27º DOMINGO DO TEMPO COMUM


A Santa Liturgia nos ajuda neste domingo a refletir os valores fundamentais da família colocando em foco a importância do matrimônio. Vivemos em tempos onde o relativismo e o consumismo extrapolam os limites toleráveis e atingem também as estruturas que consolidam a família. Cada vez mais vemos a família ser tratada como um modo de estar e não de ser. As leituras de hoje nos ajudam a resgatar a essencialidade da família para o ser humano e a nos conscientizarmos de nossa pertença a uma família mais ampla, a família de Deus. Quando o coração do homem se endurece e se deixa macular pelo pecado, este se torna incapaz de estabelecer vínculos. Passa a viver de relações áridas e desgastadas pelo sabor do momento. Um coração endurecido não consegue enxergar e aderir ao projeto de Deus que está fundamentado na estabilidade e na plenitude. A união do homem e da mulher deve refletir a aliança de Deus com seus filhos. Por isso, uma vida de fidelidade, respeito, amor e confiança devem fazer parte dessa entrega e sustentá-los diante das provações da vida. A plenitude do amor de Deus pelos seus filhos é vivida em alto grau na experiência de amor do homem e da mulher unidos pelos laços do matrimônio. Evidente que a preocupação dos fariseus que questionaram a Jesus não era entender melhor a respeito do matrimônio, mas colocá-lo em contradição com a Lei e os preceitos de Israel e assim ajuntar provas para condená-lo. Jesus retoma o projeto da criação: "Deus os fez homem e mulher. Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa." Jesus não recua com o anúncio da palavra, mas deixa explícito que a lei soberana é a lei do amor a Deus e ao próximo; todas as demais leis devem partir deste princípio de plenitude. Por fim, no episódio com as crianças nos recorda: Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele. Trata-se de um convite para que todo aquele que se decide pelo Reino tenha uma atitude de entrega e confiança total a Deus. Dessa maneira, que possamos viver o seguimento sem medo das provações e firmes no propósito de acolher a graça que vem ao encontro dos que crêem.
Pe. Jucimar Lima