras discípulas. O ser humano olha as aparências, Deus vê o coração (cf. 1Sam 16,7). Diante d’Ele o que vale não é o quanto você dá, mas a intensidade do amor, que leva a dar sem medida. Esse o amor das duas viúvas hoje protagonistas da Palavra que escutamos na Liturgia. A primeira viúva aparece na história do profeta Elias (IX século antes de Cristo). É tempo de grande seca, a morte atinge muitas pessoas, mas ao profeta que lhe pede água e pão, ela dá tudo o que tem, sem pensar em se mesma. E aconteceu que, depois que comeram o profeta, ela e o filho, a farinha da vasilha não acabou, não diminuiu o óleo da jarra, demonstrando que Deus nunca se deixa vencer em generosidade! Outra viúva é aquela que Jesus vê junto ao cofre das esmolas no Templo de Jerusalém. Com olhar atento Jesus observa os ricos fazendo grandes doações e enxerga também a pobre viúva que dá duas insignificantes moedinhas. Quem deu mais aos olhos de Deus? Os primeiros que deram do que tinham de sobra ou a segunda que na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver? Onde as pessoas vão para se encontrar com Deus – no Templo - também aí pode entrar a vaidade, o desejo de superioridade e as manias de grandeza! Jesus denuncia: quem agir assim já recebeu a sua recompensa (Mt 6,2)! Aos seus seguidores Ele ensina o que faz a diferença. Amar é partilhar, antes de tudo, o que somos! Não adianta perguntar se a Deus é preciso dar muito ou pouco. Ele pede... tudo o que somos! O amor exige partilha, sem cálculos, sem mais ou menos mas generosidade de coração. Exemplo disso é o mesmo Jesus. Ele está concluindo sua caminhada terrena; está chegando a Jerusalém onde será preso, torturado e morto. Ele ensina o que ele mesmo faz: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas se morre, produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a (Jo 12,24-25); Ele não se apegou ao seu ser igual a Deus, (Fil 2,6) ma humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz (Fil 2,8). A pobre viúva é sinal evidente do que Ele vai fazer, por que não existe amor maior que dar a vida (Jo 15,13! Por isso, Jesus demonstra suas preferências pelos pequenos e pobres, neles se identifica, eles declara ‘bem aventurados’ e filhos do Pai e, desde já, possuidores do Reino. Suas advertências são muito importantes para nós. Naqueles ricos fariseus tão prepotentes e ousados (Eles gostam de andar com roupas vistosas... fingem fazer longas orações), aparece algo que está presente no coração de cada um(a); o perigo da vanglória e das humanas vaidades é ameaça para todos. Cuidado, alerta-nos Jesus, este não é o caminho certo para alcançar felicidade. Precisa vencer a prática superficial de uma religiosidade puramente exterior: de nada adianta! Jesus aos seus discípulos ensina: ‘não façam isso’, e o apóstolo Paulo a uma sua comunidade escrevia: Nada façais por ambição ou vanglória, mas com humildade (Fil 2,3); a religiosidade é verdadeira se impregnada de amor sincero e total, como a de Jesus que se ofereceu uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão (Hb 9,28, II leitura). Precisamos vigiar para não cair na perigosa ilusão religiosa de se sentir tranquilos pelo fato que observamos práticas e obrigações, mas deixando o coração poluído por busca de sucesso, glória, dinheiro, poder e honras. A fé verdadeira consiste em amar sem medida. Deus não pede algo que está acima de nossas possibilidades; Ele pede o pouco que cada um é e tem; Ele convida a confiar n’Ele, em sua generosidade e providência. Com a oração inicial pedimos que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao serviço de Deus e dos irmãos, com amor sincero e generoso.
Dom Armando