17º DOMINGO do TEMPO COMUM


Leituras:
2Rs 4, 42-44
Sl 144
Ef 4, 1-6
Jo 6, 1-15

Neste 17º. Domingo do tempo comum a liturgia nos traz o ensinamento da partilha. Congregados numa só família pelo Batismo e reunidos pela força da Trindade de amor e ternura, somos conduzidos pela sagrada Escritura a experienciarmos um Deus Amor-Doação. Um Deus que nos ensina que o fundamento de nossa fé e oração está na capacidade de nos comprometermos com a vida do próximo, buscando sempre uma Igreja pobre, mas que sabe repartir promovendo a abundância. Para melhor compreender as lições desta Santa Eucaristia, precisamos recordar as lições do 15º. E 16º. domingos do tempo comum. No 15º. o Senhor nos enviava em missão, lembrando-nos que não somos os protagonistas da evangelização, mas apenas os instrumentos nas mãos do Divino Espírito; e que para melhor transmitirmos a Boa Nova do Reino precisamos ser revestidos com “a força do Alto” e sustentados por esta mesma força, por isso devemos levar na missão um cajado. E nada precisamos possuir. Devemos ir livres de todos os pré-conceitos e ideais que surgem a partir de nossos interesses pessoais, para tal precisamos apenas de sandálias. Nada devemos possuir além de Deus. Como ensina-nos São Bento “Nada devemos antepor ao amor de Cristo”, as sandálias recordam-nos a humildade que nos torna desapegados e ao mesmo tempo nos ensina que não somos “donos” da evangelização, somos apenas “administradores de Cristo”. No 16º. O Senhor nos recorda que como seus “administradores” devemos nos apresentar como pastores que cuidam do povo, que tem um olhar de compaixão pelos que sofrem e não só sentimo-nos condoídos pelo povo, mas nos colocamos junto ao povo, sofremos com o povo e buscamos meios para ensinar-lo a se levantar e encontrar um Guia verdadeiro e um rumo seguro para suas vidas. Com este espírito de missionário (a) do Reino e tendo em nós “os mesmos sentimentos de Cristo” seremos capazes de promovermos uma religião da partilha e testemunharmos uma fé capaz de buscar meios para saciar a fome do povo. Assim como a multidão que seguia Jesus buscava ser saciada da fome material e espiritual, igualmente nos nossos tempos encontramos tantos irmãos e irmãs que desiludidos por uma sociedade sempre mais egoísta, escutamos do Senhor o mesmo questionamento: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?”. Constantemente salta aos nossos olhos esta pergunta que nos coloca a prova e nos chama a buscarmos na unidade da fé, nos comprometendo a descobrimos meios que diminuam e até mesmo acabe com a miséria e todo tipo de fome. Hoje o nosso povo tem fome de Deus, de espiritualidade generosa, que não precisa ser comprada ou trocada; o nosso povo tem fome de vida digna, de moradia, educação, descanso, valores norteadores, de paz e segura. E muitos outros são os tipos de fome que afligem cada um e cada uma de nós. O caminho para a saciedade interior e exterior da pessoa humana é dado e encontrado no próprio Deus: Senhor da Partilha! Partilhou a criação, partilhou sua Palavra, partilhou sua vida, partilhou seu Reino que quer ser instaurado em nosso meio por meio da compaixão que nos levar a abrir as mãos e o coração em direção dos mais necessitados. Este ensinamento nos apresenta o próprio Jesus que no episodio da multiplicação dos pães utiliza-se das mesmas palavras da narrativa da Santa Ceia, na Instituição da Eucaristia. Estas mesmas palavras nos levam a compreender que a Eucaristia que celebramos e comungamos exige de nós uma atitude de compaixão, de desapego e solidariedade com a vida dos irmãos, e nos leva a consciência de que somos chamados a vivermos como “um só corpo, e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual foste (fomos) chamados”.

        Pe. Gonçalo Aranha