Celebração da Vigília de Pentecostes com os Crismandos na Catedral

No sábado, dia 19 de maio, aconteceu na Catedral Diocesana de Livramento, a celebração da Vigília de Pentecostes conduzida pelo Bispo, D. Armando. A celebração reuniu mais de 60 jovens crismandos da cidade de Livramento e de algumas comunidades vizinhas. Contou ainda com a participação de seus catequistas e de outros leigos.

O encontro foi uma possibilidade de celebração mais íntima e profunda a respeito do Espírito Santo. O momento orante, além de fortalecer a caminhada espiritual dos crismandos, foi uma ocasião propícia para levá-los a compreender ainda melhor o sentido do sacramento que almejam receber.

A comunidade de Ibiajara se prepara para a festa da padroeira


SOLENIDADE DE PENTECOSTES


Leituras:
At 2,1-11
Sl 103, 1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)
1Cor 12,3b-7.12-13
Jo 20,19-23
50 dias após a Páscoa, os judeus comemoravam a Aliança que Deus fizera com Israel no Monte Sinai. Nesta aliança Deus entrega a Lei com os mandamentos e constitui Israel como povo de Deus. Ao celebrar este acontecimento Israel reafirma a fidelidade de Deus para com seu povo e renova seu compromisso com seu Senhor. Lucas, então, coloca a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos nesta mesma data para indicar que a lei dada ao povo agora é internalizada pelos discípulos de Jesus através do Espírito Santo. Assim se constitui a última etapa da comunidade do Povo de Deus – a comunidade messiânica, que viverá da lei inscrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo de Jesus (cf. Ez 36,26-28).
Na ocasião dessa festa judeus de todo o mundo se reuniam em Jerusalém, levando amigos pagãos, simpatizantes da religião judaica. E cada um falava a língua do país onde morava. Depois de sua Ascensão, Jesus mandara que os discípulos ficassem em Jerusalém (Lc 24,49) para receberem aquele que Seu Pai prometeu. E assim, 50 dias depois da sua Páscoa a Promessa de Jesus se cumpre: o Espírito Santo se manifestou aos apóstolos reunidos no Cenáculo em forma de línguas de fogo. Os elementos do vento impetuoso e do fogo também são indicativos da manifestação de Deus, como acontecera no Sinai na ocasião do estabelecimento da aliança. Na leitura vê-se que todos começaram a falar línguas diferentes conforme o Espírito inspirava. E todos os que ouviam entendiam a mensagem de Deus na sua própria língua.
Aqui há uma mensagem importante. O Espírito Santo leva os discípulos a ultrapassarem as diferenças para comunicar a mensagem de Deus para unir numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas. O Espírito modifica profundamente as relações humanas. Sem deixarem a sua cultura e as suas diferenças, todos os povos escutarão a proposta de Jesus e terão a possibilidade de integrar a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua (a linguagem do amor) e onde todos poderão experimentar essa comunhão que torna povos tão diferentes, irmãos.
O Salmo 103, o canto que agradece a Deus a criação de todos os seres da terra, é entendido aqui como o poder divino de conservação da vida criada por Deus. Se pensarmos na Igreja composta por pessoas que receberam o Espírito Santo no Batismo, entendemos que a Igreja continua viva pela ação do mesmo Espírito Santo.
Na segunda leitura, São Paulo fala dos dons do Espírito Santo aos cristãos de Corinto. Porém, São Paulo ensina que não é só o Espírito Santo que age em nós e sim toda a Santíssima Trindade.
Ele diz que há diversidades de dons na comunidade, mas o Espírito é o mesmo. E o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Há diversidade de trabalhos pela comunidade, mas o Senhor é o mesmo. E o Senhor é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Há diversidade de atividades na Igreja, mas para todos há um só Deus. E o Deus único é Deus Pai, a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade. São Paulo nos está dizendo que a Santíssima Trindade toda está agindo na Igreja. Em outras palavras: sem a Santíssima Trindade a Igreja não existiria! Mas, em particular, é do Espírito Santo que a Igreja recebe diferentes dons.  Todos esses dons individuais servem ao bem comum de toda a comunidade. Por fim, São Paulo lembra como essa união dos cristãos em sua diversidade de raças, línguas, condição social etc. É efeito do Espírito Santo. Disso, nasce uma unidade espiritual que São Paulo chama de Corpo, o de Cristo, que é a Igreja, do qual Cristo é a Cabeça. Mas Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. São Paulo Sublinha que o dom por excelência é a confissão de Jesus como Senhor, por isso ninguém pode usar do seu dom para se colocar acima dos outros já que Deus age em todos os que seguem Jesus. 
Em Jo 20,19-23, há o relato da entrega do Espírito Santo aos apóstolos de outro modo. Agora é Jesus pessoalmente quem dá o Espírito Santo aos discípulos reunidos no Cenáculo. E não foi em Pentecostes, foi no próprio dia de Sua Ressurreição. Como entender essa discordância entre esse Evangelho de João e o relato de Pentecostes em At 2,1-11? A resposta está na distinção das duas teologias: a de São Lucas, nos Atos, concentra-se no dia de Pentecostes para acentuar interiorização da Lei de Moisés pelo dom do Espírito Santo à Igreja; a de São João, em seu Evangelho, acentua a Vida Nova que está em Jesus Ressuscitado e que é o Poder do Espírito Santo. Jesus não conserva só para Si essa Vida Nova, mas passa-a para os discípulos.
O dom do Espírito Santo por Jesus tem algo mais: os apóstolos recebem junto o poder de perdoar ou não os pecados. Isto porque que os apóstolos vão batizar os convertidos do pecado para a Vida Nova, dada pela água do Batismo, no qual o Espírito Santo age vivificando quem estava morto pelo pecado. Em relação a nós, batizados em nome de toda a Santíssima Trindade, sabemos que o Espírito Santo nos foi dado no Batismo, sacramento em que fomos perdoados de todo pecado, em que renascemos para a Vida Nova do Cristo Ressuscitado, em que nos tornamos filhos de Deus e, ao mesmo tempo, nos tornamos membros do Corpo de Cristo, sua Igreja. Tudo isso é o que nos relembra a festa de Pentecostes e nos questiona: A Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e à volta de Jesus? Está atenta, deixando-se guiar pelo Espírito Santo que a sustenta?
A Igreja de que fazemos parte deve ser espaço de liberdade e de fraternidade. Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito – mesmo os de outras raças, mesmo aqueles de quem não gostamos, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade exclui.
Adriano Bonfim
Em estágio Pastoral


AGENDA DO BISPO

MAIO 2018 - II
Dia
Horas
Onde
Atividade
17
19.30
Comunidade Pau de Colher -Paramirim
S. Missa com Crisma
18
Manhã
Casa do Bispo
Atendimento


19.30
Comunidade Riacho da Lagoa – Barra
S. Missa com Crisma.
19
Manhã
Casa do Bispo e Cúria
Atendimento
Tarde
Casa do Bispo
Atendimento
19.30
Catedral
S. Missa na Vigília de Pentecostes.

Catedral (depois da S. Missa)
Vigília de Pentecostes
20
16.00
Comunidade Tangará - Piatã
S. Missa na solenidade de Pentecostes
19.30
Matriz - Piatã
21
Manhã
Casa do Bispo - Cúria
Atendimento
17.00
Casa do Bispo
Encontro Crismandos jovens
22
Manhã
Casa do Bispo - Cúria
Atendimento
19.00
Casa do Bispo
S. Missa e Encontro crismandos adultos
23
Dia
Arquidiocese Vitória da Conquista
Encontro Padres
24
Manhã
Casa do Bispo - Cúria
Atendimento
19.30
Comunidade Tingui - Catedral
S. Missa
25
Manhã
Casa do Bispo - Cúria
Atendimento
Noite
Comunidade Malhadinha - Taquari
S. Missa
26
Manhã
Casa do Bispo
Atendimento
15.00
Localidade Santa Rita – Mucugê
S. Missa
18.00
Comunidade Guiné - Mucugê
Encontro e S. Missa
27
10.00
Comunidade Ibiajara – Rio do Pires
S. Missa, festa ‘S. Maria do Ouro’
19.00
Comunidade Estocada – Catedral
S. Missa com Crisma

41. A BÊNÇÃO - I

Hoje, vamos refletir a respeito do que significa a bênção. Qual sua origem/ Qual seu sentido? O que comporta dar ou receber a bênção? O Ritual de Bênção, da Congregação para o Culto divino (1984), escreve: “As celebrações de bênçãos ocupam lugar de destaque entre os sacramentais, instituídos pela Igreja para o bem-estar pastoral do povo de Deus. Como ações litúrgicas que são, tais ritos elevam os fiéis ao louvor de Deus e os dispõem a alcançar o efeito principal dos sacramentos e a santificar as diversas circunstâncias de suas vidas”.
Para compreendermos melhor o sentido da bênção, vamos recordar algumas páginas bíblicas para, em seguida, aplica-las à nossa vida.
O Senhor falou a Moisés: Dize a Aarão e aos seus filhos: Com estas palavras deverás abençoar os israelitas: ‘O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti sua face e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz (Nm 6,22-26).
Somente Deus pode abençoar, só d’Ele pode vir a bênção porque Ele é o Senhor da criação e da vida. A Bíblia está repleta de bênçãos. Desde o início, encontramos: Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos...  (Gn 1,22); Deus abençoou o sétimo dia e o santificou (Gn 2,3). A história de Abraão começa com a bênção divina: Farei de ti uma grande nação e te abençoarei...  Abençoarei os que te abençoarem (Gn 12,2-3). A bênção acompanha a caminhada do povo de Deus. A Isaque, Deus diz: Eu sou o Deus de teu pai Abraão; nada temas, pois estou contigo. Eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência (Gn 26, 24). Antes de morrer, Isaque abençoa Jacó (cf. Gn 27,27) que, ao morrer abençoou os filhos dando a cada um sua bênção (Gn 49,28). Ao longo da história bíblica a bênção divina nunca falta apara os filhos de Israel que procurar viver na fidelidade à Aliança: Se ouvires estes preceitos e os puseres fielmente em prática, o Senhor teu Deus... te amará, te abençoará e te multiplicará. Abençoará o fruto do solo...  Serás mais abençoado do que todos os povos (Dt 7,12-14).
O povo da Aliança tem consciência dessa bênção e caminha na presença do seu Senhor ciente de ter o olhar amoroso do seu Deus que o protege e acompanha. Por isso, sobretudo, em sua oração, canta constantemente esta certeza: Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face (Sl 67/66,2); Louvai o Senhor... Porque reforçou as trancas de tuas portas e no teu meio abençoou teus filhos (Sl 147, 1.13).
A bênção recebida não é algo particular de Israel; ela é para todas as raças da terra (Sl 72,17); não só para a casa de Israel e de Aarão, mas também para todos que temem o Senhor (Sl 115/113b, 12-13).
Jesus também abençoava: as crianças (cf. Mc 10,16), os pães e os peixes no momento da multiplicação (cf. Mt 14,19); o pão e o vinho, na ceia da despedida (cf. Mt 26,26); na ceia com os dois discípulos de Emaús (Lc 24,30); enfim, antes de ser elevado ao céu: ergueu as mãos e abençoou-os (Lc 24,50).
A Igreja nascente, como documenta o livro dos Atos, continua segundo o estilo de Jesus. Pedro, em seus primeiros discursos, fala ao povo e diz: Para vós, primeiramente, Deus suscitou o seu Servo e o enviou a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se afaste de suas mas ações (At 3,26). A bênção deve distinguir o comportamento dos seguidores de Jesus: Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis, recomenda o apóstolo Paulo (Rm 12,14).
Eis, portanto, a presença da bênção na vida do povo de Deus e de Jesus. Eis sua origem. Mas, o que significa e comporta, hoje, para nós abençoar e receber a bênção?
Dom Armando