28º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Amados irmãos e irmãs de nossa querida Diocese de Livramento de Nossa Senhora. Bendigamos em um só côro ao Senhor Nosso Deus, que nos presenteia com mais um domingo, dia de tomarmos parte às mesas da Palavra e da Eucaristia e de haurir as forças necessárias para nossa missão cristã. O “Bom Mestre” continua nos convidando a segui-lo através do Evangelho segundo São Marcos, e, nesta liturgia, nos apresenta uma exigente provocação quando propõe ao jovem rico o requisito para ganhar a vida eterna: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” (Mc 10,21). O jovem vai embora triste porque era muito rico e Jesus diz aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (Mc 10,23). Os discípulos se admiraram das palavras de Jesus como, com certeza, muitos ficam admirados ao ouvi-las hoje, sobretudo na sociedade capitalista em que vivemos, que prega o lucro desmedido, as vantagens advindas da riqueza e onde o sujeito de referência é o mais abastado, ainda que este status lhe tenha sido adquirido por meio de fraudes e injustiças. Somos chamados, portanto, e como cristãos, a andar na contramão desta mentalidade. Sabemos da necessidade que todos temos do dinheiro e dos bens como subsistência. Todavia, não devem ser estes a fonte de nossa confiança e segurança, senão Deus mesmo. E o pobre é sinônimo daquele que confia só em Deus, porque é tudo que tem. Só lhe resta abandonar-se à sua onipotência, como a criança que se abandona a seus pais. “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível” (Mc 10,27), diz Jesus. Tudo isso vai ao encontro da mensagem dada na 1ª leitura, do livro da Sabedoria. O rei Salomão, voltando-se a Deus em oração, recebe o discernimento para comparar as riquezas e prazeres terrenos à sabedoria, concluindo que esta é superior àqueles. “Sabedoria” é um outro nome para designar “Deus”, cuja majestade supera “cetros e tronos” (Sb 7,8), pedra preciosa, ouro, prata (Sb 7,9), “saúde e beleza” (Sb7,10). Todas estas coisas, embora sejam de sua autoria, são acréscimos. O essencial permanece o Reino e sua justiça: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida – casa, irmãos, mães, filhos e campos, com perseguições – e, no mundo futuro, a vida eterna” (Mc 10,29-30). Voltemo-nos, portanto, para Jesus Cristo, Filho de Deus e nosso irmão, Palavra viva e eficaz de Deus (2ª leitura), Sabedoria eterna, nossa Salvação. Acolhamos seu pedido de entrega amorosa, de adesão ao seu Reino, de doação sem medida. Não basta somente cumprir os preceitos, é preciso ir além, abandonando-se em Deus. Ele nos acolhe com misericórdia. Conhece nossas dificuldades e limites: “Jesus olhou para ele com amor” (Mc 10,21); “Não há criatura que possa ocultar-se diante dela (palavra de Deus)” (Hb 4,13). Pede, porém a nossa resposta: “é a ela que devemos prestar contas” (Hb 4,13). Que o Divino Espírito que habita em nós nos encoraje sempre mais na configuração ao Filho Jesus e, por ele, ao Pai. 

Seminarista Weverson Almeida