15º Domingo do Tempo Comum – Ano B


Leituras: Amós 7,12-15;
Salmo 84(85);
Efésios 1,3-14;
Marcos 6,7-13

Todo Domingo, para nós cristãos, é dia do Senhor, isto é, um dia para louvar e agradecer, reunidos em santa assembléia. Com o apóstolo Paulo (II leitura) dizemos: Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda bênção de seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Deixamos nossas casas, os afazeres e empenhos da vida cotidiana e nos reunimos para, antes de tudo, escutar o que Deus tem a nos dizer e, abrindo mentes e corações, acolher como Comunidade que pertence a Jesus, o chamado a vida nova e renovada. Hoje a Palavra vem a nós como apelo para sairmos em missão. Lembra o Evangelho que “Jesus chamou o doze, e começou enviá-los dois a dois”. O que significa “dois a dois”? Podemos dizer: em harmonia, de mãos dadas. Ninguém evangeliza sozinho ou dividido com os demais. A missão, antes de tudo, torna-nos irmãos e irmãs, companheiros (que ‘partilham o pão’) entre os discípulos do Senhor. Só pessoas reconciliadas, poderão levar a mensagem da paz e do perdão que Jesus deixou aos seus seguidores. Então, a primeira cura da qual precisamos é esta: superar divisões e brigas, contraposições e sentimentos de rancor; a Eucaristia é ocasião importante para dar sentido ao abraço de paz e torná-lo verdadeiro. A missão começa com o poder sobre os espíritos impuros. De que se trata? De lutar contra todas as forças do mal que prejudicam a vida das pessoas, que impedem de viver com serenidade e em plenitude. Trata-se de doenças do corpo e do espírito, da mente e do coração. E quantas dessas doenças! A força interior que o missionário recebe do Senhor, é remédio para todos esses males. O anunciador do Evangelho, recomenda ainda Jesus, deve ir com muita simplicidade e humildade, levando consigo só o necessário. O supérfluo pesa, atrapalha e impede a transparência do anúncio. De fato, a missão deve resplandecer por gratuidade e alegria, e não espera recompensa alguma. Também quem ouve a mensagem tem sua responsabilidade; não pode ficar neutro e passivo. Se não, a poeira dos pés dos evangelizadores clamará contra ele no dia do último julgamento. Mas quem evangeliza, não deve impor suas idéias, mas só anunciar a conversão, isto é, a mudança de vida seguindo o exemplo de Jesus. Assim, a mensagem da graça e do perdão, da cura interior e da vida nova está se espalhando pelo mundo, gerando homens e mulheres que acreditam e que, com a força do Senhor, agem de maneira diferente, lutando contra o mal, as injustiças e toda forma de opressão. Na I leitura, vimos o profeta Amós que dá testemunho de luta corajosa contra quem queria usar da religião para manter o povo debaixo dos poderosos. Amós, é profeta que vem da roça, que sente dentro o fogo de Deus e não consegue ficar calado diante da opressão e prepotência. Não foi ele que quis ser profeta, afirma, mas “o Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘vai profetizar’”. Isso se deu pelos anos 760 antes de Cristo. A consciência de ter uma missão a cumprir e que essa provém de Deus, torna livres e prontos a tudo, encoraja e dá força. Com o salmista, então, rezemos agradecidos: “O Senhor nos dará tudo o que é bom... é a paz o que Ele vai anunciar. A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e paz se abraçarão”! O povo de Deus caminhava com esta profunda convicção: Deus tem um plano de salvação para a humanidade! Ele “nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo... para o louvor de sua glória... Pelo seu sangue, nós fomos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas”, assim canta ainda o apóstolo Paulo. Nisso se fundamenta nossa esperança, aquela que brota da fé e, transformando nosso eu profundo, torna-nos abertos e capazes de amar. Por isso, na oração inicial pedimos a Deus que “os que professam a fé rejeitem o que não convém ao cristão e abracem tudo o que é digno desse nome”. Alimentados pela Palavra e a Eucaristia, repletos de espírito profético, saibamos ao longo da próxima semana testemunhar, este ideal de vida cristã em nossa vida familiar, social, profissional etc.
Dom Armando