16º DOMINGO do TEMPO COMUM

(22 de Julho)
Leituras:  Jeremias 23, 1-6;
Salmo 22 (23); 
Efésios 2,13-18; 
Marcos 6,30-34.
O evangelho de hoje se encontra em Marcos entre o primeiro ’estágio’ missionário que Jesus encarrega aos futuros apóstolos e a narração do martírio de João Batista. O evangelista parece advertir: fiquem atentos, porque a missão de Jesus terá o mesmo desfecho! Esta é a sorte dos profetas! Incompreensão e até martírio, ontem como hoje. Os anunciadores da Palavra saibam que têm uma missão a cumprir que nem sempre encontra compreensão e sucesso! Jesus acolhe os apóstolos que voltam da missão, escuta-os com carinho e atenção. Ao redor dele tem muita gente. Mas agora é tempo de descanso, não dá para enfrentar tantos problemas e sofrimentos. Também o ‘operário do Evangelho’ é humano e precisa refazer as suas forças. Mas não tem jeito. O povo vai atrás e precede Jesus e seus amigos do outro lado do lago, no lugar do descanso. E Jesus, observa o evangelista, teve compaixão daquela gente porque “eram como ovelhas sem pastor”. Paremos para entrar na compaixão de Jesus. Ele constantemente se compadece dos sofredores que encontra em seu caminho: são famintos, leprosos, possuídos pelo demônio, doentes de todo tipo. Essa gente é abandonada a si mesma; os que deveriam se preocupar nem estão aí. E o povo fica “como ovelhas sem pastor”, isto é, sem rumo e direção, abandonado. Pastor do povo é que tem compaixão, quem assume a responsabilidade de orientar e busca o bem comumJesus, como primeira resposta, começa “ensinar-lhes muitas coisas” O que terá ensinado? Com certeza, terá falado do Reino, de uma sociedade justa e fraterna, repleta de atenção e amor uns para com os outros, dizendo que este é o projeto do Pai que ele bem conhece. A atenção amorosa de Jesus realiza a promessa do profeta. Jeremias (I leitura), de um lado, denuncia a falta de cuidados dos pastores, isto é, dos responsáveis da sociedade de seu tempo, mas, do outro, anuncia a vinda de um pastor bom, que age segundo o coração de Deus, que levará o povo “por prados e campinas e o fará descansar... e restaurar as forças, dando felicidade e todo bem” (Salmo). Em Jesus as promessas tornam-se realidade. Chegou o tempo novo, o tempo em que Deus mesmo vem para ser o pastor de seu povo. A segunda leitura é um hino a Cristo “nossa paz”, que “do que era divido fez unidade”, “em sua carne destruiu o muro de separação”, “destruiu em si mesmo a inimizade”; enfim, “graças a ele, em um só Espírito, temos acesso ao Pai”. No Senhor ressuscitado, centro e essência de nossa fé, toda injustiça e divisão foram superadas. Na assembleia reunida em seu nome, isso aparece, deve aparecer. Aqui nós devemos aprender o sentido de nossa vida e o estilo que deve caracterizar as relações fora da Igreja. Ter fé significa acolher esta mensagem que dá rumo e sentido novos aos nossos dias. A compaixão de Jesus forma e transforma a vida dos seus amigos. A vitória de Cristo é nossa força e a razão do novo comportamento. Crer comporta hoje acolher essa mensagem como rumo de vida nova. Acolher o pastoreio de Jesus pede, por nossa vez, ser pastores e pastoras, isto é, pessoas que vivem em atitude de serviço, que assumem responsavelmente a vida para fazer o bem, superando divisões e contraposições, só escolhendo o que faz crescer a justiça e a paz. Quem recebeu a paz de Cristo, é chamado a vivê-la e difundi-la. Quem sabe se neste tempo, em vista das eleições, os cristãos saberão viver suas escolhas com atitudes de respeito recíproco, diálogo sincero e fraterno, busca do bem comum evitando toda defesa exasperada e agressiva dos interesses individuais e de grupo! Será este o teste que diz que estamos acolhendo o Evangelho de Jesus como sinal de vida nova. É o meu desejo e motivo da minha oração. Tenham um bom domingo.
Dom Armando