30 de setembro de 2016

AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA FRANCISCO NA PRAÇA DE SÃO PEDRO - Quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Bom dia, amados irmãos e irmãs!
      As palavras que Jesus pronuncia durante a sua Paixão encontram o seu ápice no perdão. Jesus perdoa: «Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Não são apenas palavras, porque se tornam um gesto concreto no perdão oferecido ao «bom ladrão», que estava ao seu lado. São Lucas fala de dois malfeitores crucificados com Jesus, que se dirigem a Ele com atitudes opostas.
      O primeiro insulta-o, assim como o insulta todo o povo, e como fazem os chefes do povo, mas este pobre homem, impelido pelo desespero, diz: «Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!» (Lc 23, 39). Este grito dá testemunho da angústia do homem diante do mistério da morte e da trágica consciência de que só Deus pode ser a resposta libertadora: por isso, é impensável que o Messias, o Enviado de Deus, possa estar na cruz sem fazer nada para se salvar. Não compreendiam isto. Não entendiam o mistério do sacrifício de Jesus. E no entanto, Jesus salvou-nos permanecendo na cruz. Todos nós sabemos que não é fácil «permanecer na cruz», nas nossas pequenas cruzes de cada dia. Mas Ele permaneceu naquela grande cruz, naquele enorme sofrimento, e foi ali que nos salvou; foi ali que nos mostrou o seu poder supremo e que nos perdoou. É ali que se cumpre o seu dom de amor e que brota para sempre a nossa salvação. Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, Ele testemunha que a salvação de Deus pode alcançar qualquer homem, em todas as condições, até na mais negativa e dolorosa. A salvação de Deus é para todos, sem excluir ninguém. É oferecida a todos. Por isso, o Jubileu constitui um tempo de graça e de misericórdia para todos, bons e maus, quantos são saudáveis e aqueles que sofrem. Recordai-vos daquela parábola que Jesus narra sobre a festa de casamento do filho de um poderoso da terra: quando os convidados não queriam participar, disse aos seus empregados: «Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos aqueles que encontrardes» (Mt 22, 9). Todos nós somos chamados: bons e maus. A Igreja não existe só para os bons ou para quantos parecem bons ou para aqueles que se julgam bons; a Igreja existe para todos, e até de preferência para os maus, porque a Igreja é misericórdia. E este tempo de graça e de misericórdia faz-nos recordar que nada nos pode separar do amor de Cristo! (cf. Rm 8, 39). A quem está bloqueado num leito de hospital, a quantos vivem fechados numa prisão, àqueles que se encontram impedidos pelas guerras, digo: olhai para o Crucifixo; Deus está convosco, permanece convosco na cruz e oferece-se como Salvador a todos, a todos nós. A vós que sofreis tanto, digo: Jesus foi crucificado por vós, por nós, por todos. Deixai que o vigor do Evangelho penetre no vosso coração e vos console, dando-vos esperança e a íntima certeza de que ninguém está excluído do seu perdão. Contudo, podeis perguntar-me: «Mas diga-me, Padre, quem fez as piores coisas na vida, tem a possibilidade de ser perdoado?» — «Sim, sim!»: ninguém está excluído do perdão de Deus. Deve simplesmente aproximar-se arrependido de Jesus, com a vontade de ser abraçado por Ele!».
      Assim era o primeiro malfeitor. O outro é o chamado «bom ladrão». As suas palavras são um maravilhoso modelo de arrependimento, uma catequese concentrada para aprender a pedir perdão a Jesus. Primeiro, ele dirige-se ao seu companheiro: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício?» (Lc 23, 40). Deste modo, põe em evidência o ponto de partida do arrependimento: o temor de Deus. Mas não o medo de Deus, não: o temor filial de Deus. Não é receio, mas aquele respeito que se deve a Deus, porque Ele é Deus. Trata-se de um respeito filial, porque Ele é Pai. O bom ladrão evoca a atitude fundamental que abre à confiança em Deus: a consciência do seu poder supremo e da sua bondade infinita. É este respeito confiante que ajuda a deixar espaço a Deus e a confiar na sua misericórdia.
      Depois, o bom ladrão declara a inocência de Jesus e confessa abertamente a sua culpa: «Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas Ele não cometeu mal algum» (Lc 23, 41). Portanto, Jesus está ali na cruz para permanecer com os culpados: através desta proximidade, Ele oferece-lhes a salvação. Aquilo que é escândalo para os chefes, para o primeiro ladrão e para quantos se encontravam ali e zombavam de Jesus, na realidade é o fundamento da sua fé. E assim o bom ladrão torna-se testemunha da Graça; aconteceu o impensável: Deus amou-me a tal ponto que morreu na cruz por mim. A própria fé deste homem é fruto da graça de Cristo: os seus olhos contemplam no Crucificado o amor de Deus por ele, pobre pecador. É verdade, era ladrão, tinha roubado durante a vida inteira. Mas no fim, arrependido daquilo que fizera, olhando para Jesus, tão bom e misericordioso, conseguiu roubar o céu: ele é um bom ladrão!
      Por fim, o bom ladrão dirige-se diretamente a Jesus, invocando a sua ajuda: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino» (Lc 23, 42). Chama-o pelo nome, «Jesus», com confiança, e assim confessa o que aquele nome indica: «O Senhor salva»: é isto que significa «Jesus». Aquele homem pede a Jesus que se recorde dele. Quanta ternura naquela expressão, quanto humanidade! É a necessidade que o ser humano tem de não ser abandonado, que Deus esteja sempre perto dele. Deste modo, um condenado à morte torna-se modelo do cristão que se confia a Jesus. Um condenado à morte é um modelo para nós, um modelo para o homem, para o cristão que confia em Jesus; e também modelo da Igreja que, na liturgia, muitas vezes invoca o Senhor, rezando: «Recorda-te... Recorda-te do teu amor...».
      Enquanto o bom ladrão fala no futuro: «Quando entrares no teu Reino», a resposta de Jesus não se faz esperar; mas Ele fala no presente: «Hoje estarás comigo no Paraíso» (v. 43). Na hora da cruz, a salvação de Cristo alcança o seu apogeu; e a sua promessa ao bom ladrão revela o cumprimento da sua missão, ou seja, salvar os pecadores. No início do seu ministério, na sinagoga de Nazaré, Jesus tinha proclamado «a liberdade aos cativos» (Lc 4, 18); em Jericó, na casa do pecador público Zaqueu, proclamou que «o Filho do homem — isto é, Ele mesmo — veio procurar e salvar o que estava perdido» (Lc 19, 10). Na cruz, o derradeiro ato confirma a realização deste desígnio salvífico. Do início ao fim, Ele revelou-se como misericórdia, revelou-se como encarnação definitiva e irrepetível do amor do Pai. Jesus é verdadeiramente o semblante da misericórdia do Pai. E o bom ladrão chamou-o pelo nome: «Jesus». Trata-se de uma invocação breve, e todos nós podemos fazê-la muitas vezes durante o dia: «Jesus». Simplesmente «Jesus». E assim, fazei-a durante o dia inteiro.

FONTE: w2.vatican.va

26 de setembro de 2016

AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA FRANCISCO NA PRAÇA DE SÃO PEDRO - Quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

      Ouvimos o trecho do Evangelho de Lucas (6, 36-38), do qual foi tirado o lema deste Ano Santo Extraordinário: Misericordiosos como o Pai. A expressão completa é: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (v. 36). Não se trata de um slogan de efeito, mas de um compromisso de vida. Para compreender bem esta expressão, podemos confrontá-la com a paralela do Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: «Sede, pois, perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus» (5, 48). No chamado sermão da montanha, que começa com as Bem-Aventuranças, o Senhor ensina que a perfeição consiste no amor, cumprimento de todos os preceitos da Lei. Nesta mesma ótica, são Lucas explicita que a perfeição é o amor misericordioso: ser perfeito significa ser misericordioso. Alguém que não é misericordioso é perfeito? Não! É boa a pessoa que não é misericordiosa? Não! A bondade e a perfeição radicam-se na misericórdia. Sem dúvida, Deus é perfeito. No entanto, se o considerarmos assim, para os homens será impossível tender para esta perfeição absoluta. Contudo, tê-lo diante dos olhos como misericordioso permite-nos entender melhor em que consiste a sua perfeição, impelindo-nos a ser como Ele, cheios de amor, compaixão, misericórdia. Mas questiono-me: são realistas as palavras de Jesus? É realmente possível amar como Deus ama, ser misericordioso como Ele?
      Se olharmos para a história da salvação, veremos que toda a revelação de Deus é um amor incessante e incansável pelos homens: Deus é como um pai ou como uma mãe que ama com um amor insondável, derramando-o copiosamente sobre cada criatura. A morte de Jesus na cruz é o ápice da história de amor de Deus pelo homem. Um amor tão grande que só Deus o pode concretizar. É evidente que, comparado com este amor desmedido, o nosso amor será sempre imperfeito. Mas quando Jesus nos pede para ser misericordiosos como o Pai, não pensa na quantidade! Pede aos seus discípulos que se tornem sinal, canais, testemunhas da sua misericórdia.
      E a Igreja não pode deixar de ser sacramento da misericórdia de Deus no mundo, em todos os tempos e para a humanidade inteira. Portanto, cada cristão está chamado a ser testemunha da misericórdia, e isto acontece no caminho da santidade. Pensemos em quantos santos se tornaram misericordiosos porque deixaram que seus corações se enchessem de misericórdia divina. Deram corpo ao amor do Senhor, derramando-o nas múltiplas necessidades da humanidade sofredora. Neste florescer de tantas formas de caridade é possível entrever os reflexos da face misericordiosa de Cristo.
      Interroguemo-nos: para os discípulos, o que significa ser misericordiosos? Jesus explica-o com dois verbos: «perdoar» (v. 37) e «doar» (v. 38).
      A misericórdia exprime-se antes de tudo no perdão: «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados» (v. 37). Jesus não tenciona subverter o curso da justiça humana, mas recorda aos discípulos que para manter relações fraternas é preciso suspender o juízo e a condenação. Com efeito, o perdão é o pilar que sustenta a vida da comunidade cristã, porque é nele que se manifesta a gratuidade do amor com que Deus nos amou primeiro. O cristão deve perdoar! Mas por quê? Porque foi perdoado. Todos nós que estamos hoje aqui, na praça, fomos perdoados. Todos nós, na nossa vida, tivemos necessidade do perdão de Deus. E dado que fomos perdoados, devemos perdoar. Recitamos todos os dias no Pai-Nosso: «Perdoai-nos os nossos pecados, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Ou seja, perdoar as ofensas, perdoar tantas coisas, porque nós fomos perdoados de tantas ofensas, de tantos pecados. Assim, é fácil perdoar: se Deus me perdoou, por que razão não devo perdoar os outros? São maiores do que Deus? Este pilar do perdão mostra-nos a gratuidade do amor de Deus, que nos amou primeiro. É errado julgar e condenar o irmão que peca. Não porque não queremos reconhecer o pecado, mas porque condenar o pecador interrompe o vínculo de fraternidade com ele e despreza a misericórdia de Deus, que no entanto não quer renunciar a nenhum dos seus filhos. Não temos o poder de condenar o nosso irmão que erra, não estamos acima dele: ao contrário, temos o dever de resgatá-lo para a dignidade de filho do Pai e de acompanhá-lo no seu caminho de conversão.
      À sua Igreja, a nós, Jesus indica também um segundo pilar: «doar». Perdoar é o primeiro pilar; doar é o segundo. «Dai e ser-vos-á dado [...] também vós sereis julgados segundo a medida com a qual medirdes» (v. 38). Deus doa muito além dos nossos méritos, mas será ainda mais generoso com quantos, aqui na terra, tiverem sido generosos. Jesus não diz o que acontecerá com quantos não doam, mas a imagem da «medida» constitui uma admoestação: com a medida do amor que dermos, somos nós mesmos que decidimos como seremos julgados, como seremos amados. Observando bem, há uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, dá-se ao irmão; e na medida em que se dá ao irmão, recebe-se de Deus!
      Por isso, o amor misericordioso é o único caminho a percorrer. Quanta necessidade temos todos nós de ser um pouco mais misericordiosos, de não falar mal do próximo, de não julgar, de não «depenar» os outros com críticas, invejas e ciúmes. Devemos perdoar, ser misericordiosos, viver a nossa existência no amor. Este amor permite que os discípulos de Jesus não percam a identidade recebida dele, reconhecendo-se como filhos do mesmo Pai. Assim, no amor que eles puserem em prática na vida reflete-se a Misericórdia que não conhece ocaso (cf. 1 Cor 13, 1-12). Mas não nos esqueçamos disto: misericórdia e dom; perdão e dom. É assim que o coração se dilata, abrindo-se ao amor. Ao contrário, o egoísmo e a raiva reduzem o coração, que se endurece como uma pedra. O que preferis, um coração de pedra ou um coração repleto de amor? Se escolherdes um coração cheio de amor, sede misericordiosos!


FONTE: w2.vatican.va

24 de setembro de 2016

GIRO PELA DIOCESE

Penso que seria quase impossível acompanhar os acontecimentos e celebrações pela nossa diocese. Os membros da PASCOM de cada paróquia têm feito o possível para relatar alguns desses acontecimentos. Inclusive, aproveitamos para agradecê-los, pelo excelente trabalho, como também, para incentivá-los a continuarem com o mesmo entusiasmo e competência, esse importante serviço em nossa Diocese. Quem acompanha o nosso site pode perceber que Dom Armando esteve, por alguns dias, na Itália, visitando familiares, amigos e realizando encontros celebrações junto aos seus conterrâneos. Ele retornou no dia 15/09 e, de lá para cá, realizou e acompanhou vários encontros e celebrações pela diocese. 

CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA NA C. MATINHA DE CIMA -
PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO











CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA DE 
BÊNÇÃO DA CAPELA DA COMUNIDADE DE SURUBIM- PARÓQUIA DE RIO DO PIRES











No contexto da novena em preparação à festa do padroeiro São Miguel Arcanjo, Dom Armando presidiu a Celebração Eucarística e abençoou a capela da Comunidade do Surubim, na Paróquia do Senhor do Bonfim de Rio do Pires. Um grande número de fieis participou da celebração.


CELEBRAÇÃO DA CRISMA NA COMUNIDADE DE PLACA – PARÓQUIA DO SENHOR BOM JESUS DE BARRA DA ESTIVA


Veja mais fotos desses momentos!






23 de setembro de 2016

SINAIS E SÍMBOLOS. 14. O SAL

Estou apresentando algumas reflexões a respeito de ‘sinais e símbolos’ usados em nossas celebrações litúrgicas. Hoje, quero refletir a respeito do sal. Com o pão e o vinho, a água e o óleo, o sal é um dos elementos que a liturgia usa na celebração dos sacramentos. O sal é elemento que entra no batismo, também se a recente reforma o deixa como facultativo. Seu sentido, porém, é repleto de lembranças ligadas à nossa vida. O sal ressalta o gosto dos alimentos, e comida sem sal... só se tiver problemas de saúde. O sal é para o gosto o que a luz é para a visão. Por muito tempo, quando não existiam frigoríferos, os alimentos eram preservados da corrupção por meio do sal.
Na Bíblia, desde o Antigo Testamento, encontramos fatos que destacam o valor do sal. O profeta Eliseu transforma água ruim em água potável, jogando nela um punhado de sal (cf. 2 Rs 2, 19-22). Em Levítico (2,13), se lê: “Coloquem sal em toda oferta de oblação que oferecerem. Não deixem de colocar na oblação o sal da aliança do seu Deus. Todas as oblações serão oferecidas com sal”.
Com a vinda de Jesus, o sal se torna símbolo do Espírito Santo. O Ressuscitado anuncia a presença e atuação do Espírito na vida dos discípulos “enquanto tomavam sal juntos” (palavras traduzidas como “durante uma refeição”: cf. At 1,4).
O mesmo Jesus usa o simbolismo do sal. Lembremos o que Ele disse aos discípulos: “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o sabor, com que o salgaremos? Não serve mais para nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelas pessoas” (Mateus 5,13). O evangelista Marcos, na passagem paralela, escreve: “Todos serão salgados com o sal. O sal é bom. Mas se o sal perde o sabor, como fazê-lo readquirir esse sabor? Tenham sal em vocês mesmos, e vivam em paz uns com os outros” (Mc 9,49-50).
Com esse sentido evangélico, o sal entra na celebração do batismo. Depois da entrega da luz, o ritual acrescenta, qual rito complementar e opcional, a entrega do sal. Quem preside, diz: “Vocês são o sal da terra, disse Jesus”. Pede-se que “a mãe coloque um pouco de sal na boca da criança”. Pequeno gesto que ressalta que o cristão é chamado a ser sal na vida, isto é, a ter a capacidade, qual dom de Deus, de dar sentido cristão à vida e nela ser sinal da presença divina no agir como discípulos de Jesus. O gosto dado pelo divino Espírito, então, manifestar-se-á sempre mais, e os cristãos colaboram para preservar o mundo inteiro da corrupção do pecado e da morte. Por isso, é preciso pedir que o Espírito mantenha nossas vidas repletas do sabor da divina sabedoria.
Efrem, o Siro, um santo poeta do IV século, em seus hinos, canta: “Feliz, meu Senhor, aquele que se torna sal da verdade nesta geração”; “Sem o Teu sal, todas as sabedorias são sem sabor”; “A alma é o sal do corpo e a fé o sal da alma, pois que a alma é conservada por meio dele: bendita seja a Tua conservação”.

Dom Armando

22 de setembro de 2016

"EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA VIDA"

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA VIDA

“ Escolhe, pois, a vida, para que vivas. ” (Dt 30,19b)

      O Conselho Episcopal Pastoral – CONSEP, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 20 e 21 de setembro de 2016, vem manifestar sua posição com relação a Ação Direta de Inconstitucionalidade-ADI 5581 que tramita no Supremo Tribunal Federal-STF. Essa ADI questiona a lei 13.301/2016 que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde, relativas ao vírus da dengue, chikungunya e zika.
      Urge, de fato, como pede a ADI, que o Governo implemente políticas públicas para enfrentar efetivamente o vírus da zika, como, por exemplo, um eficiente diagnóstico e acompanhamento na rede pública de saúde. Além disso, seja estendido por toda a vida o benefício para criança com microcefalia e não por apenas três anos, como estabelece o artigo 18 da lei 13.301/2016. Ao contrário do que prevê o parágrafo segundo desse artigo, o benefício seja concedido imediatamente ao nascimento da criança e não após a cessação do salário maternidade.
      Causa-nos estranheza e indignação a introdução do aborto na ADI. É uma incoerência que ela defenda os direitos da criança afetada pela síndrome congênita e, ao mesmo tempo, elimine seu direito de nascer. Nenhuma deficiência, por mais grave que seja, diminui o valor e a dignidade da vida humana e justifica o aborto. “Merecem grande admiração as famílias que enfrentam com amor a difícil prova de um filho com deficiência. Elas dão à Igreja e à sociedade um precioso testemunho de fidelidade ao dom da vida” (Papa Francisco, Amoris Laetitia, 47).
      Repudiamos o aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana.
      As paralimpíadas trouxeram uma lição a ser assimilada por todos. O sentimento humano que brota da realidade dos atletas paralímpicos, particularmente das crianças que participaram das cerimônias festivas, nasce da certeza de que a humanidade se revela ainda mais na fragilidade.
      Solidarizamo-nos com as famílias que convivem com a realidade da microcefalia e pedimos às nossas comunidades que lhes ofereçam acolhida e apoio. Rogamos a proteção de Nossa Senhora, Mãe de Jesus, para todos os brasileiros e brasileiras.



Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB


Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB


FONTE: www.cnbb.org.br

20 de setembro de 2016

SIMPÓSIO LAUDATO SI E QUESTÕES AMBIENTAIS

Entre os dias 9 e 11 de setembro, aconteceu, em Caetité (no Centro de Treinamento de Líderes), um Simpósio relacionado à carta encíclica do Papa Francisco Laudato Si – sobre o cuidado da casa comum. Tratando de Ecologia e desenvolvimento, o tema abordado foi “A raiz humana da crise ecológica”. O encontro foi dirigido pelo Pe. César, da diocese de Jequié.  O simpósio foi uma realização da Região pastoral IV da CNBB NE 3 – composta pelas dioceses de Caetité, Jequié, Livramento de Nossa Senhora e a arquidiocese de Vitória da Conquista.
A abertura do Simpósio, no dia 9, foi realizada no Auditório da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus de Caetité, com uma Conferência sobre a Laudato Si, feita por Dom José Ruy Gonçalves.
Da nossa Diocese, foram 11 representantes. A participante Karina Cruz, da Paróquia do Senhor Bom Jesus de Piatã, escreveu um relato dos três dias do encontro.






O papa Francisco celebra os 30 anos do Encontro de Oração pela Paz em Assis - Itália

      Hoje (20), pela manhã, o papa Francisco viajou para Assis (Itália), onde celebrou os 30 anos do histórico Encontro de Oração pela Paz, realizado no dia 27 de outubro de 1986, por iniciativa de São João Paulo II. Ao chegar no Sacro Convento de Assis, o papa foi recebido, entre outros, pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I; o patriarca Sírio-ortodoxo de Antioquia Ignatius Efrem II; pelo vice-presidente da Universidade de Al-Azhar, no Egito, Abbas Schuman; pelo arcebispo de Cantuária e primaz da Igreja Anglicana Justin Welby; pelo rabino chefe de Roma, Riccardo di Segni.    
      De acordo com a Rádio Vaticano, cerca de 500 líderes religiosos e personalidades da política e da cultura estiveram presentes. O Dia Mundial de Oração pela Paz fez parte do evento “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”, promovido pela diocese de Assis, Famílias Franciscanas e Comunidade de Santo Egídio. 

Leia o pronunciamento do papa aos representantes cristãos:

      "À vista de Jesus crucificado, ressoam também para nós as suas palavras: «Tenho sede!» (Jo 19, 28). A sede é, ainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa também a sua extrema miséria. Assim contemplamos o mistério do Deus Altíssimo, que Se tornou, por misericórdia, miserável entre os homens.
      De que tem sede o Senhor? Certamente de água, elemento essencial para a vida; mas sobretudo de amor, elemento não menos essencial para se viver. Tem sede de nos dar a água viva do seu amor, mas também de receber o nosso amor. O profeta Jeremias expressou o comprazimento de Deus pelo nosso amor: «Recordo-Me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado» (Jr 2, 2). Mas deu voz também ao sofrimento divino, quando o homem, ingrato, abandonou o amor, quando – parece dizer também hoje o Senhor – «Me abandonou a Mim, nascente de águas vivas, e construiu cisternas para si, cisternas rotas, que não podem reter as águas» (Jr 2, 13). É o drama do «coração árido», do amor não correspondido; um drama que se renova no Evangelho, quando, à sede de Jesus, o homem responde com vinagre, que é vinho estragado. Como profeticamente lamentou o salmista, «deram-me (…) vinagre, quando tive sede» (Sal 69/68, 22).
      «O Amor não é amado»: tal era, segundo algumas crônicas, a realidade que turvava São Francisco de Assis. Por amor do Senhor que sofre, não se envergonhava de chorar e lamentar-se em voz alta (cf. Fontes Franciscanas, n. 1413). Esta mesma realidade nos deve estar a peito ao contemplarmos Deus crucificado, sedento de amor. Madre Teresa de Calcutá quis que, nas capelas de cada comunidade, estivesse escrito perto do Crucifixo: «Tenho sede». Apagar a sede de amor de Jesus na cruz, através do serviço aos mais pobres dos pobres, foi a sua resposta. Na verdade, o Senhor é saciado pelo nosso amor compassivo; é consolado quando, em nome d’Ele, nos inclinamos sobre as misérias alheias. No Juízo, chamará «benditos» aqueles que deram de beber a quem tinha sede, aqueles que ofereceram amor concreto a quem estava necessitado: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
      As palavras de Jesus interpelam-nos, pedem acolhimento no coração e resposta com a vida. Na sua exclamação «tenho sede», podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz. Imploram paz as vítimas das guerras que poluem os povos de ódio e a terra de armas; imploram paz os nossos irmãos e irmãs que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. Todos eles são irmãos e irmãs do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. Têm sede. Mas, frequentemente, é-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejeição. Quem os ouve? Quem se preocupa em responder-lhes? Deparam-se muitas vezes com o silêncio ensurdecedor da indiferença, o egoísmo de quem se sente incomodado, a frieza de quem apaga o seu grito de ajuda com mesma facilidade com que muda de canal na televisão.
      À vista de Cristo crucificado, «poder e sabedoria de Deus» (1 Cor 1, 24), nós, cristãos, somos chamados a contemplar o mistério do Amor não amado e a derramar misericórdia sobre o mundo. Na cruz, árvore de vida, o mal foi transformado em bem; também nós, discípulos do Crucificado, somos chamados a ser «árvores de vida», que absorvem a poluição da indiferença e restituem ao mundo o oxigênio do amor. Do lado de Cristo, na cruz, saiu água, símbolo do Espírito que dá a vida (cf. Jo 19, 34); do mesmo modo saia de nós, seus fiéis, compaixão por todos os sedentos de hoje.
      Como a Maria ao pé da cruz, conceda-nos o Senhor estar unidos a Ele e próximos de quem sofre. Aproximando-nos de quantos vivem hoje como crucificados e tirando a força de amar do Crucificado Ressuscitado, crescerão ainda mais a harmonia e a comunhão entre nós. «Com efeito, Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14), Ele que veio anunciar a paz àqueles que estavam perto e aos que estavam longe (cf. Ef 2, 17). Ele nos guarde a todos no amor e nos congregue na unidade, para nos tornarmos o que Ele deseja: «um só» (Jo 17, 21)".

Com informações e foto da Rádio Vaticano


17 de setembro de 2016

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C

LEITURAS:
Am 8,4-7
Salmo 112 (113)
1 Tim 2,1-8
Lc 16,1-13
      A liturgia desse domingo sugere-nos, uma reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os discípulos de Jesus são convidados a procurar os valores do “Reino” e em contrapartida, a evitar que a ganância e o desejo do lucro, manipulem as suas vidas e condicionem as suas opções.
      Na leitura, o texto do profeta Amós, é uma denúncia das atividades dos que “maltratam o pobre” e querem “eliminar os humildes da terra”. Quem são, em concreto, esses que o profeta denuncia? São os comerciantes sem escrúpulos, que exploram a miséria e o sofrimento dos pobres, se preocupando apenas em ampliar, cada vez mais, as suas riquezas. Eles compram a preços irrisórios os produtos dos agricultores e revendem aos pobres a preços exorbitantes, especulando com as necessidades dos humildes; roubam e adulteram pesos, medidas e balanças; alteram a qualidade dos produtos, misturando as cascas com o trigo. Amós avisa: Deus não está do lado de quem, por causa da obsessão do lucro, escraviza os irmãos. A exploração e a injustiça não passam despercebidas aos olhos de Deus.     
     Na segunda leitura,  o autor da Carta, dá a Timóteo normas sobre a oração litúrgica. Começa com um convite a rezar por todos os homens, particularmente pelos que estão investidos de autoridade: deles depende o bem-estar social e a paz, condições necessárias para que os cristãos possam viver com tranquilidade, na fidelidade à sua fé.
      A oração dos cristãos deve ser universal, sobretudo, porque é universal a proposta de salvação que Deus oferece a  todos,  judeus e gregos, escravos e livres, homens e mulheres, maus e bons , são convidados à fazer parte da comunidade da salvação. Duas razões apoiam este universalismo: a unicidade de Deus, criador de todos e a mediação universal de Cristo, que derramou o seu sangue por todos.
      O texto termina com um apelo a que esta oração universal se faça em todo o lugar onde o Evangelho é anunciado, “erguendo para o céu as mãos santas, sem cólera nem disputa.” O tema dessa leitura não se liga, diretamente, com a questão da riqueza (que é o tema fundamental da liturgia deste domingo); mas o convite a não ficar fechado em si próprio e a preocupar-se com as dores e esperanças de todos os irmãos, situa-nos no mesmo campo: o discípulo é convidado a sair do seu egoísmo para assumir os valores duradouros do amor, da partilha e da fraternidade.
      O Evangelho nos apresenta a parábola do administrador astuto.Nele Jesus apresenta aos discípulos o exemplo de um homem que percebeu como os bens deste mundo eram caducos e precários e os usou para assegurar valores mais duradouros e consistentes. Como justificar o proceder deste administrador, que assegura o futuro à custa dos bens do seu senhor?
      De acordo com as leis e costumes da Palestina nos tempos de Jesus, um administrador de uma propriedade atuava em nome e em lugar do seu senhor; como não recebia remuneração, podia reembolsar-se dos seus gastos com os devedores.
     Habitualmente, ele fornecia um determinado número de bens, mas o devedor ficava a dever muito mais; a diferença era a “comissão” do administrador. Provavelmente, o que este administrador sagaz fez foi renunciar ao lucro que lhe era devido, a fim de assegurar a gratidão dos devedores: renunciou a um lucro imediato, a fim de assegurar o seu futuro.

      O texto termina com um aviso de Jesus acerca da deificação do dinheiro Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios e procurar conjugá-los é impossível. Os discípulos são, portanto, convidados a fazer a sua opção entre um mundo de egoísmo, de interesses mesquinhos, de exploração, de injustiça (dinheiro) e um mundo de amor, de doação, de partilha, de fraternidade (Deus e o “Reino”). 

16 de setembro de 2016

Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Ibitiara

No último dia 8, a comunidade de Ibitiara deu grande exemplo de fé, na celebração da festa de sua padroeira, Nossa Senhora do Bom Sucesso. A missa foi presidida pelo Padre Nicivaldo, pároco, e concelebrada pelo Padre Jucimar, da paróquia de Santa Luzia de Ibipitanga. Padre Nicivaldo agradeceu a presença numerosa das comunidades rurais do nosso município e das cidades vizinhas. É grande a alegria em celebrar nossa padroeira, nessa festa bonita, realizada com fervor, carinho e dedicação, a cada ano! Confira as fotos!
Evirandi Auriovane 

AGENDA DO BISPO



SETEMBRO 2016

Dia
Horas
Onde
Atividade
16
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
Tarde
Centro diocesano
Escola Teologia para Leigos
19.00
Paróquia São João Batista­- Dom Basílio
Casamento
17
Manhã
Centro diocesano
Escola Teologia para Leigos
17.00
Paróquia São João Batista­– Dom Basílio
Casamento
20.00
Comunidade Itapicuru - Dom Basílio
S. Missa(aniversário falecimento)
18
Manhã
Centro diocesano
Escola Teologia para Leigos
14.00
Comunidade Passa-Quatro - Catedral
Celebração de Casamento e Batismo
16.00
Comunidade Caraíbas - Paramirim
S. Missa
18.00
Paróquia Santo Antônio - Paramirim
S. Missa
20.00
Paróquia Nossa Senhora do Carmo – Érico Cardoso
S. Missa
19
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
Tarde
Casa do Bispo
Crismandos Jovens
20.00
Comunidade Poderoso – Dom Basílio
S. Missa na festa da Padroeira
20
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
19.30
Casa do Bispo
Encontro crismandos adultos
21
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
Tarde
Casa do Bispo
19.00
Comunidade Matina de Cima
Encontro e S. Missa
22
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
19.30
Comunidade Surubim – Rio do Pires
S. Missa com bênção Capela
23
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
19.00
Comunidade Placa – Barra da Estiva
S. Missa com Crisma
24
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
16.00
Comunidade Poça de São João – D. Basílio
S. Missa com Crisma
19.30
Comunidade Várzea Funda – D. Basílio
S. Missa com Crisma
25
09.00
Comunidade Pajeú - Ibipitanga
S. Missa com Crisma
16.00
Comunidade Riacho - Ibipitanga
S. Missa com Crisma
19.30
Paróquia Senhor do Bonfim – Rio do Pires
S. Missa
26
Até o dia 30: em Itaici (SP)
Retiro Padres da diocese de Santo André (SP)